Domingo, 26 de Julho de 2009
publicado por Tiago Moreira Ramalho em 26 Jul 2009, às 18:45

Uma jornalista perguntou a Almeida Santos, Presidente do Partido Socialista, se este considerava que Palma Inácio havia sido suficientemente reconhecido pelo país e pelo próprio Partido Socialista. Almeida Santos respondeu de forma algo perturbadora: «O Partido Socialista esteve sempre disponível para o compensar e o recompensar da forma que ele quisesse. Nunca quis nada. Ele no fundo foi vítima da sua própria modéstia. Nunca quis nada: nenhuma honraria, nenhum cargo, nenhuma nomeação». Temos aqui um perfeito exemplo disto que aqui escrevi e da necessidade de se mudar a lógica da utilização do Estado para «recompensar» pessoas.

Já agora, e sobre este assunto, recomendo o que escreve a Helena Matos.


8 comentários:
De Francisco Cavaco a 26 de Julho de 2009 às 20:53
VC deve ser um bocado distraído sabe quem foi Palma Inácio? um homem que lutou uma vida inteira contra a ditadura. No Portugal que dá pensões a Pides por serviços distintos deixa morrer a fome um lutador pela liberdade. Em VC nunca votarei Jamais


De Tiago Moreira Ramalho a 26 de Julho de 2009 às 21:36
Palma Inácio pode ter lutado imenso contra a ditadura. Mas não é isso que está aqui em questão. A questão é que um partido quis dar um lugar de Estado por nomeação a uma pessoa sem que fosse pela sua competência. Reconhecer o que Palma Inácio fez? Quem quiser que o faça. Agora oferecer-lhe um cargo público remunerado pelos impostos de todos é uma obscenidade.
Eu não lhes estou a pedir o voto, não me candidato a nada :)


De Stran a 26 de Julho de 2009 às 21:53
Tiago,

Tu é que estás a inferir que é no estado! Ou seja estás a partir de um pressuposto que pode não corresponder à verdade...


De Tiago Moreira Ramalho a 26 de Julho de 2009 às 21:58
Ó Stran, por favor:

«nenhuma honraria, nenhum cargo, nenhuma nomeação»

A honraria é dúbia, sim senhor. O cargo até poderia ser dentro do PS. Mas a nomeação dificilmente será fora da Administração Pública... Ou o Partido já nomeia pessoas para empresas e assim?


De Stran a 27 de Julho de 2009 às 16:55
Antes demais não sei como funciona a organização do PS, pelo que não sei se não existem cargos por nomeação. Assim de repente lembro-me que o PS está associado a fundações (logo poderia ser por isso).

Mas como sabes que a pessoa não tinha competências para um cargo de nomeação politica?


De PALAVROSSAVRVS REX a 26 de Julho de 2009 às 21:00
Um País com Padrinhos capazes de essa espécie de naturalidade obscena de um Almeida Santos só pode desconvergir, decair, desmoralizar-se e emurchecer. É a sociedade anti-meritocrática no seu mais abjecto desempenho esconso. Façamos uma pequena ideia de quanto os prebendados anti-Palma Inácio pesam nos OEs, ano após ano.

É escândalo para Guilhotina, cambada de negreiros do Povo Português, o grande enganado. Qual democracia qual carapuça?! Caro Tiago, há que abrir os olhos e fazer pressão por expelir do PSD os que tenham equivalentes genes.


De batista_oliveira a 26 de Julho de 2009 às 21:58
Este tema que vem debatendo, como diz, aplica-se a todos os governos que foram alternando. Como todos sabemos, só houve alternância entre PSD (coligado ou não) e PS (com outro tipo de alianças -excepto agora, com maioria absoluta socrática). Todos utilizaram a mesma estratégia de "jobs for the boys", de forma mais ou menos exuberante. A verdade é que sempre se basearam no vergonhoso princípio da "confiança política". Logo, todos os partidos são desconfiados, pois não acreditam na hombridade das pessoas competentes, preferindo seguir à linha o "Princípio de Peters" em que, quanto mais incompetente, melhor (dominam-se melhor os fracos e submissos). A "disciplina partidária", nas votações e decisões importantes, é também uma confirmação dessa conduta abjecta e desconfiada. Defendem os seus interesses e ideias (mesmo as más) num autêntico "corporativismo partidário" doentio e eivado de maniqueísmo político. Não se aproveitam os mais competentes para a governação e gestão de empresas públicas, independentemente das suas ideologias, nem se aproveitam as ideias dos mais doutos e conhecedores dos variados temas e políticas.
Governa o PSD e trata de mostrar obra, desfazendo tudo o que o seu adversário político aprovou, mesmo o que era bom. Governa o PS e cai no mesmo erro! Mais despesas para um País miserável, mais indemnizações para quem é substituido. O País torna-se, sob o olhar atónito dos eleitores, um autêntico ió-ió nas mãos dos governantes. Do povo, ninguém lucra, pois o erário público é delapidado de forma ostensiva e obcena. Os políticos e seus seguidores e amigos, lá vão enriquecendo descaradamente, ao abrigo de exageradas remunerações e subvenções, além de indemnizações e outros ilícitos que os tornam fulgurantemente ricos de forma inexplicável. Aliás este facto foi agora aprovado com a lei da não criminalização do enriquecimento ilícito, já que ganham (60% do produto roubado) o Governo (ALI-BÁBÁ) e os ladrões (40% do produto). Vale a pena roubar, pois a lei permite...desde que seja um GRANDE a fazê-lo, pois os ladrões de rua são julgados, rapidamente, e pagam nas cadeias a miséria que roubaram, muitas vezes para matar a sua fome e a dos seus.
Conclusão, não vale a pena lutar contra os moinhos de vento, qual D. Quixote, pois o PODER é imensurável e quem lá coloca os eleitos limita-se a beijar a extremidade distal do pedesta em que os colocou, e vai apanhando umas calcadelas e pontapés.
São todos iguais, elegendo-se primariamente uns aos outros, sempre os mesmos em rotação aleatória (vejam os nomes das listas para as legislativas...onde mora a renovação?), autoproclamando-se os verdadeiros defensores dos direitos do povo! Que direitos?!...
Após 35 anos, governados quase sempre pelos mesmos, continuamos na cauda da Europa, com uma seita de políticos e gestores (todos em ignominiosa autogestão) que urge expurgar, mas, sinceramente, não vejo como. Eles continuarão a autonomear-se, a governar-se e a delapidar este já miserável recanto duma lusofonia a mergulhar em afonia.


De batista_oliveira a 26 de Julho de 2009 às 22:30
Só pretendia corrigir duas "gralhas" na escrita: como se depreende será "obsceno" e não "obceno"; da mesma forma será "pedestal" em vez de "pedesta". As minhas desculpas pelas incorrecções


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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