Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009
publicado por Nuno Gouveia em 26 Ago 2009, às 00:31

Portugal tem falta de médicos. Pelo menos é isso que depreendo da vinda de médicos cubanos para Portugal. Dos 60 que vieram para Portugal, 16 chumbaram nos testes, o que também diz alguma coisa da sua qualidade. Lamento que Portugal tenha de recorrer a médicos estrangeiros, ainda por cima de um regime ditatorial, quando centenas de jovens portugueses são obrigados todos os anos a estudar no estrangeiro.

 

A solução para este problema passa por: aumentar as vagas nas faculdades públicas (se possível) e permitir o ensino da medicina em estabelecimentos privados que preencham os requisitos de qualidade exigidos pela tutela. Não se percebe qual a razão para impedir projectos de qualidade  apenas por serem privados. Será que o Ministério do Ensino Superior considera que os privados apenas têm qualidade para formarem profissionais noutras áreas do conhecimento? Ou haverá algo por trás desta recusa?

 

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5 comentários:
De FD a 26 de Agosto de 2009 às 00:54
Duas medidas simples...

Primeiro era preciso acabar com esta bitola da media de entrada. Esta, estando ridiculamente alta, deixa para trás centenas de futuros médicos, que ou escolhem outro curso, ou frequentam outros ate entrar em medicina ou como em muitos casos, tentam outros países.
Isto para não falar de que da forma actual se crie diariamente uma elite snob distante da realidade portuguesa.

Segundo, pegava-se num lote de candidatos e fazia-se uma bateria de testes psicotécnicos.
Com tantos psicólogos no desemprego era uma boa forma de lhes dar trabalho, filtrando assim os capazes de um trabalho mais de campo e os que deveriam enveredar pela vertente mais cientifica/ensino.
Não quero acreditar que para se ser bom medico só seja necessário ter boas notas no secundário (!!!), sobretudo quando grande parte do seu trabalho e' com directo contacto com pessoas.

Podia-me alongar, mas penso que a ideia base está explicada.


De João Afonso Azevedo a 26 de Agosto de 2009 às 01:38
Permitam-me, mais uma vez, tecer algumas correcções às afirmações aqui presentes. Em primeiro lugar, acho que estamos perante uma retórica perigosa, do ponto de vista democrático: penso ser tendencioso afirmar que, por 16 pessoas chumbarem nos testes efectuados pelas universidades portuguesas, possamos deduzir a qualidade da classe médica cubana. Há que lembrar que falamos de um dos melhores sistemas de saúde do mundo - ideologias à parte.
Em segundo lugar, concordando que se deveriam aumentar o número de vagas das licenciaturas em medicina - para evitar a "imigração" dos aspirantes a médicos, saliento que a aposta na privatização pode ser positiva mas apenas sob uma forte condicionante: terá que ser um serviço prestado pela empresa ao estado, de forma gratuita, como um imposto. Não me parece justo que o esse saber seja um encargo financeiro para os contribuintes.


De Miguel Reis Cunha a 26 de Agosto de 2009 às 05:51
Nuno,
Acho que há aqui um lobby muito forte feito pela Ordem dos Médicos que considera que a profissão deve continuar a pertencer apenas a uma elite. O Bastonário argumenta que, atenta a natureza altamente especializada do curso de medicina, os futuros cursos (públicos ou privados) não garantem os requisitos de qualidade que seriam exigíveis.
Penso que o futuro governo deveria ter a coragem política para conseguir ultrapassar este obstáculo através de uma legislação que sem ser elitista, promova em simultâneo o aumento do número dos cursos e a sua qualidade.


De Carlos Duarte a 26 de Agosto de 2009 às 08:03
Caro Nuno Gouveia,

O problema do ensino de Medicina não se prende com o número de vagas nos cursos de Medicina, mas antes com a capacidade dos Hospitais Universitários para ministrarem a necessária prática aos formandos em Medicina.

Já considero um erro terem aberto Medicina na Covilhã, que obriga os alunos a "passearem" pelo país para terem acesso a práticas em especialidade. Menos grave, mas de forma idêntica, acontece em Braga (que suponho que será corrigido com o novo Hospital). A ideia peregrina do novo curso de medicina em Faro é OUTRO exemplo...

O nosso país é pequeno e centralizado, como todos sabem. O Porto tem dois cursos de Medicina, Lisboa e Coimbra um cada. Suponho que Lisboa teria capacidade para mais um ou possivelmente dois. O Porto, TALVEZ tivesse capacidade para mais uma centrado no Pedro Hispano em Matosinhos, mas não sei o suficiente para o afirmar.

Quanto às privadas, tenho algumas dúvidas. Primeiro, porque acharia sempre estranho uma parceria entre uma Universidade privada e um Hospital (central) público. Segundo, porque tenho bastantes dúvidas em relação à sua competência pedagógica para ensinar cursos técnicos (mesmo arquitectura, que é mais arte que técnica, não me inspira uma confiança por aí além).


De Maria Neves a 26 de Agosto de 2009 às 10:43
Já se previa que a falta de médicos iria acontecer... Podemos agradecer a sucessivos Governos PSD e PS por terem cedido ao lobby "Ordem dos Médicos", não permitindo a abertura de mais Faculdades de Medicina. Um dos argumentos era que muita quantidade baixa a qualidade... Outro era que não tinham professores ... Só neste país é que os professores têm que necessariamente serem médicos em todas as disciplinas. No estrangeiro, muitos professores são bioquímicos, biofísicos e evidentemente nas "clínicas " são médicos. Mais uma vez o lobby a funcionar. Os médicos não querem concorrência... Actualmente é mais barato uma consulta privada em Paris do que em Lisboa. Isto é mais um exemplo da classe política com grande capacidade de visão e que defende o interesse público. Um excesso de médicos nunca provocaria qualquer problema, e até seria uma acção humanitária, pois bem preciso são em paises africanos de expressão portuguesa. Agora temos imensos jovens licenciados em bioquimica , biologia, química , engenharia biomédica, etc., que não entraram em Medicina e eram óptimos alunos.


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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