Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009
publicado por Carlos Botelho em 28 Ago 2009, às 01:15

 

"Este Compromisso de Verdade, que aqui assumo pessoalmente em nome do PSD, distingue-se claramente dos habituais programas partidários.

Distingue-se, em primeiro lugar, porque de forma clara fazemos uma selecção de prioridades. O programa eleitoral do PSD não se apresenta como uma receita que pretende resolver todos os problemas do país ao mesmo tempo e que, indiscriminadamente, tudo promete a todos. Há que ter a coragem de definir as áreas de intervenção urgente e prioritária e de assumir que essas mobilizarão, à frente das restantes, os esforços de um Governo PSD. Assim, tomamos o compromisso de dar prioridade à economia, às questões sociais de solidariedade e saúde, à justiça, à educação e à segurança. Serão estes os cinco campos de intervenção urgente e preferencial de um Governo do PSD. Sabemos, por experiência, que os recursos são escassos e que não é possível fazer – fazer bem – tudo ao mesmo tempo. Sabemos, por conhecimento e em consciência, que a política é a arte da escolha e um exercício permanente de opção e selecção. Os projectos políticos também têm de ser julgados pela capacidade que têm de fazer opções e pelas opções que, substancialmente, fazem. Cabe agora aos portugueses julgar o mérito das opções feitas.

 

Distingue-se também este Programa, porque é sucinto e objectivo, não se refugiando em generalidades, prometendo tudo a todos. O ponto de honra – a verdadeira nota distintiva – é que todos os critérios definidos, todas as soluções propostas, todas as medidas avançadas são susceptíveis de ser executadas. Tudo o que é explicitado será rigorosamente cumprido. Por isso se trata, não de um programa feito por um conjunto de sábios, que já escreveram dezenas de programas de governo e que se limitaram ao “copy-paste” das versões anteriores, mas de um “Compromisso de Verdade”. Quem estiver à procura neste texto de “soluções mágicas”, “medidas-bandeira” ou “slogans de belo efeito”, vai procurar em vão. Um compromisso de verdade vive da consistência e da coerência interna, não do “panfletarismo fácil”. Com este compromisso, os portugueses sabem com o que podem contar. É um projecto cujo cumprimento e execução podem ser verificados página a página, parágrafo a parágrafo, linha a linha. Este programa deve ser julgado e apreciado também por isso: por esta fácil possibilidade de aferição e controlo externo.

 

(...) Não se trata, por isso, de um programa editado por um grupo de sábios, a pensar no marketing político, segundo o princípio da satisfação máxima da clientela eleitoral. Trata-se, pelo contrário, de um documento que, não só no seu conteúdo, mas também na sua elaboração, obedeceu a um escrupuloso respeito pelos cidadãos que seriam seus destinatários e pelo imperativo da verdade. Estamos convictos que, só por si, este Compromisso de Verdade contribui para restaurar os laços de lealdade e confiança com o eleitorado, com os cidadãos portugueses."

 

 

Manuela Ferreira Leite, no discurso de apresentação do programa eleitoral do PSD.


3 comentários:
De Zé dos Montes a 28 de Agosto de 2009 às 12:27
Como é que a politica de verdade se articula com o combate à corrupção?
Para quando leis que levem à prisão efectiva de quem participou em actos de corrupção ou actos de que resultaram prejuízo para o estado (p. ex. terminal de contentores de Alcântara)?
E para quando a obrigatoriedade de devolução dos valores obtidos por actos de corrupção (+ multa) e indemnização do estado quando estão em causa decisões em que este foi prejudicado (novamente o caso dos contentores)?
Quando venho aqui e vejo tanta gente a defender os pontos de vista do PSD, no simplex o mesmo se aplica relativamente ao PS, deve ser porque os cargos públicos são muito apetecíveis, bem remunerados e com pouco trabalho. Proponho pela lei da oferta e da procura (a lei do mercado, sempre tão utilizada para justificar a “moderação salarial”, vulgo baixar os salários, ou a subida dos bens essenciais), baixa dos salários dos titulares de cargos públicos de modo a ajustar a oferta e a procura.
A indexação dos salários dos titulares de cargos públicos ao salário mínimo nacional, com um tecto máximo evidentemente. Tinha duas vantagens, compensaria a produtividade dos políticos, melhor estava o país, melhor seria o salário mínimo e melhor o salário dos políticos; e talvez tivessem vergonha quando vêm referir que têm baixos salários. Dizer que o governador do banco de Portugal ganha 250.000 Euros por ano ou dizer que ganha 40 salários mínimos é o mesmo, mas soa diferente....


De Carlos Botelho a 28 de Agosto de 2009 às 13:23
Zé dos Montes,
não vejo em que é que o seu excitado "comentário" tenha que ver com o post.
Se é para isso, não me incomode mais, porque estou afanosamente ocupado a preparar-me para o meu "cargo público muito apetecível, bem remunerado e com pouco trabalho".


De Zé dos Montes a 28 de Agosto de 2009 às 14:59
O comentário (sem aspas) não é excitado, apenas revela a desilusão de não ver proposto qualquer medida contra a corrupção (ou contra as más práticas de que resultam avultados prejuízos para o estado) no programa do PSD. Concordei com a MFL e o Paulo Rangel, quando referiram antes das eleições para o parlamento europeu, que não fazia sentido na altura discutir esse assunto, mas não propor nada no programa de governo para a próximo legislatura? A crise também combate-se evitando que recursos importantes do país sejam desviados por processos menos claros.
Tenho pena que para me livrar do engenheiro da “liberdade respeitosa” e da “humildade democrática” tenha que votar no mal menor...
Para a maioria da população (da qual os políticos estão cada vez mais afastados) os cargos políticos são “...são muito apetecíveis, bem remunerados e com pouco trabalho...”. Talvez uns meses de salário mínimo, trabalho por turnos, horas a mais transferidas para o banco de horas (pagas sabe-se lá quando) não fizesse mal nenhum aos candidatos a deputados (de todos os partidos a começar no PCP e a acabar no CDS). Por algum motivo a abstenção tem crescido ao longo dos anos!


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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