Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009
publicado por Rodrigo Adão da Fonseca em 24 Ago 2009, às 10:00

O Partido Socialista e os seus apoiantes esforçam-se nos últimos dias por lançarem a terreiro inúmeras estatísticas e gráficos onde nos provam, não apenas o sucesso da sua governação no crescimento, no emprego, na redução das desigualdades, como a "desgraça" que seria uma vitória eleitoral do PSD.

 

Alguém em tempos dizia que "a estatística é a arte de torturar os números até que eles digam o que você quer".

 

Depois de um falhado programa eleitoral, em 2005, onde se prometia em quatro anos o Céu e a Terra, e do fracasso de uma governação que se apresenta a eleições com um défice recorde, fruto de uma errada consolidação pelo lado da receita, um crescimento nunca visto da dívida pública, com a maior taxa de desemprego de sempre, quase a tocar nos dois dígitos (e que só não é maior em virtude do regresso da emigração em massa, em especial no Norte do país), com o peso do Estado a crescer na sua relação com o PIB, com um tecido industrial e empresarial em desagregação acelerada que empurra os mais novos para o estrangeiro, só mesmo alguns "magos da estatística" para nos mostrarem como estamos no bom caminho, lançando loas a sí próprios e ao seu Grande Líder.


1 comentário:
De NP a 24 de Agosto de 2009 às 15:39
Mais um episódio na saga de Rodrigo Adão da Fonseca.

Primeiro recusa a estatística, mas depois recorre a uma série de indicadores de origem estatística para fundamentar a sua argumentação.

Mas não se fica por aí.

Refere o elevado défice, até aí tudo bem, mas atribui a culpa do défice a uma "errada consolidação pelo lado da receita" e a um "crescimento nunca visto da dívida pública".

Nada mais errado. É que aqui não há "politiquice" ou "partidarice" que lhe valha. São factos comprováveis e não há volta a dar-lhe.

Todos os que o quiseram ver, constataram que o esforço de consolidação da despesa pública deu resultados, com uma redução do défice ao nível mais baixo da democracia portuguesa (isto também é factual: por muito desagrado que cause ao Rodrigo, as contas públicas foram consolidadas). Não sei se o Rodrigo conhece, ou se apenas habilmente se faz de esquecido, mas até houve um senhor chamado Paulo Macedo que fez um belo trabalho a este nível.

Mas depois surgiu uma crise internacional: o tal "abalozinho" de que Manuela Ferreira Leite falou em tempos e de que o próprio Rodrigo fala (ou acha que os emigrantes estão a regressar a Portugal por causa das promoções do Lidl?).

Este "abalozinho" teve repercussões, como é normal, na vida das empresas e das famílias, e em vários países europeus ditou o encerramento de inúmeras empresas, numa dimensão muito superior ao que ocorreu em Portugal (aos trabalhadores dessas empresas, em muitos casos famílias inteiras que ficaram sem qualquer meio de subsistência, é que eu gostaria de ver Ferreira Leite dizer que é só um abalozinho!...).

Ora, este "abalozinho", como julgo que é óbvio para todos, obriga a uma intervenção do Estado, sendo inevitável que a despesa pública suba (a menos que o Rodrigo tenha alguma fonte de onde saia dinheiro, a que as empresas possam recorrer).

Mas, voltando ao seu post, o Rodrigo refere ainda que o desemprego está em crescimento. Pois... Isto aqui não é preciso ser nenhum guru em economia. Quando a actividade económica se encontra em recessão, os índices de desemprego acompanham sempre essa evolução com algum atraso.

Isto significa que o desemprego actual, bem como a sua manutenção ou mesmo crescimento nos próximos meses, é algo dramático mas expectável por qualquer pessoa que perceba minimamente de economia.

Só os tolinhos é que acharam que a um abrandamento da economia não corresponderia um aumento, a prazo, dos indicadores de desemprego. Se o Rodrigo tiver andado atento, quando se começou a falar do agravamento deste "abalozinho" (e, para poder opinar sobre ela, presumo que tenha estado atento), terá ouvido dizer várias vezes que seria difícil manter os níveis de emprego e que esse seria um problema muito sério. Entre outras coisas, disse-se frequentemente que o "segredo" para atravessar esta crise residia em conseguir manter o emprego.

E, como tal, mesmo havendo recuperação económica, seja ela mais ou menos intensa, a recuperação dos níveis de emprego ocorrerá, igualmente, com algum atraso.

Também fala do crescimento do peso do Estado no PIB... Não sei se é necessário comentar, mas remeto para o parágrafo onde explico o porquê do crescimento da despesa pública, sendo que qualquer pessoa sabe que isso ocorre sempre em alturas de "abalozinhos".

Por fim, fala numa "desagregação" das empresas que eu, confesso, não percebi e agradecia que explicasse melhor, até porque, pelos vistos, "empurra os mais novos para o estrangeiro" (ao mesmo tempo que se verifica um "regresso da emigração em massa").

Enfim...

Mais uma pérola de post.


Comentar post


Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
Vídeo da Semana
autores
posts recentes

Valeu a pena dizer "Jamai...

...

A luta continua.

Até amanhã camaradas

Post final

O novo PSD

"Obrigado Manuela", segui...

Saudações democráticas

Parabéns ao PS

No dia 27, vamos todos vo...

últ. comentários
O Sôtor Elisio Maia fala assim porque depende do a...
ótimo blog, parabéns...
Realmente é o pais considerado como o pais do truq...
Conversa de urinol ..... caro boy PS!!!
Caro amigo anónimo, de facto encontro alguma razão...
meu caro amigo, não duvido das suas competências.....
está completamente certa. Mais... o 12º é pior, po...
nao faz a minima ideia de como existem formandos a...
Esta afirmação de Platão devia estar melhor docume...
Escandalizam-me reflexões como as do artigo da Sra...
mais comentados
links
arquivos

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

subscrever feeds