Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
publicado por Paulo Marcelo em 30 Set 2009, às 23:13 | jamés (8)

Os blogues colectivos envolvem riscos. Não é fácil conciliar tantas personalidades diferentes com identidade e coerência. Apesar do nosso objectivo principal -contribuir para uma mudança política em Portugal- não ter sido alcançado, o balanço que faço é muito positivo.

Fomos "alinhados" mas nunca previsíveis. Fomos uma voz livre e irreverente, mostrando que a política não tem que ser cinzenta, nem feita por gente sisuda em sedes partidárias ou gabinetes governamentais. Apesar das críticas, por vezes duras, contra a máquina de propaganda socialista, não caímos nos ataques pessoais, contribuindo para elevar o debate político, numa campanha já demasiado marcada por episódios asfixiantes. Conciliámos experiência com juventude, lançando novos autores na blogosfera política. Escrevemos mais de 1000 textos originais, gerando milhares de comentários e mais de 130 mil visitas (cerca de 259 mil "page views").

O espaço político "não socialista" tem um caminho a percorrer. Crescer em convicção e em clareza, no modo como apresenta o seu projecto e defende as suas ideias. Ganhar o “argumento” para depois ganhar o poder, alcançando uma mudança política duradoura em Portugal. Convicção não faltou neste blogue. Espero que alguns dos argumentos que aqui produzimos façam o seu caminho. Apesar do resultado eleitoral negativo, valeu a pena dizer "Jamais". O vernáculo manguito ficou adiado, mas surgirá na altura própria, e não teremos de esperar quatro anos.



Comentar
Terça-feira, 29 de Setembro de 2009
publicado por Nuno Gouveia em 29 Set 2009, às 13:14 | jamés (2)

“Today we have done what we had to do. If necessary, we shall do it again.”

Ronald Reagan

 

Sinto uma enorme satisfação por ter colaborado este espaço. O PSD não venceu, mas a luta por um Portugal melhor prossegue dentro de momentos. 



Comentar
Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
publicado por Sofia Rocha em 28 Set 2009, às 22:48 | jamés (12)

O dia seguinte.

À tarde, li as notícias do processo da UE por défice excessivo.

À noite, ouço o Dr. Pedro Silva Pereira na Sic-notícias, a dizer exactamente o que disse nos últimos quatro anos e meio.

Com o dia a terminar, só posso dizer: Meus amigos, a minha luta de ontem é a minha luta de hoje.

Nem sequer posso dizer "Mutatis mutandis", é que não mudou nada.

A luta continua.



Comentar
publicado por Tiago Moreira Ramalho em 28 Set 2009, às 19:35 | jamés (4)
Entrei neste blogue à data do seu nascimento. Fui amavelmente convidado por gente que julgava demasiado amável para o fazer e que, portanto, me desiludiu. Aceitei, hesitante, por na altura saber que ia defender algo que ainda não conhecia em toda a sua plenitude – ninguém, de que partido fosse, conhecia o que defendia na sua plenitude. Ainda assim avancei. Avancei porque via que Manuela Ferreira Leite, apesar de todos os problemas e casos, tinha uma visão do país que me era mais simpática do que a do PS de José Sócrates. Hoje, um dia depois das eleições, não me arrependo de ter estado aqui. Não devo ter convencido ninguém, nem ter tirado as indecisões a nenhum indeciso, mas ainda assim acho que valeu a pena. Não vou chorar derrotas nem cumprimentar vitórias – seria tolo, ainda não tenho de respeitar protocolos.
No meio de tudo isto, uma e uma só coisa me alegra: saber que não há possibilidade de haver governo participado pela extrema-esquerda e que para haver estabilidade, terão de ser feitas pontes de entendimento com partidos mais próximos (apesar de muito longínquos) daquilo que defendo.
Obrigado a todos e ver-nos-emos por aí, num país mais «avançado», talvez.


Comentar
publicado por Rodrigo Adão da Fonseca em 28 Set 2009, às 16:29

Quase tudo já foi dito sobre o resultado eleitoral de ontem. Não serei eu quem terá algo mais a acrescentar. 

 

Foi com prazer que, desde a primeira hora, participei, quer no Jamais, quer em outras iniciativas promovidas pela actual Direcção do PSD, como o Fórum Portugal de Verdade.

 

Portugal precisa de um PSD forte, com espírito reformista, de um PSD que enfrente os problemas do país sem artificialismos, exigindo um ambiente social e económico respirável, onde o Estado não tenha uma presença asfixiante. É este o núcleo essencial do conteúdo da mensagem da "Política de Verdade", um programa eleitoral onde se procuram apresentar soluções para Portugal, realistas, ideias de governo exequíveis e avaliáveis pelos cidadãos, longe das utopias que o Partido Socialista vende ao país.

 

Encerro a minha participação no Jamais, não sem enviar um agradecimento especial a todos os que aceitaram, num momento em que até poderia ser mais cómodo manter silêncios cúmplices, o desafio de escrever neste blogue.



Comentar
publicado por André Abrantes Amaral em 28 Set 2009, às 12:31 | jamés (8)

O PSD perdeu as eleições, de pouco servindo a satisfação de Sócrates ter perdido a maioria absoluta. O PSD precisa de se reencontrar para poder continuar a ser um partido importante para a democracia portuguesa.

 

Subscrevo as razões do Pedro Picoito. Há muitas mudanças que têm de ser feitas e muitas pessoas que terão de deixar a vida política para que dêem lugar a uma nova geração. Mas é preciso ter calma e perceber duas coisas: Em primeiro lugar, que toda a mudança leva tempo e, em segundo, que se deram os primeiros passos nesse sentido: As críticas ao investimento público como motor da economia foram acertadas, só sendo preciso realçar e acreditar mais nas alternativas; o trabalho do Instituto Sá Carneiro foi excelente, bastando apenas que venha a ser mais aproveitado.

 

As ilações terão de ser tiradas. O trabalho vai ser feito, novas políticas serão apresentadas, uma alternativa política vai surgir. Um PSD sem traumas por ser de direita, por se apresentar como liberal, está aí ao virar da esquina.



Comentar
publicado por Pedro Picoito em 28 Set 2009, às 01:16 | jamés (20)

O PS ganhou as eleições, com um mau resultado, e o PSD perdeu-as, com um péssimo resultado. É só isso o que me interessa e é só isso o que deve interessar todos os que queriam derrotar Sócrates. O campeonato de quem mais subiu e desceu é literalmente secundário: o único objectivo do PSD era a vitória. E nem sei que nome dar ao campeonato dos que fizeram das eleições de hoje um referendo a Manuela Ferreira Leite. Ou a Pacheco Pereira. Fetichismo?

Apesar do resultado, começo por dar os parabéns a Manuela Ferreira Leite. Há um ano, pegou num partido em estado comatoso, com uma liderança alienígena e sondagens deprimentes, e trouxe-o até aqui. Contra tudo e todos (sendo tudo e todos um dos governos mais demagógicos da história da democracia portuguesa, uma comunicação social adversa e a permanente oposição interna), levou o PSD a ganhar as europeias e a discutir as legislativas palmo a palmo. Agora que se afiam as facas longas, fica a minha homenagem.

Dito isto, o PSD deve tirar conclusões sobre o que correu mal. O partido teve um resultado pouco superior ao de 2005, o que significa que quase não ganhou votos ao PS. Se pensarmos que o PS perdeu cerca de meio milhão de votos, mas o CDS cresceu 175 mil e o Bloco de Esquerda 190 mil, é fácil concluir que o PSD não captou o voto dos muitos descontentes do socratismo. Como era sua estrita obrigação. Acrescentemos que, segundo as sondagens, PS e PSD estiveram muito próximos nas intenções de voto até à última semana de campanha, quando ainda havia quase 40% de indecisos. Ou seja, nos últimos dias o PSD deixou esses indecisos fugirem para o CDS e até para o BE.

Porquê?

Sem prejuízo de uma leitura mais complexa, que fica para depois, julgo que o PSD cometeu três grandes erros.

