Terça-feira, 25 de Agosto de 2009
publicado por Pedro Picoito em 25 Ago 2009, às 00:19

Pelo Público, fico a saber que o líder do PS-Madeira, João Carlos Gouveia, acusou Alberto João Jardim de "vontade totalitária" e "fascismo social". O PS, mais uma vez, insiste em colar o PSD ao fascismo, agora apondo-lhe o adjectivo "social". O que não quer dizer nada, mas soa sempre bem aos ouvidos mais dados à simplexidade.

É surpreendente, porém, que os socialistas ainda usem este espantalho. Ou talvez não. Furet mostrou há muito que o antifascismo foi a grande fonte de legitimidade da esquerda europeia no pós-guerra. Seis décadas e meia depois da derrota de Hitler e Mussolini, trinta e quatro anos depois do 25 de Abril, o partido do Eng. Sócrates continua a viver no passado. Por muito progressista que queira parecer, com "novas oportunidades" e "choque tecnológico", a longa sombra do Prof. Salazar é o que vai na alma dos fiéis. Avançar Portugal? Para onde? Para o reviralho?

A dependência de tal estribilho acaba por ser tão forte que o repetem mesmo quando dá maus resultados. Aconteceu na campanha contra Santana Lopes à Câmara de Lisboa, aconteceu contra Cavaco nas presidenciais. Santana ganhou, Cavaco também. Nem assim o PS aprendeu. Por uma razão simples: a mitologia do antifascismo é hoje um dos poucos símbolos da sua identidade de esquerda. Foi-se a utopia da sociedade sem classes, ficou a demagogia do monopólio da liberdade. 

Mas esta retórica tem um risco: banalizar a acusação. Chamar todos os dias fascista ao adversário desvaloriza o fascismo e, portanto, retira-lhe peso como arma de arremesso. Dizia o grande Marc Bloch que as palavras são como as moedas - à força de muito uso, perdem o relevo original. Eis porque Santana e Cavaco venceram. Note-se que o PSD cometeu o mesmo erro quando Aguiar Branco, em comício no Pontal, acusou o PS de ter uma "visão sovietizada da sociedade". A frase foi certamente fruto do entusiasmo. Se viesse de um socialista, seria fruto do hábito.  



Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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