Segunda-feira, 27 de Julho de 2009
publicado por Rodrigo Adão da Fonseca em 27 Jul 2009, às 12:38

1. O Bruno Reis coloca no mesmo plano, "analfabetismo" e "iliteracia", como se estas duas realidades, que são bastante diferentes, significassem a mesma coisa. Por outro lado, fala com grande respeito da iniciativa "Magalhães", uma das mais duvidosas decisões desta legislatura.

 

O governo optou por colocar centenas de milhares de computadores nas mãos das crianças, sem saber qual o impacto que este tipo de solução pode ter no normal desenvolvimento das suas capacidades e do seu crescimento. Eu, que nestas coisas desconfio sempre de soluções que são ao mesmo tempo fáceis e mundialmente inovadoras, perguntou-me: porque países como a Alemanha, o Reino Unido, ou os países nórdicos, limitam na educação das crianças até aos dez anos o uso dos computadores, optando por uma educação tradicional, assente no desenvolvimento das valências linguísticas, quantitativas, e de actividade física? Alguém mediu o risco de exposição aos computadores Magalhães de crianças dos seis aos nove anos? E porque será que na generalidade dos países desenvolvidos a opção educativa não passa por este "deslumbramento pela informática"?

 

2. Por outro lado, o Bruno Reis, se tivesse lido o meu texto com atenção, perceberia que a minha crítica não reside propriamente na informatização da administração pública em si, mas no facto de tal ser apresentado como um desígnio político nacional, como um driver estratégico para a promoção da competitividade, o que claramente, não é. Hoje, no mundo global, os meios informáticos são commodities, são um pressuposto, qualquer país os pode ter, desde que os compre, e praticamente todos o têm, tal já não é elemento de diferenciação. É nas literacias, nas competências, que reside a competitividade. Os computadores e os sistemas compram-se; a capacidade de as usar de uma forma economicamente rentável, não.

 

Perdoem-me, mas o deslumbramento pela informatização como bandeira política é um dos maiores indicadores da vacuidade em que caiu o PS...

 

"Deslumbro-me com a possibilidade de ter dados, que posso estudar. Deslumbro-me com o facto de esses dados me ajudarem a perceber onde estão os constrangimentos, as insuficiências, para as prevenir e melhorar. Deslumbro-me com a possibilidade de monitorizar procedimentos que menorizam o erro" (SLS, no SIMplex).

 

Nesta linha, constato que a Sofia Loureiro dos Santos reitera o seu deslumbramento pela informática, num texto que me recorda algumas ladainhas da Santa Madre Igreja. Assim seja, amém! Estou esclarecido...

 

3. Gostava, finalmente que o Bruno Reis me explicasse qual a incoerência de defender a livre concorrência sem que haja a intervenção dos organismos públicos, e o facto de alguém criticar o governador do Banco de Portugal por não ter cumprido a função para o qual está nomeado, exercendo os poderes que a lei lhe confere. Ou será que nos mercados regulados, como o bancário, o segurador, ou dos valores mobiliários, o cumprimento adequado da função de regulação não é uma condição necessária para a existência de uma concorrência saudável? 


4 comentários:
De A.Teixeira a 27 de Julho de 2009 às 21:29
Sinceramente, pelo conteúdo deste seu poste apetece mesmo colocar-lhe a pergunta que Blackadder costuma fazer ao Baldrick:

- Baldrick, do you know what irony is?

Neste seu caso, Rodrigo, não lhe ficou ao menos a sensação de, nas citações que empregou, algo lhe estar a passar “ao lado”?


De Rodrigo Adão da Fonseca a 28 de Julho de 2009 às 09:42
Caro A. Teixeira,

Boa tentativa, mas olhe que nos textos que cito vê-se a milhas que não há nenhuma tentativa de fazer ironia. São mesmo afirmações de Fé nas novas tecnologias, sem duplo sentido.

Mas reconheço que o seu esforço para tentar dar algum sentido aos posts que cito é criativo.

Ab.
RAF


De A.Teixeira a 28 de Julho de 2009 às 10:53
Bom, se se vê que não se trata de uma ironia a essa distância toda que disse e não se disponibilizando com certeza o Rodrigo a ir a um oftalmologista, fica a conversa, com muita pena minha, por aqui.

Um Ab. também para si
ATx


De Rodrigo Adão da Fonseca a 29 de Julho de 2009 às 09:43
Caro A. Teixeira,

O médico da medicina do trabalho que consultei recentemente, diz-me que eu tenho 100% de visão. Sem tirar nem por. Mas agradeço o conselho. Em qualquer caso, talvez no seu caso esteja a ver a mais, por apreço às pessoas que lê. Fica-lhe bem, mas chama-se a isso "wishful thinking".

Ab.
RAF


Comentar post


Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
Vídeo da Semana
autores
posts recentes

Valeu a pena dizer "Jamai...

...

A luta continua.

Até amanhã camaradas

Post final

O novo PSD

"Obrigado Manuela", segui...

Saudações democráticas

Parabéns ao PS

No dia 27, vamos todos vo...

últ. comentários
O Sôtor Elisio Maia fala assim porque depende do a...
ótimo blog, parabéns...
Realmente é o pais considerado como o pais do truq...
Conversa de urinol ..... caro boy PS!!!
Caro amigo anónimo, de facto encontro alguma razão...
meu caro amigo, não duvido das suas competências.....
está completamente certa. Mais... o 12º é pior, po...
nao faz a minima ideia de como existem formandos a...
Esta afirmação de Platão devia estar melhor docume...
Escandalizam-me reflexões como as do artigo da Sra...
mais comentados
links
arquivos

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

subscrever feeds