Primeiro: a constituição das listas de deputados. É, quanto a mim, o erro capital. Como explicou Luís M. Jorge num post premonitório, não se pode ter por mote as palavras "Política de Verdade" - e depois pedir aos portugueses que votem em António Preto e Helena Lopes da Costa. Não se pode, pura e simplesmente. Ponto final. É uma contradição. Curtocircuita a mensagem. Dá a entender que, afinal, somos iguais aos socialistas. (Basta ver a indiferença generalizada com que foram recebidas as notícias relativas ao financiamento criativo das campanhas do PS pelo Dr. Lello.)  Com a agravante de que, entre o anúncio das listas em meados de Agosto e a apresentação do programa em início de Setembro, o PSD não criou nenhum facto político que aliviasse o massacre a que Manuela Ferreira Leite foi submetida por estas escolhas. E com outra agravante: ao escolher alguns rostos conhecidos do cavaquismo para cabeças de lista, Manuela Ferreira Leite mostrou preferir a experiência do passado à renovação do grupo parlamentar. Um mau sinal para quem queria passar a ideia de mudança. E com outra agravante ainda: Deus Pinheiro e Couto dos Santos dedicaram-se alegremente a defender o bloco central, quando o PSD tentava a todo o custo diferenciar-se do PS. E obrigaram a líder a corrigi-los, quando devia atacar  Sócrates. É muita coisa junta.

Segundo erro: o esgotamento da "asfixia democrática". Ao contrário de muita gente, entendo que foi um bom tema de campanha.  Porque se vive hoje em Portugal um clima de condicionamento da sociedade civil, da função pública e até de órgãos de soberania não controlados pelo PS que só tem paralelo nos idos do PREC. O telejornal que mais tem investigado o caso Freeport acaba por "critérios empresariais", uma editora com uma biografia incómoda sobre o Primeiro-Ministro não a publica, a correspondência interna de um jornal criticado por Sócrates é manchete de um jornal concorrente elogiado por Sócrates, os magistrados que investigam o caso Freeport são alvo de pressão por parte de outro magistrado próximo do Governo, um funcionário público é afastado por contar uma anedota sobre o Primeiro-Ministro, a directora do Museu Nacional de Arte Antiga é demitida por criticar a política do Ministério da Cultura numa entrevista, o maior banco privado é entregue pelos seus accionistas a dois administradores vindos directamente  da Caixa Geral de Depósitos e até o Presidente da República suspeita, ou não desmente que suspeita, estar a ser vigiado pelo Governo. Também é muita coisa junta. Tudo isto merece ser denunciado e o PSD fez bem em denunciá-lo. Uma campanha, porém, não pode viver de um único tema. Sobretudo se este é esvaziado porque Manuela Ferreira Leite vai à Madeira, onde se vivem situações muito semelhantes às acima descritas, e elogia Jardim. E sobretudo se o Presidente da República demite o seu assessor envolvido no "caso das escutas" com um timing verdadeiramente assassino para o PSD. As sondagens são claras: foi aqui que perdemos as eleições. Havemos de falar mais tarde de tão mal contado episódio - e não será para agradecer a Cavaco Silva.

Terceiro erro: o PSD não conseguiu apresentar o seu programa como uma alternativa ao programa do PS. Caímos na armadilha de explicar que não iríamos "privatizar a segurança social", nem acabar com o rendimento mínimo, nem mandar os velhinhos para as câmaras de gás e investir as suas pensões em off shores. Isto pôs-nos politicamente à defesa e, pior ainda, fez-nos soar como um eco ofendido do PS. Olhando para os resultados eleitorais, vê-se que quem se aproveitou da armadilha socialista foi o CDS, que surgiu como o único partido verdadeiramente de direita. A agricultura, a liberdade de educação, as políticas de família, a segurança, a imigração não podem ser exclusivos do CDS. Há aqui um longo caminho de reflexão política a fazer pelo PSD.

Este ponto merece ser aprofundado. O PSD nunca soube ou nunca quis, durante um ano inteiro, centrar o debate político no seu programa. O Gabinte de Estudos  não teve o papel que deveria ter tido na sua elaboração, pelas razões conhecidas, e o trabalho do Instituto Sá Carneiro foi em grande parte deixado na gaveta, talvez por demasiado "liberal". Ora, o partido está numa encruzilhada ideológica: ou continua a afirmar-se de "centro-esquerda" e não dá nenhuma razão aos indecisos para não votarem no PS e no CDS; ou se assume descomplexadamente como o grande partido de centro-direita que Portugal não tem e de que Portugal precisa.

Espero que o PSD escolha a segunda opção. 

 

(Declaração de interesses: sou apoiante de Manuela Ferreira Leite desde as directas, colaborei com o Instituto Sá Carneiro no ano transacto e, horror dos horrores, o meu nome circulou entre alguns bloggers que me honram mais com a sua amizade do que com a sua lucidez como possível candidato a deputado. Leiam as linhas anteriores com a reserva exigida por tais factos. Se, mesmo assim, decidirem votar PSD nas próximas eleições, talvez elas sejam afinal de alguma utilidade.)



Comentar
Domingo, 27 de Setembro de 2009
publicado por Paulo Marcelo em 27 Set 2009, às 23:57 | jamés (1)

O Partido Socialista ganhou as eleições e o Partido Social Democrata perdeu. Ponto. Aqui ficam os meus cumprimentos democráticos ao partido vencedor. Embora duvide, espero que consigam fazer melhor que nos últimos quatro anos, para bem de Portugal que bem precisa de ser melhor governado para sair da profunda crise social, económica e política em que se encontra.           



Comentar
publicado por Nuno Gouveia em 27 Set 2009, às 23:50 | jamés (1)

O PSD obteve uma derrota clara. Os meus parabéns aos vencedores, nomeadamente ao PS, que ganhou as eleições, ao CDS que ficou num excelente terceiro lugar e ao Bloco de Esquerda, que teve uma grande subida. O PSD deve estar grato a todos aqueles que lutaram pelo melhor resultado possível, nomeadamente Manuela Ferreira Leite e a todos os candidatos. A luta pelas ideias e pelos valores continua. 



Comentar
Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
publicado por Rodrigo Adão da Fonseca em 25 Set 2009, às 23:59 | jamés (5)

990 posts, 2651 comentários, mais de 125 mil visitas (com uma média diária de cerca de 2.500 visitas), quase 250 mil page views, são estes os números de um blogue que procurou trazer para o debate a visão do PSD para o país.

 

O Jamais teve a virtude - num momento em que tanto se fala de renovação - de dar espaço a gente que escreve como gente grande, como a Daniela Major e o Tiago Ramalho, mas que não tem sequer ainda idade para votar, no mesmo plano de vozes que não precisam de apresentação, como José Pacheco Pereira, Vasco Graça Moura ou Paulo Rangel: partilharam este espaço militantes e independentes, ao todo 32, homens e mulheres de várias gerações. 

 

O que nos uniu? A vontade de trazer para o debate um discurso livre, baseado na Política de Verdade com que Manuela Ferreira Leite se tem vindo a apresentar aos eleitores.

 

Portugal viveu nos últimos 14 anos, mais de 11 anos de governação socialista. No dia 27, precisamos mesmo de assegurar um novo caminho, com a marca da mudança. Por isso, recomendamos o voto no PSD!

 

Obrigado a todos os que nos visitaram!

Os 32 colaboradores do Jamais



Comentar
publicado por Nuno Gouveia em 25 Set 2009, às 23:30 | jamés (6)

Recordar é viver: "Sócrates, o ditador" - por António Barreto, no ABC do PPM

 



Comentar
publicado por Paulo Tunhas em 25 Set 2009, às 23:04 | jamés (2)

Enquanto, de acordo com as absurdas regras vigentes, se pode ainda dizer alguma coisa em matéria de campanha eleitoral, há uma que vale indiscutivelmente a pena dizer. Este governo foi o mais assaltante, o mais roubador, em matéria de liberdade de expressão que a democracia conheceu, passadas as atribulações iniciais. Isto, em si, diz tudo. O caso do fim do jornal das sextas da TVI é um exemplo perfeito de um cinismo político que, aparentemente, seduz alguma gente. O resto que possa ser dito, por via de blogues de assessores ou de apóstolos democráticos, é uma treta. Foi assim, não há volta a dar-lhe. E resta esperar que muita gente perceba, para além de tudo o resto, isto. Que é essencial. Para que pior não venha.



Comentar
publicado por Carlos Botelho em 25 Set 2009, às 21:15

Quem é?...



