Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009
publicado por André Abrantes Amaral em 21 Ago 2009, às 11:06

O Hugo Mendes respondeu em dois, ao meu ‘post’. Vamos por partes.

 

Primeiro ‘post, primeiro parágrafo. Apenas quem entenda a sociedade dirigida de forma central, pode compreender o conceito de justiça social que o Hugo refere. Pois que essa justiça é uma concepção positiva da mesma e, por assim ser, deriva de direitos que a sociedade (entendida e dirigida centralmente) atribui aos cidadãos. Já a justiça a que o Hugo alude no final do primeiro parágrafo é outra. Ela cai na esfera individual. No domínio individual que cada um (pessoa singular ou colectiva) tem por natureza e, como tal, deve ser protegido ou, de preferência, não deve ser atacada por ninguém, muito menos pelo Estado.

 

Primeiro ‘post’, segundo parágrafo. Ficaria muito satisfeito por saber que uma empresa norte-americana (ou inglesa, ou japonesa, ou francesa, ou alemã) estivesse a ser financiada pelo respectivo governo. Seria sinal que, parte do custo dos produtos que eu compraria provenientes dessa empresa, eram subsidiados pelos contribuintes norte-americanos (ou ingleses, ou japoneses, ou franceses, ou alemães), mas não por mim. Dito de outra forma: Estaria a comprar mais barato, ficaria com mais dinheiro no bolso, e sempre à custa da boa vontade forçada dos outros que não eu, que não nós. Na verdade, o estado estrangeiro não estaria a subsidiar essa empresa, mas o meu bolso, o nosso bolso, o que, diga-se de passagem, não me parece mau.

 

Segundo ‘post’, primeiro parágrafo. O Hugo, com o que escreve, acredita mesmo na inata predisposição dos governantes para a omnipotência. Eu, graças a Deus, não. E essa diferença, suficientemente forte e devidamente entendida, é motivo evidente para acreditarmos que existem alternativas políticas.  

 

Segundo ‘post’, segundo parágrafo. Desconheço se as empresas preferem não exportar. Ou se preferem apenas exportar. Por que razão, o meu escritório não tem 10 funcionários? O que pretendo dizer é que a dificuldade não justifica a intervenção estatal, precisamente porque as dificuldades já derivam e pressupõem essa mesma intervenção estatal. De boas intenções está o inferno cheio. Volto assim ao mesmo ponto. À mesma pergunta: Por que motivo vamos cobrar impostos para financiarmos empresas quando a redução desses mesmos impostos já seria ajuda suficiente?

 

Por muitas voltas que o Hugo dê ao argumento, deparo-me sempre com as mesmas respostas: poder político; influência política; decisores políticos; argumentos políticos. Nada mais que isto: Política. 

 


1 comentário:
De Hugo Mendes a 21 de Agosto de 2009 às 12:19
André,

Os 4 pontos:

1) Essa distinção é artificial e a-histórica, porque ignora ass assimetrias de poder num dado momento - e por isso as oportunidades objectivas de sucesso -entre os indivíduos e/ou empresas. Mas não respondeste à questão da justiça no comércio internacional.

2) Essa resposta é muito interessante: ficas radiante como consumidor; mas duvido que ficasses se a tua vida dependesse das empresas desse país que são incapazes de concorrer porque as tais outras empresas foram apoiadas pelos outros Estados. E também não ficas como contente como comentador, porque se as empresas do teu pais falirem - apesar de o teu poder de compra valer como nunca - serás o primeiro a denunciar a incapacidade das empresas do teu pais para concorrer.

3) Deus? Omnisciente? Estou a falar de uma falha de mercado, André, não percebes que a arrogância e a única posição que se aproxima da religiosa é a tua posição que assume que o mercado nunca falha? Como o Estado falha. Bem-vindo à economia real!: o Estado falha e o mercado falha, cada um em situações em contextos diferentes. Ao contrário do que tu e outros escrevem, o que defendo não se baseia em nenhuma adesão a-crítica a uma ideologia "socialista" ou outra. Sou pragmático e experimentalista: as políticas que são boas, adoptam-se; as que são más, abandonam-se.

4) "Desconheço se as empresas preferem não exportar". Pois, um conhecimento do que se passa na economia real e dos constrangimentos existentes não era mau.
"Por que motivo vamos cobrar impostos para financiarmos empresas quando a redução desses mesmos impostos já seria ajuda suficiente?"
Partes do principio que seria suficiente. E partes porque raciocinas a priori (já agora, ninguém falou num aumento de impostos efectivo; se baixar os impostos às empresas exportadoras como forma de incentivo já concordas? mas olha, é uma especie de proteccionismo velado)

cumps
Hugo


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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