Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009
publicado por João Villalobos em 26 Ago 2009, às 10:50

O título desta crónica foi a assinatura dos ‘outdoors’ que, por altura do balanço de dois anos de Governo Sócrates, quando Marques Mendes liderava o PSD, foram colocados pelo País.

A campanha apresentava o contraponto dos factos face às promessas eleitoralistas do PS. Se já então muita gente deixara de acreditar, também muitos outros esperavam ainda do Governo que cumprisse, nos anos que se seguiriam, aquilo que tinha prometido.

Era isso que transparecia nos participantes de ‘focus groups' com tendência de voto à esquerda. Um desânimo compensado por alguma esperança, temperada por um cepticismo pragmático.

Hoje, prestes a chegar ao final do seu período de vida especialmente longa, é evidente que este Governo não teve rival na confusão que estabeleceu entre forma e substância, entre o que disse e o que fez ou não fez.

Do ponto de vista comunicacional, o contraste entre a linguagem de Sócrates e do PS por um lado e de Manuela Ferreira Leite por outro não podia ser mais evidente. E é por isso que a já famosa última pergunta de Judite de Sousa na mais recente entrevista à líder do PSD foi, para além de "gira" como a classificou a entrevistadora, muito importante. Ao questionar a líder sobre se já sofrera pressões para mudar a sua essência, a sua substância, Ferreira Leite respondeu que sim, tinham existido, mas as recusara sempre.

Longe de ser um detalhe, esta afirmação reforça a coerência de todo um ‘what you see is what you get' em que tem assentado a abordagem comunicacional do PSD. Olhemos para o Sócrates ministro do Ambiente e o Sócrates chefe do Governo. Tão distantes um do outro, quando o primeiro ainda estava longe de vestir o uniforme dos fatos Armani, sapatos Prada e gravata lisa. Longe de ser o centro de toda a máquina cénica e parafernália técnica, que hoje o acompanha para onde quer que vá. No entanto, terá Sócrates modificado a sua essência? Algúem acredita nisso?
Critica-se Ferreira Leite por alguma dificuldade na comunicação verbal. Prefere-se, então, um perito na oratória cujos olhos permanentemente desmentem aquilo que efectivamente diz? Em quem devem os portugueses acreditar? No actor que se esvazia de acordo com cada personagem, ou na autora do seu próprio guião, o qual corresponde àquilo em que ela acredita e ela mesma verdadeiramente é?

Na altura da campanha que mencionei, muitos portugueses recusavam-se a encarar a realidade que os rodeava, por receio da sua crueza. Hoje conhecem já os efeitos perniciosos dessa negação. Nestas eleições, devem escolher entre quem já não acreditam e quem os faz de novo acreditar. Entre a forma e a substância.

 

Texto publicado hoje no Diário Económico.Enganaram-se no meu apelido mas já estou habituado.

 

 

 

 


2 comentários:
De João Passos a 26 de Agosto de 2009 às 23:20
Essa "alguma dificuldade na comunicação verbal" passará com o treino. Ao fim de algum tempo, ninguém notará a diferença.
Nas acções, hoje já começou a esbater-se a diferença, ao escolher candidatos suspeitos, como Preto e Helena, e candidatos que declaram o seu apoio ao PS, Com Mª José N. Pinto e Moita Flores.


De Francisco Castelo Branco a 26 de Agosto de 2009 às 23:51
Eu acredito...

Nos dias que correm a comunicação nem sempre é importante.
Veja-se o caso de Angela Merkel. Que não é propriamente a Gisele Bunchen e os Alemães adoram-na.
Nem me parece que seja boa a comunicar.

os portugueses querem alguém que fale verdade e diga simplesmente os problemas reais do país.
Para isso MFL é excelente.
mas na minha opinião, acho que ela tem um pouco falta de ambição e pouca visão para o país


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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