Comentar
publicado por Manuel Pinheiro em 25 Set 2009, às 20:20 | jamés (1)

Para efeitos de voto sempre foram decisivas as diferenças políticas entre os dois maiores partidos portugueses. Com maior ou menor esforço, mais episódio ou menos episódio, é sempre possível (para quem estiver interessado) passar por cima da barragem mediática e perceber as diferenças. O problema é o esforço adicional que tem de ser feito no caso de Sócrates. Será eventualmente um problema meu, mas em vésperas de eleições ainda me é difícil resignar à ideia de alguém ponderar votar num candidato como este Sócrates de todos os casos e suspeitas sobre a sua vida pessoal e política. Claro que na inexistência destes existe uma longa lista de imperiosas razões para não votar nos socialistas, mas são razões políticas no sentido generoso do termo, e foram estas que fizeram a diferença entre votar ou não em diversos candidatos socialistas como Constâncio, Sampaio ou Guterres. Com Sócrates o caso é diferente. É um imperativo cívico não eleger Sócrates como o é não eleger qualquer candidato a Primeiro Ministro em circunstâncias semelhantes. O nosso pulsar latino americano não pode ir tão longe. 



Comentar
publicado por Nuno Gouveia em 25 Set 2009, às 20:15 | jamés (2)

No domingo o país irá escolher o próximo Governo. Se os portugueses estão contentes com o actual rumo, José Sócrates será reconduzido no cargo. Se considerarem que é preciso outro caminho, Manuela Ferreira Leite será a próxima líder do Governo. Estas são as duas grandes opções em cima da mesa. Com a situação dramática que o país vive, espero que o PSD ganhe as eleições. Como escreveu Vasco Graça Moura, é um imperativo patriótico derrotar José Sócrates. 



Comentar
publicado por M. Isabel Goulão em 25 Set 2009, às 19:45 | jamés (2)

 

 

 

Nesta parte da troço ferroviário, avança lentamente o comboio da fotografia, para mais tarde, já com linhas mais modernas, adquirir velocidade. Neste troço, as linhas são já antiquadas, mas têm vindo a cumprir o seu papel. É verdade que o betão novo é mais rápido, mas  faz mais estragos e até consta que vem aí mais do mesmo, com o pomposo  nome de grandes investimentos.

Num trajecto sinuoso junto ao rio, o comboio vai servindo pequenas estações e apeadeiros daquele interior que tão poucos conhecem. Para muitos, nem só os mais idosos, é o único meio de transporte que os une à capital, onde está quem lhes coordena os horários, os percursos e lhes regulamenta a vida.

Num país de escassos recursos mas muito deslumbramento, onde o a discussão sobre o CO2 é para académicos, em que as médias das velocidades rodoviárias são motivo de orgulho e a prática da cidadania é incipiente, este antigo meio de transporte (colectivo, cómodo, limpo) que serve todo o país tem sido ingloriamente esquecido e pouco valorizadas as suas linhas regionais.  Bem sei que os apeadeiros servem pouca gente, mas este post era sobre o quê, afinal? Velocidade não é certamente e a modernidade não é assim.



Comentar
publicado por Paulo Tunhas em 25 Set 2009, às 19:42 | jamés (1)

Estou a ver agora na televisão um conjunto de "politólogos". Explicam, sem qualquer reticência no exercício, o falhanço da estratégia mediática de Manuela Ferreira Leite. É impressão minha ou os "politólogos" reproduziram-se imenso nos últimos tempos? Os media andam cheios deles. O que é que são? Filósofos políticos "técnicos"? Pelo menos, uma coisa vê-se: são "socráticos". Os padrões pelos quais aferem a virtude política não enganam. Que pobre coisa. E, a julgar pela maneira de pensar, são bem capazes de estarem errados. Deus queira.



Comentar
publicado por Tiago Moreira Ramalho em 25 Set 2009, às 19:19

Só preciso de escrever uma coisa que não escrevi: por muito limitado em temas e qualidade que o debate jamais vs. simplex possa ter sido, é um pouco desagradável que o único sumo que tenham conseguido retirar tenha sido uma espécie de discussão completamente inócua acerca de resultados pós-eleitorais. É que a adivinhação ainda não tem um papel assim tão preponderante na política nacional. Ainda.



Comentar
publicado por Maria João Marques em 25 Set 2009, às 17:56 | jamés (3)

Vou votar num partido que vê o nosso futuro feito pela capacidade individual e não pela omnipresença do Estado. Vou votar num partido que pretende aliviar as PMEs, de forma a criar emprego, e não investir em obras públicas de necessidade duvidosa que hipotecarão gerações futuras e dificultarão a vida às famílias e PMEs (que ficam com crédito mais caro). Vou votar num partido que percebe que não há margem para aumentar impostos e que estes devem ser reduzidos logo que houver folga. Vou votar num partido que sabe que consolidação orçamental só existe com redução de despesa pública. Vou votar num partido que soube conviver durante os anos de Cavaco Silva com O Independente, o jornal mais hostil que já tivemos em Portugal, e não num governo que tudo fez para condicionar os jornalistas. Vou votar num partido que não pretende controlar empresas, funcionários públicos, jornais, sindicatos, juízes, punindo os críticos e recompensando os respeitosos. Vou votar numa líder que não faz promessas para ouvir a própria voz e que não pretende cumprir. Que é tão segura de si própria que se apresenta aos eleitores sem representar. Que vê e entende a realidade e sabe que políticas são possíveis e adequadas. Que tem um percurso marcado pela seriedade. Que não receia ser impopular mas não necessita afrontar classes profissionais para ganhar estatuto de determinada. Que não aprecia o dirigismo estatista. Que me quer dar alguma liberdade nos serviços públicos. Que me vai dispensar, e aos meus filhos, de pagar o despesismo socialista.

 

Uma senhora de confiança.



Comentar
publicado por Miguel Reis Cunha em 25 Set 2009, às 17:51

Tenho me deparado com muitas pessoas que se encontram ainda indecisas sobre  o sentido do seu voto. Uma parte significativa reconhece MFL como uma pessoa séria, rigorosa e competente. No entanto, manifestam alguma hesitação em votar no PSD porque, apesar de lhe reconhecerem méritos, dizem que MFL, em termos de imagem, empatia e forma de comunicação não os atraí. A este propósito já escrevi, aqui, dois posts ("A sedução da fantasia" e "A escolha dos médicos"), mas, acho que vale a pena voltar a reflectir sobre esta aparente importância da questão estética. É que neste dilema, muitos indecisos, embora vejam MFL como uma pessoa capaz, depois acham-na visualmente pouco atractiva. Quanto a Sócrates olham-no como um incompetente, graxista e fala-barato, mas, ao mesmo tempo , vêem-no como um desportista, com boa imagem visual e pleno de jovialidade.

Concordo que hoje em dia, na nossa sociedade, a imagem conta muito. Mas que diabo, se eu quiser um bom professor para os meus filhos, procuro um que seja sexy, graxista e com muita verborreia, apesar de o saber pouco capaz ou, ao invés,  procuro um que sei que é competente, ainda que possa ser esteticamente menos jeitoso ou dê menos "graxa" aos pais ? E para o governo do nosso país, escolho quem? De que serve a imagem e a estética de um político se me leva o país para uma futura bancarrota ? Se o seu governo produz muita e má legislação ? Se sufoca com impostos as PME's e as famílias ?

Acredito que o povo português saberá decidir e que os indecisos, neste domingo, no momento de votarem, a sós, no silêncio da sua consciência, saberão colocar a cruz no PSD. 

  



Comentar
publicado por Tiago Moreira Ramalho em 25 Set 2009, às 17:25

Hoje, numa ida ao Barreiro, notei que um dos cartazes do PS incluía o projecto da nova ponte sobre o Tejo. Era bonito, tudo feito a computador. Já sabem barreirenses, se votarem em nós, damos-vos uma ponte.
Claro que muita gente nem olha para os cartazes, quanto mais pensar no que representam. Mas, naquele autocarro e sem nada melhor para fazer, dei por mim a aperceber-me que aquilo que ali estava, aquele singelo cartaz, constituía um atroz atentado aos mais básicos princípios da democracia e do exercício da política. O que ali estava era uma compra de votos. Pior, como se já não fosse suficientemente má a compra de votos, aquela compra é feita com dinheiro dos contribuintes. Infantilizando os eleitores, o PS diz, por outras palavras «votem em nós, que assim recebem coisinhas boas».
Sem precisar de infantilizar tanto, o PS já fez isto antes com o Magalhães. País, proclamaram, a distribuição de Magalhães cessa até às eleições. Se nós ganharmos, continuam a recebê-los, se não ganharmos, nunca se sabe… podem ficar «a arder».
Eu sei que não estamos habituados a questionar a moralidade das campanhas eleitorais. Só nós sabemos o que já foi feito e dito em campanhas passadas e a vacina já é demasiado forte. Mas, ainda assim, é importante que se vejam estas subtis diferenças: um dos lados está a oferecer «coisas fixes» a todos: empresas, concelhos em particular, etc., em troca de votos; o outro lado está a oferecer um não favorecimento, um esforço para o bem comum, um projecto em que o Estado não privilegia ninguém, privilegiando, assim, todos.
São estas pequenas diferenças que têm de pesar dia 27 próximo. É sentido de Estado o que se pede no acto do voto. E agora me calo, que não quero atacar a tradição da reflexão.



