Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009
publicado por Paulo Cutileiro em 27 Ago 2009, às 11:25

Enquanto coordenador executivo do Fórum Portugal de Verdade, tive a oportunidade de, nos últimos meses, contactar com centenas de pessoas e de responsáveis por organizações ligadas aos mais diversos sectores de actividade.

Entre muitas e diferentes reflexões, propostas, críticas e análises, retive quatro questões comuns a grande parte dos contributos que recolhemos. E que passo, de forma muito breve, a elencar.
Os diagnósticos estão quase todos feitos. Não faltam estudos, relatórios, livros brancos. O que falta são decisões. Querem-se medidas e acções concretas e sérias, capazes de alcançarem impacto imediato e directo na vida das pessoas e das organizações. Muitas, a sua maioria, sem qualquer repercussão para as contas públicas. E exequíveis a curto prazo.
É, também, da maior importância definir, de uma vez por todas, o papel que o Estado deve assumir na economia. Parece consensual a ideia de que o Estado deve criar condições para a existência de um ambiente propício ao nascimento de empresas. É decisivo o fortalecimento das empresas já existentes, seja pela sua capitalização, seja pela valorização dos capitais de risco. Não faz qualquer sentido que, muitas vezes, o Estado apareça como concorrente de empresas e IPSS´s, quando o seu papel deverá ser de parceiro e de facilitador.
As pessoas e as organizações têm que ser envolvidas nos processos de decisão. Por mais penosos e complexos que eles sejam. As medidas e programas não podem ser concebidos e implementados ao arrepio dos seus destinatários e parceiros. Todos temos que ser parte activa nos processos de avaliação. Todos devemos ser parte da solução.
Em muitos domínios, o verdadeiro problema de Portugal é de organização e não de falta de recursos. Torna-se imperioso reconfigurar a estrutura do Estado e da própria administração pública. Acabar com duplicação de estruturas. Identificar quem é o verdadeiro interlocutor e actor. Proporcionar-se espaços de autonomia de decisão. Descentralizar-se. Valorizar a liberdade de escolha. Implementar uma cultura de responsabilidade. Exigir contrapartidas a quem recebe apoios sociais. Promover e dignificar o trabalho das instituições do sector solidário.
No essencial, são 4 questões que se relacionam com o modelo de desenvolvimento que pretendemos para o País. Em todo o caso, são questões que ganham, por estes dias, dimensão eleitoral e que estarão na mente de muitos que irão às urnas fazer opções.
No essencial, são quatro questões que Manuela Ferreira Leite, com a simplicidade genuína e desarmante que a caracteriza, já revelou aos portugueses que as compreendeu. E que se irá bater por elas.

 

Texto publicado hoje no Diário Económico 



Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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