Comentar
publicado por Vasco Graça Moura em 25 Set 2009, às 17:23 | jamés (5)

Estas coisas parecem delirantes, mas passam-se em Portugal. Num país em que tudo falhou por azelhice e incompetência do Governo socialista - e tudo falhou em todos os sectores vitais da sociedade portuguesa -, ainda há quem pretenda pôr com seriedade a hipótese da vitória do Partido Socialista e de José Sócrates!!!

 

Estão com certeza a gozar connosco. Se o PS ganhar, o caso é mesmo muito sério.

 

Em teoria, até pode acontecer, mas então ninguém se queixe…

Depois, não se ande para aí com lamúrias a dizer mal do Governo que se foi escolher apesar da experiência negativa de tantos anos.

E que é o Governo com maior percentagem de ministros incompetentes e de grosseiras manipulações políticas de que há memória no Portugal democrático!

Se Portugal se puser a jeito, com a inépcia do PS não teremos um país escorreito!

A hipótese de Sócrates é uma certeza de ruína!

É por isso que esta é uma oportunidade única para relegar Sócrates e o PS para uma travessia do deserto que lhes está a fazer muita falta. Derrotá-los no domingo é um imperativo patriótico.

 



Comentar
publicado por Miguel Reis Cunha em 25 Set 2009, às 17:14

Nesta campanha eleitoral, ouviram-se muitas pessoas a queixar-se do sistema político, dos políticos e dos dois principais partidos. "É tudo a mesma coisa", "Vão para lá e fazem o mesmo", etc...são os habituais chavões, agravados, desta vez, pela consciência dos efeitos nocivos da maioria absoluta do PS.

No próximo domingo, estas pessoas ou pura e simplesmente não vão votar ou farão um voto de protesto, escolhendo PP, BE, CDU ou mesmo MEP ou outros pequenos partidos. Independentemente da justeza ou não dessas considerações populares relativamente ao PSD, parece-me a mim que, na próxima legislatura, ambos os partidos deverão, de uma vez por todas, avançar com a reforma do sistema político: A revisão do sistema eleitoral, a redução do número de deputados e a revisão do seu estatuto remuneratório, o incentivo a uma maior participação cívica dos eleitores e grupos da sociedade civil nas iniciativas legislativas, a possibilidade de voto electrónico como forma de atenuar a abstenção, os orçamentos participativos, a aprovação de leis mais rígidas de combate e prevenção da corrupção, a aprovação de um código de ética dos políticos, o reforço da independência dos meios de inspecção e fiscalização dos órgãos do Estado (Provedor de Justiça, Inspecção Geral da Administração do Território, Tribunal de Contas, etc.) a maior transparência na divulgação pública das contas do Estado, o acesso apenas com base em critérios de mérito aos cargos de chefia em órgãos do Estado que não impliquem confiança política, etc., etc.

Se o PS e o PSD não avançarem, o desinteresse, a abstenção e a falta de credibilidade do sistema público de governação aumentarão cada vez mais com consequências muito nefastas para a nossa jovem Democracia.



Comentar
publicado por Manuel Pinheiro em 25 Set 2009, às 16:47

Que a campanha socialista descola da realidade sem problemas de consciência na proporção já todos percebemos. Poucas frases são mais demonstrativas do fenómeno do que o "juntos conseguimos" ao lado de mais uma fotografia de Sócrates. O problema é que o candidato socialista é um caso crónico do fenómeno oposto, que resulta na incapacidade de agregar à sua volta entendimentos de compromisso fora da sua teia tradicional de interesses. Tentativas de construção de algo com Sócrates resultam mais cedo ou mais tarde em fracasso, foi assim com diversas classes profissionais ou com partidos políticos. Sócrates é incapaz daquilo que os americanos chamam "reach across the aisle", a sua vocação é de controlo, não de entendimento e partilha. Por isso alarga o poder do partido ao estado e à administração pública e a quem com eles se relaciona. Onde não existe ligação, Sócrates vê como oportunidade o potencial de intervenção e optará sempre pelo cenário que alargue a sua capacidade de intervenção directa, como a miserável passagem de Armando Vara & Cª para o BCP mostrou entre tantos outros casos ao longo da legislatura. Como estratégia de controlo a palavra retaliação passou a ser comum como referência a São Bento logo desde as primeiras semanas de governo, passado algum tempo estava já na ofensiva alargando os seus instrumentos de poder directos e que ele, sozinho, tal como ambiciona, controla. 



Comentar
publicado por Miguel Noronha em 25 Set 2009, às 15:43

"Índice Caranguejo" de Luís Aguiar-Conraria (A Destreza da Dúvidas)

 

 

"Muito se tem falado sobre como a crise internacional tem atingido Portugal. Muitos argumentam que Portugal tem resistido bem à crise. Dizem que que a taxa de crescimento do PIB real, cerca de 3,7% negativos, não foi tão grave como noutros países, como por exemplo a Irlanda, que terá uma queda de 9%.

 

Estes números são relevantes, claro, e é bom saber que Portugal tem revelado alguma capacidade para resistir à crise. Mas também me parece que estes números não dizem tudo. Não basta ver quanto caiu o PIB no último ano, é também necessário saber quanto cresceu nos anteriores.(...) se é verdade que Portugal caiu menos do que a Roménia (3,7 contra 4% negativos), também é verdade que a Roménia teve em 2008 um crescimento de 7%. Ou seja A Roménia recuou pouco mais de meia dúzia de meses.

 

Assim, lembrei-me de calcular um outro indicador. Usando os dados disponíveis para o PIB real, vejo quando foi a primeira vez que cada país teve um PIB trimestral igual ou superior ao do último trimestre. Isto dá-nos uma medida de quantos anos recuou cada país. Usando os dados da OCDE para alguns países obtemos o gráfico exposto. Como se vê, neste Índice Caranguejo, a Itália lidera, mas Portugal não está bem colocado."



Comentar
publicado por Nuno Gouveia em 25 Set 2009, às 15:30

As últimas sondagens foram claras em dois aspectos: apresentam o PS em vantagem e um número de indecisos elevado. A levar as sondagens a sério (não esquecer lição das europeias), o resultado final é ainda uma incógnita, e com vários cenários em aberto. Todos os que desejam a "reforma" antecipada de José Sócrates têm várias alternativas à sua disposição. À esquerda podem votar na CDU ou no BE, e à direita no PSD ou no CDS. Mas, apesar de todos os partidos jurarem querer derrotar o PS, sabemos que apenas um o pode fazer na realidade. Os partidos da extrema-esquerda querem uma vitória fraquinha do PS, para o poderem condicionar, e quem sabe, partilhar o governo. O CDS, que acredito que prefira uma vitória do PSD, luta ter um grupo parlamentar forte, e fazer valer a sua agenda. Que tanto pode ser com o PSD como com o PS. O CDS não luta para derrotar José Sócrates, pois isso não está ao seu alcance. Um voto no CDS pode também ser pela manutenção do PS no poder.

 

Não é uma questão de voto útil ou inútil (todos são úteis, na medida que representam um direito democrático), mas sim de prioridades. E todos sabemos quem é que pode arredar Sócrates do poder. Essa é a grande questão destas eleições, e que os eleitores devem equacionar na hora do voto. A mudança nestas eleições é protagonizada apenas pelo PSD. Por muito que nos queiram dizer o contrário. 



Comentar
publicado por André Abrantes Amaral em 25 Set 2009, às 14:10 | jamés (1)

Uma das mensagens que o PSD passou nesta campanha foi a do risco do endividamento público e privado que se agravou durante esta legislatura. É este endividamento que tem esmagado a economia, as empresas e as famílias. É este endividamento que trucida a nossa competitividade, impede a renovação do nosso tecido empresarial, o crescimento económico e tem conduzido ao desemprego milhares e milhares de pessoas.

 

O PS não olha com preocupação para o endividamento. Se o fizesse, assustava-se. Pelo contrário, o PS está eufórico. Há 13 anos que os socialistas carregam na Procura e estimulam o consumo, para fazer crescer a economia. Sempre à custa da qualidade dos serviços, à custa da rentabilidade do trabalho, à custa da evolução normal de uma economia que não pode respirar, porque o Estado a atrofia com impostos, regras e directivas. O preço está ser alto. O desastre vai ser atroz.

 

Hoje trabalhamos para pagar o peso em que se tornou o Estado. Amanhã, trabalharemos para pagar o monstro em se que vai tornar a dívida pública. Uma armadilha diabólica.

 

Também públicado no 'Novas Políticas'.



Comentar
publicado por Paulo Marcelo em 25 Set 2009, às 13:04

Em 1945, no livro A Sociedade Aberta e os seus Inimigos, Karl Popper apresentou uma definição original de democracia, enquanto mecanismo que permite que os cidadãos se livrem de governos de que não gostam de forma pacífica. Quase a terminar esta campanha eleitoral e vendo o "pântano" a que os últimos quatro anos de governo Sócrates conduziu o país, deixo aqui o meu apelo final. Que no próximo Domingo sejamos todos "democráticos" neste sentido, substituindo pacificamente o actual governo socialista por um governo melhor, chefiado por Manuela Ferreira Leite.



Comentar
publicado por João Villalobos em 25 Set 2009, às 11:52

O próximo domingo será um teste à memória dos portugueses sobre tudo aquilo que sucedeu no país e no governo nestes últimos 4 anos e meio. As promessas feitas e por cumprir, o amordaçar da contestação, a incapacidade das reformas, o aumento do desemprego e a descida do poder de compra. E ainda a fuga do investimento estrangeiro, o fechar das empresas e fábricas, o encerramento das urgências, a guerra aberta com os professores, a inexistência de uma política cultural, a incapacidade de mexer na Lei das Rendas, o instinto controleiro à base de chips e cartões únicos, o negócio dos contentores, as dívidas por pagar no reverso do instinto cego de cobrança e muito mais.

Nada mudou desde a fase do Prozac às caixas, quando Sócrates e os socialistas clamavam que tudo estava bem no melhor dos mundos, até à seguinte, desculpabilizando-se por tudo devido a uma crise que foram os últimos a reconhecer e a admitir.  

O próximo domingo será um teste à capacidade dos portugueses de confronto com a realidade. Mas também uma prova à confiança na sua própria capacidade transformadora para a criação de um futuro melhor do que aquele que se antevê.

Os eleitores, no momento de depositar o voto na urna, serão crescidinhos ou optarão por continuar a adormecer com histórias de embalar. Depois não venham é queixar-se quando  a história não tiver um final feliz.

Publicado também no Corta-Fitas



Comentar
publicado por Pedro Picoito em 25 Set 2009, às 11:51

Pouco depois da derrota nas europeias, Sócrates veio penitenciar-se da falta de investimento do Governo na cultura.

Este é um dos problemas do ainda Primeiro-Ministro: nem sequer podemos confiar nos seus defeitos. Porque a verdade é que os socialistas gastaram muito em "cultura", mas quase sempre mal. 

O famigerado protocolo com o Hermitage, que trouxe à Ajuda algumas peças do museu russo durante três meses, custou 1,5 milhões de euros e foi bruscamente interrompido porque não havia dinheiro para mais (antes assim, mas podiam ter feito as continhas antes).

A cedência do melhor espaço do CCB à colecção Berardo, um péssimo negócio em que Sócrates desautorizou Isabel Pires de Lima e pôs o Estado de cócoras perante as ameaças do comendador, vai obrigar-nos a comprar a "doação" no futuro e já obrigou à transferência do Museu do Design para a antiga sede do BNU na Baixa (com as obras correspondentes). 

O Museu do Côa, um projecto que se arrasta desde o tempo de Guterres e é hoje uma obrigação de elementar justiça para com a região, demorou quase década e meia e muitas expectáveis derrapagens a ser construído, mas ainda não foi inaugurado porque ninguém se entende quanto ao modelo de gestão.

Até o Museu Mar da Língua, ou lá como querem chamar-lhe, um museu virtual sobre a língua portuguesa no mundo que não terá grandes encargos financeiros, acarretou o desmantelamento do Museu de Arte Popular, o último testemunho da Exposição do Mundo Português de 1940 ainda in situ, e o afastamento do seu acervo do olhar do público, não se sabe até quando, não sabe com que destino, não se sabe a que preço de conservação e reinstalação do espólio, mas sob protesto de um abaixo-assinado de setecentos académicos e agentes culturais.

Assim se trata o património no Portugal de Sócrates. Quem foi que disse que só a esquerda dá o devido valor à cultura?



Comentar
publicado por Pedro Picoito em 25 Set 2009, às 11:42 | jamés (1)

Sempre que os socialistas estão preocupados com uma vitória eleitoral da "direita", ou do que entendem por "direita", vão buscar o fantasma do Dr. Salazar ao túmulo. Foi assim contra Santana Lopes nas eleições para a Câmara de Lisboa, foi assim contra Cavaco nas últimas presidenciais, é assim contra o PSD de Manuela Ferreira Leite.

Os resultados são conhecidos.



Comentar
publicado por Carlos Botelho em 25 Set 2009, às 11:31 | jamés (1)

 

 Convido-vos a virem até aqui ao lado esquerdo ler este texto. Se o conseguirem ler todo (tarefa quase literalmente espinhosa, tal o palavreado: 'desta forma, extirpa-se a própria dialéctica no seu movimento perpétuo e prefere-se a cristalização monolítica e propagandística' ou 'o poder é multidimensional e [o Bloco] proclama a sua presença em todas as lutas contra as multiformes garras da dominação'), verão que parece servido numa bandeja ao engenheiro Sócrates - imagino os "teóricos" Lello e Santos Silva deliciados com aquela prosa. Digam lá que não poderia ter sido (mal) redigido por algum membro da Juventude "Socrática", aflito por mostrar serviço não só contra a "direita salazarenta", mas também "malhando" com volúpia na "esquerda arcaica"!

 

Todo o texto ressuma um muito mal disfarçado desprezo pelos trabalhadores (não tenhamos medo das palavras) - note-se que as "opressões" da moda (as "fracturâncias", que adornam, descartáveis, a propaganda "socrática") são apresentadas praticamente como a "opressão" por excelência, enquanto que as preocupações pela "opressão do trabalho" (que é real, como sabe quem não viva na lua ou nas sucursais do Largo do Rato) são descritas como um confinamento político, uma redução.

Esse desprezo pelo "mundo do trabalho" não existe, por óbvias razões históricas e ideológicas, na "mundividência" do PCP. Mas também não existe na "mundividência" e na prática do "centro-direita" e "centro-esquerda" (representados pelo PSD). Podiamos pensar na génese não-casual das três setas do Partido. Por outro lado, por razões históricas e sociológicas, pela sua proximidade e integração no tecido vivo das pequenas e médias empresas, pela presença conspícua de militantes do Partido em estruturas sindicais da função pública, o PSD tem considerável capacidade de percepção e de intervenção no próprio terreno do "trabalho". (De certo modo, com todas as suas diferenças programaticamente intransponíveis, o PSD e o PCP acabam por ser os Partidos mais próximos do "povo".)

 

O texto de João Teixeira Lopes não deixa de reflectir aquilo que o Bloco de Esquerda é: um aglomerado ideologicamente gelatinoso, apressado em dar sinais ao Partido Sócrates2009 que pode ser um parceiro de confiança, que os une o "combate" às formas de opressão mais "modernas", etc. Como? Atacando pelas costas o seu "irmão" ideológico, o PCP, usando os mesmos argumentos que Sócrates tem arremessado contra o "arcaísmo" dos Comunistas para poder sobressair como o representante da "esquerda moderna".

 

O Bloco de Esquerda é, à esquerda, como o é o CDS à direita, o melhor seguro de vida do engenheiro Sócrates.

 

 



Comentar
publicado por Rodrigo Adão da Fonseca em 25 Set 2009, às 11:12 | jamés (1)

O PS e o Carlos Santos andaram a campanha toda a argumentar que o PSD queria "destruir" o SNS. Hoje, é lê-lo feliz e contente a defender o "cheque-dentista", que leva a que as crianças possam, com financiamento estatal, ter acesso a tratamentos em clínicas privadas.

 

O PSD, no seu programa para a Saúde, advoga que o país deve, em condições de igualdade de acesso, aproveitar a capacidade instalada - stock de competências e infraestruturas - nos sectores públicos, privado e social. Defende a liberdade de escolha, que na maioria das situações vai beneficiar sobretudo as unidades públicas mais competitivas. As propostas do PSD salvaguardam a oferta pública, mas sem nunca esquecer aquilo que é a prerrogativa constitucional, que se preocupa, não com o prestador, mas com o cidadão, o utente. Tudo isto, porém, para o Carlos Santos e para o PS, é crime de lesa-magestade. Já defender o financiamento público de tratamentos exclusivamente privados - criticando aquilo que o BE assume (em coerência, diga-se, de integração dos dentistas no SNS) - aproveitando a rede dentista existente - indo muito além daquilo que o PSD defende - faz todo o sentido.

 

A incoerência é total. Credibilidade, 0. É triste ver como há quem consiga argumentar tudo e o seu contrário, em função das conveniências.



Comentar
publicado por Tiago Moreira Ramalho em 25 Set 2009, às 10:30

Imaginem, pacientes leitores, que saía um decreto-lei que criava um regime de faltas para os alunos ambíguo. Imaginem que um mesmo decreto pode ser compreendido por diferentes escolas de forma diferente, devido à sua natureza pouco clara. Para facilitar: imaginem que saía um decreto desta importância cujo português fosse tão mau e os imbróglios tantos que até aqueles que vivem para a Educação há décadas se viram de olhos em bico, lendo-o. É que saiu um assim. Chama-se Estatuto do Aluno.
O Estatuto do Aluno trouxe uma novidade às escolas portuguesas: para efeitos práticos, uma falta justificada e uma injustificada significam o mesmo. Quando o aluno chegava a um limite máximo de faltas, reunia-se o Conselho de Turma e haveria uma decisão: ou o aluno era chumbado ou então era encaminhado para uma prova de recuperação. Sim, caro pai-leitor, «a» prova de recuperação. Esta prova, de carácter ambíguo, veio trazer a polémica para os órgãos de decisão das escolas. Sem respostas aos pedidos de esclarecimento efectuados para as DRE’s, as escolas tiveram de se desenvencilhar e conseguimos ter aplicações bem diferentes em cada escola a partir da mesma lei. Uns olhavam para a prova como uma medida punitiva, outros como uma ficha de diagnóstico, outros até como um exame. Qual deles estava certo, não sei. O que sei é que, deparados com o desgraçado efeito (António Barreto afirmou, salvo erro, que este tinha sido o pior diploma legal desde o 25 de Abril), o clube que nos governa decidiu, sem grande alarido, fazer as alterações
à martelada com um despacho de constitucionalidade duvidosa
(por vir alterar aspectos da lei e por ser regulamentar). Um despacho que apenas deixou as escolas mais confusas. A prova que, numa fase inicial, era determinada pelo Conselho Pedagógico, passou a ser feita pelo professor da disciplina. Agora, santos leitores, pensem bem no problema gravíssimo de um professor em específico fazer uma prova em particular para um determinado aluno. Pensem bem na injustiça que se cria entre diferentes alunos: um aluno de um professor mais facilitador tem a vida muito mais risonha que um de um professor exigente. E não vamos entrar aqui com gritos de guerra demagógicos, que todos sabemos que os profissionais são todos diferentes e que há professores mais exigentes e outros mais facilitadores. Leitores-professores, sabem bem o que vos digo. Pais e alunos, vocês também.



Comentar
publicado por Miguel Noronha em 25 Set 2009, às 10:08

Custo da campanha socialista derrapou 80% em relação ao orçamento. No PSD a despesa ficou um quarto abaixo do previsto



Comentar
publicado por Tiago Moreira Ramalho em 25 Set 2009, às 09:02 | jamés (1)

Continuo a esguichar água para o betume que a dona Educação tem na asquerosa face. Árdua tarefa, mas hei-de conseguir antes que chegue o dia de reflexão.
O modelo de gestão das escolas, ao qual pisquei o olho no post anterior, tem também muito que se lhe diga. Vamos a coisas concretas e preciosas: segundo a nova lei, é o director que nomeia os chefes de departamento que terão assento no Conselho Pedagógico. Imaginem – eu sei que é difícil este exercício, mas com tais produções, só a capacidade de abstracção nos pode salvas – que numa Universidade, era o reitor quem escolhia os membros do Conselho Científico (órgão análogo ao Conselho Pedagógico). Imaginem o quão estapafúrdio isso seria. É quase impossível, não é? Mas há mais, claro: o director, que até pode não ser professor (pode ser, inclusivamente, um gestor de empresas) ocupa por inerência ao cargo a presidência do Conselho Pedagógico. Vejam só: um tipo que até pode nunca ter estudado questões de Educação ou nunca ter sido professor é quem dirige o órgão em que se definem as principais linhas no que respeita aos métodos de ensino de cada escola. Caricato é pouco para esta «coisa».
Além disso, há que acrescentar algo ao post anterior. O director, por o ser, tem direito a participar no Conselho Geral da escola, sem que possa ter possibilidade de voto. Significa isto que quem está a ser fiscalizado está presente no acto da fiscalização, sendo que os fiscalizadores têm as suas carreiras dependentes do fiscalizado. Confusos? Todos ficámos.



Comentar
publicado por M. Isabel Goulão em 25 Set 2009, às 07:48

 

Manuela Ferreira Leite no Distrito de Lisboa

 

 10h30 - Lisboa - Contacto com a população Local: Chiado (em frente ao Café “A Brasileira”)

13h00 - Sintra - Almoço de trabalho com militantes dirigentes partidários e candidatos. Local: Villa Eugénia – Avenida Barão de Almeida Santos, Sintra

17h00 - Lisboa - Contacto com a população Local: Avenida da Igreja (junto à pastelaria “Biarritz”)

20h00 - Lisboa - Jantar de encerramento da campanha. Local: Sala Tejo - Pavilhão Atlântico Confirmação de presença: T. 213 963 595

 

Do sitePolítica de Verdade



Comentar
publicado por Carlos Botelho em 25 Set 2009, às 01:09

 

Sócrates sempre procurou subtrair-se àquele que devia ser o seu papel num debate político democraticamente saudável. Sim, de duas em duas semanas lá estava no parlamento, mas isso tem um significado somente aparente, porque o uso que o primeiro-ministro sempre fez dessa modalidade transformou-a numa forma democrática vazia – ou, mais exactamente, com um conteúdo contraditório.

 Ao longo destes funestos quatro anos, a actividade normal, sublinhe-se normal, das oposições (partidárias ou não) numa democracia, isto é, a observação qualificada, a apreciação crítica, o escrutínio das opções do governo, a sua recusa terminante, foi sempre descrita por Sócrates como “maledicência” ou “ataques pessoais”. Se o primeiro-ministro não o fizesse conscientemente, julgaríamos estar perante uma personagem ainda civicamente tosca que soltava os seus primeiros vagidos para a vida política da comunidade. Mas não. Sócrates sabe muito bem o que faz. Esse seu modo patológico de se subtrair ao confronto político é, precisamente, uma opção política. Ao virar as costas às críticas dos adversários e refugiar-se na choradeira esganiçada do “ataque pessoal”, está a fazer política. Ao mesmo tempo que vai acusando os outros de “salazarismo” ou “estalinismo”, coloca-se naquele plano aparentemente apolítico sempre do agrado das criaturas autoritárias. Ele faz de si aquela imagem do líder “determinado” e providencial que quer “fazer”, mas tem de arrostar com a “maledicência” dos outros, aqueles que “não fazem”, que “só dizem mal”.

Neste modo imaturo de proceder, se vê como Sócrates é de uma indigência política pré-ateniense. Naquela sua cabeça, não há lugar para a crítica. Existem apenas duas alternativas: ou a concordância com o seu governo ou a “maledicência”. Tudo se passa como se Sócrates não esperasse nunca a apreciação de cidadãos, mas sim a passividade de súbditos. Este nosso primeiro-ministro é, no fim de contas, um reaccionário profundo. É, assim, uma medida de higiene política arredá-lo no próximo dia 27.



Comentar
publicado por Rodrigo Adão da Fonseca em 25 Set 2009, às 00:31

O debate que ontem decorreu entre Jamais e SIMplex permitiu que ressaltassem algumas das principais diferenças que existem entre o PSD e o PS na área económica.

 

Desde logo, ficou evidente que o PS defende um "socialismo de mercado", onde a intervenção do Estado tem um objectivo dirigista da economia; do lado do SIMplex, defendeu-se que não faz sentido privilegiar a "redução dos custos do trabalho"; que o país tem também um "défice de procura", e que por isso cabe ao Estado promover a I&D que conduza ao aparecimento de empresas inovadoras e competitivas, se for o caso, à custa de todas as outras, que nos aproximam da "Índia e da China". O PS aspira a um tecido produtivo que não tem aderência à economia real, um modelo high tec, excelente para fazer campanha, mas que ignora que grande parte das nossas empresas são PME's que o que precisam, acima de tudo, é que se resolvam as dificuldades que lhes são criadas na sua relação com o Estado: excessiva tributação, atrasos nos pagamentos e reembolsos que lhes são devidos, diminuição dos encargos sobre o trabalho, tratamento igual das empresas no acesso aos apoios públicos - que é o modelo do PSD, mas que para os SIMplex's não é suficientemente "ambicioso".

 

 

 



Comentar
publicado por Alexandre Homem Cristo em 25 Set 2009, às 00:05 | jamés (1)

«Nada justifica que se possa admitir de um Primeiro-Ministro, representante máximo dos portugueses, este tipo de declarações. É um facto que o nível do debate político em Portugal é baixíssimo, e que tudo vale para caracterizar o adversário, excepto argumentos 'políticos'. Mas que esse vício nacional esteja vincado na atitude de um Primeiro-Ministro não pode ser apenas um facto que se lamente. Há um sinal claro do estado do debate político em Portugal quando um Primeiro-Ministro aposta na estratégia do medo - que a direita suba ao poder - para relembrar aos eleitores a importância de votar no seu partido. O vazio do discurso político é cada vez mais evidente, e pior só mesmo a impunidade com que isso acontece. O artigo de 11 de Agosto de José Sócrates no JN é isso mesmo, um sintoma desse vazio e dessa impunidade.»

 

Escrevi isto aqui, a 17 de Agosto, em reacção ao artigo de José Sócrates no JN, no qual o ainda Primeiro-Ministro identificou no PSD um "certo espírito do salazarismo". Nessa altura, não poderia imaginar que a campanha do PS se iria apoiar precisamente na reiteração desse mito, ofensivo a todos os níveis, não só para quem vota PSD como para com todos aqueles que enfrentaram o Estado Novo. Em nome de uma campanha eleitoral, o PS ultrajou o nosso legado político, distante e recente, impôs nas ruas o 'medo' para com o PSD, a sua alternativa política, e banalizou Salazar num mero argumento de retórica.

 

O PS mostrou, com isto, que está disposto a quase tudo para vencer. Alguns portugueses, por sua vez, mostraram, pela euforia com que repetiam essas mentiras, que Portugal continua o mesmo país de sempre, onde tudo se faz impunemente. Não se pode pedir seriedade aos políticos e depois recompensá-los quando não são sérios. Pelo papel central que ocupa na democracia portuguesa, exigia-se mais do PS, i.e. que fizesse campanha, mesmo que dura, mas com respeito pelos limites naturais do bom senso.

 

Se vencer, terá justificado todas as declarações horripilantes sobre Manuela Ferreira Leite, Salazar, e o Estado Novo? Talvez no PS se acredite que sim. Ou, pior, talvez nem se coloque essa questão. No final, vença quem vencer, o PS acaba a campanha deixando o país ainda pior do que quando a começou, com um verdadeiro deserto de credibilidade política; algo que não deve ser esquecido.



Comentar
Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009
publicado por Maria João Marques em 24 Set 2009, às 23:54 | jamés (3)

"Associação das PMEs recomenda voto contra PS
A ANPME, Associação Nacional das Pequenas e Médias Empresas, que reúne mais de 12 mil membros, aconselha os seus associados a não votarem no partido do Governo, num protesto contra os «maus resultados económico-financeiros demonstrados»"

 

No Sol.

 

Que ingratas, as PMEs.

 

(Tendo em conta que o que o PS propõe para as PMEs são subsídios estatais, não deixa de ser reconfortante que por uma vez uma associação empresarial se pronuncie contra políticas que propiciam a subserviência e a dependência do Estado).



Comentar
publicado por Alexandre Homem Cristo em 24 Set 2009, às 22:16

mota-engil

 

O Pedro Magalhães explica, aqui, que não se podem identificar, de forma generalizável e alargada, os efeitos das sondagens nas intenções de voto. Mas há outros efeitos muito interessantes.



Comentar
publicado por Tiago Moreira Ramalho em 24 Set 2009, às 22:00

Como disse, há mais. Muito mais, preclaros leitores indecisos ainda. Na área da Educação, na qual se gastaram quilos de maquilhagem para tentar disfarçar os podres, há muito que, para ser revelado, apenas necessita uma ensaboadela.
Ainda sobre a questão da avaliação e já a piscar o olho ao novo modelo de gestão das escolas. Na nova forma de organização escolar, há um novo órgão de máxima importância: o Conselho Geral. Provavelmente os leitores que tiverem filhos a estudar já ouviram falar desta inovação. Neste órgão, têm assento alguns professores. Geralmente o número varia entre sete e nove. Estes professores, juntamente com todos os outros membros do órgão, têm como função principal fiscalizar a actividade da direcção da escola e, em última análise, podem decidir uma demissão do director. Convenhamos que têm bastante poder e uma grande responsabilidade. O CG é uma espécie de Parlamento das escolas, para facilitar.
Ora, agora imaginem uma situação absurda: imaginem que os professores cuja função é fiscalizar a actividade do director são avaliados por esse mesmo director. Imaginem só. Imaginem, para facilitar, que os deputados da república eram avaliados pelo governo. Imaginem só. Eu sei que isto parece absurdo, mas para a equipa reformista e transformadora que lidera a pasta da Educação, isto é normal e até desejável. Tanto é, que o passaram para o papel com força de lei.
Agora diga-me o excelso leitor: como é que acha que um professor ou um funcionário auxiliar pode exercer a actividade fiscalizadora com um mínimo de independência, rigor e isenção se é a sua situação profissional que está em jogo. É que um comentário depreciativo pode custar uma boa avaliação e a vida está difícil para todos. Mais, e esta é para os moralistas que já estou esperando: tentem colocar-se no lugar deles.
 



Comentar
publicado por M. Isabel Goulão em 24 Set 2009, às 21:01

 

 

Em abono da verdade, não me “ajeito” a escrever sobre política como os meus colegas de blog, mas não é isso que me inibe de ter uma palavra sobre o que nos une neste espaço e nos traz até aqui. Simplesmente porque o posso fazer, tão fácil quanto isso. A poucos dias das eleições legislativas, recordo os inqualificáveis adjectivos com que foram brindando a Dra. Manuela Ferreira Leite ao longo de toda a campanha, os quais me coíbo de repetir. Foram palavras torpes a propósito da idade, do cabelo, do colar, dos erros de sintaxe, das ideias, uns dias a outra senhora, outros dias mulher, valeu (quase) tudo para a atacar com vileza.

Aos amigos e conhecidos que se indignavam com tanto vexame, sempre respondi que não se podia ligar. Não se devia ligar. Fazer de conta de que nada daquilo era importante. Porque, de facto, nada daquilo é importante. Há eleitores para todos os gostos. Se por um lado há quem aprecie esse estilo, também há o outro lado (que também vota) e que em nada se revê em graçolas de almanaque.

Em boa verdade, a mim agrada-me ver uma mulher num combate político. Admiro-lhe a resistência e a convicção. Vejo-a ajeitar o colar, o cabelo, concentrada ou sorridente (ela ri-se, imaginem…). Uma mulher valente e uma senhora corajosa. Não é outra senhora, é esta senhora e chama-se Manuela Ferreira Leite.

O importante é o que nos traz aqui a todos nós, em liberdade, sempre unidos no caminho da verdade,



Comentar
publicado por Carlos Botelho em 24 Set 2009, às 21:00

Quem é?...



Comentar
publicado por Tiago Moreira Ramalho em 24 Set 2009, às 20:51 | jamés (5)

Ponto prévio: é óbvio que há pessoas que não querem a avaliação. Tirando algumas que defendem essa posição por uma questão de princípio (por defenderem que o exercício de cargos públicos, por definição, não deve ser avaliado – incluindo aqui os deputados, os juízes, os médicos e os próprios membros do governo), estas são as pessoas que justificam a necessidade de uma avaliação séria. Para mim, confesso, a melhor avaliação seria a feita pelo mercado. À falta dessa, tem de se instituir a menos má.
No caso desta avaliação, há um «pecado original» que, mais simplex menos simplex, não foi resolvido: os professores avaliadores (os chamados titulares) foram nomeados com base numa série de critérios (nomeadamente idade e créditos obtidos através do exercício de cargos como direcções de turma, assentos nos órgãos de gestão das escolas, etc.), ficando a faltar o mais importante: a qualidade da leccionação e os seus conhecimentos técnico-científicos. É verdade, caro leitor: em Portugal os professores avaliadores das performances dos seus colegas não viram as suas próprias performances avaliadas. Isto é, um péssimo professor (no sentido «normal» do termo: professor que ensina mal, cujos alunos não apreendem matéria importante) pode estar capacitado para avaliar outros. Curioso, não é. Mas aguardem, que isto é apenas uma das pérolas dos grandes avanços reformistas na Educação.
 



Comentar
publicado por Rodrigo Adão da Fonseca em 24 Set 2009, às 20:25 | jamés (4)

Foi com prazer que participei, com alguns companheiros aqui do Jamais, no debate promovido na FDL. Acho que mostrámos, em conjunto com o SIMplex, que independentemente das divergências - que são muitas, não só entre os dois blogues, mas dentro de cada um dos partidos e da assistência (em cada português, em cada um de nós, há um treinador de bancada) - o debate político pode ser interessante, descontraído e divertido. A política não tem de ser nem uma coisa necessariamente chata, nem deprimente.

 

No final, quando as coisas correm assim, todos acabamos por ser vencedores.



Comentar
publicado por Nuno Gouveia em 24 Set 2009, às 20:13

José Lello e António Braga acusados de negociar cargos em troca de financiamento partidário  

O dirigente do PS José Lello, e o secretário de Estado das Comunidades, António Braga, são acusados de negociar cargos em troca de financiamento partidário com o empresário Licínio Santos envolvido na Máfia dos Bingos, adiantou hoje a TSF. A acusação partiu de Aníbal Araújo, outro membro do PS que foi cabeça-de-lista pelo círculo de Fora da Europa, nas legislativas de 2005.

 

Como sempre em Portugal, e especialmente quando envolve elementos do Partido Socialista, este tipo de histórias nunca são esclarecidas. Hoje o antigo cabeça de lista do PS do círculo Fora da Europa em 2005 veio confirmar esta negociata que envolve Jose Lello, um dos conselheiros mais próximos de José Sócrates. Nada disto é surpreendente em José Lello, e como disse Ana Gomes, ele “evidencia hoje total descontracção” na “gestão contabilística criativa de campanhas eleitorais off-shore”. Quem sou eu para dizer o contrário? 



Comentar
publicado por Tiago Moreira Ramalho em 24 Set 2009, às 19:44

Hoje, no debate com o Simplex (e não só…), o João Galamba acusou a «direita» de ter sido extremamente irresponsável na questão da Educação. Nosso senhor, que a Ferreira Leite andou de braço dado com o Louçã depois de ter defendido as reformas.
Sobre a incongruência no discurso de Ferreira Leite, não há muito a dizer: é o que é. Não há ninguém que não mude posições e se é por oportunismo ou não, só ela sabe. A verdade é que antes estava errada e agora está certa.
Claro que eu perguntei ao João onde é que havia irresponsabilidade. O João prontamente respondeu que tinha sido mais que óbvio que, nas manifestações, não se estava a contestar «esta» avaliação, mas sim «a» avaliação. Suponho que tenham feito uma sondagem assim tipo Marktest (daquelas com 37% de indecisos) para chegar a esta conclusão. Defendeu ainda, o João Galamba (e estou a repetir o nome muitas vezes porque acho importante que sejamos conservadores nas nossas prioridades), que a prova de que se é contra «a» avaliação é que todos continuaram contra depois de ela ter sido alterada. Muito alterada, disse ele (raio de pronome).
Todo este intróito serve para explicar os posts que se vão seguir e que vão tentar expor (eles, não eu), o porquê de todos continuarem descontentes. É que por muito mais «simplex» que a avaliação esteja, os problemas de fundo (a que o João Galamba chamou «questões de pormenor») continuaram. Vamos lá então…
 



Comentar
publicado por Maria João Marques em 24 Set 2009, às 19:42 | jamés (4)

E falhou em tudo. Na Saúde continuam centenas de milhar sem médico de família, o tempo médio de espera para consultas aumentou, vimos a saída em grandes números de médicos do SNS para os privados. Na Educação nem vale a pena descrever o folclore que foi a governação socialista, com uma permanente hostilização dos professores, com um modelo de avaliação mal feito, com testes de dificuldade reduzida para melhorar as notas e as estatísticas dos nossos alunos, com alunos a passarem de ano com negativas a quase todas as disciplinas, com a extinção da autoridade dos professores, com... Na Economia tivemos um ministro histriónico que inventou campanhas como as do Allgarve, a da West Coast da Europa (que seria Portugal), a de desportistas do atletismo desconhecidos no exterior para promoverem no estrangeiro as PMEs portuguesas, juntamente com ajudas (a.k.a. distribuição de dinheiro dos contribuintes) a empresas amigas e respeitosas. Nas Obras Públicas calhou-nos na sorte o ministro Jamé (muito querido neste blogue) que insistiu até ao insustentável na construção de um aeroporto que custaria 3 mil milhões de euros (fora derrapagens), convenientemente a opção mais cara, e que não poderia ser ampliado quando o tráfego o justificasse. Nas Finanças, supostamente um sucesso deste governo que já toda a gente percebeu ser um logro, não houve consolidação orçamental, mas apenas aumento de impostos que aumentassem as receitas e cobrissem a despesa pública crescente do governo. O plano tecnológico esgotou-se na entrega dos brinquedos (com software pleno de erros) Magalhães aos alunos. O desemprego já estava a aumentar antes da crise económica internacional. O número de empresas falidas cresceu. As empresas exportadoras conseguiram continuar a exportar devido a esmagamento das margens comerciais e não por aumentos de produtividade, contudo perderam quota de mercado no mercado externo. O controle do Estado sobre a nossa vida corrente aumentou: as nossas informações estão reunidas num único cartão, os automóveis têm chips, as polícias e os serviços de informação são mais dependentes dos governantes. Houve perseguições a funcionários públicos que proferiram piadas sobre o PM e polícias a visitarem sindicatos. A relação com a imprensa é o que se sabe.

 

É tudo isto que vai a votos no próximo Domingo. Ou se gostou e se pretende que continue ou não se gostou e então deve-se votar no único partido que pode dispensar José Sócrates do cargo de Primeiro-Ministro - o PSD.



Comentar


Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
Vídeo da Semana
autores
posts recentes

Valeu a pena dizer "Jamai...

...

A luta continua.

Até amanhã camaradas

Post final

O novo PSD

"Obrigado Manuela", segui...

Saudações democráticas

Parabéns ao PS

No dia 27, vamos todos vo...

últ. comentários
O Sôtor Elisio Maia fala assim porque depende do a...
ótimo blog, parabéns...
Realmente é o pais considerado como o pais do truq...
Conversa de urinol ..... caro boy PS!!!
Caro amigo anónimo, de facto encontro alguma razão...
meu caro amigo, não duvido das suas competências.....
está completamente certa. Mais... o 12º é pior, po...
nao faz a minima ideia de como existem formandos a...
Esta afirmação de Platão devia estar melhor docume...
Escandalizam-me reflexões como as do artigo da Sra...
mais comentados
links
arquivos

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

subscrever feeds