Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009
publicado por Rodrigo Adão da Fonseca em 02 Set 2009, às 09:05

O problema dos "socialistas optimistas" é que acreditam profundamente que o Estado tem algum papel na "inovação", arrastando o país nesta sua mitomania pouco consciente. Gente burocrática, avessa ao risco, que aposta em carreiras seguras e sem grande rasgo, como que por mágica, quando veste a pele do político, transfigura-se, tornando-se de repente num visionário, capaz de perceber o mundo a partir de um gabinete.

 

A realidade é, porém, diferente. Os processos de inovação são complexos, e implicam, sobretudo, disponibilidade, de pessoas e recursos, e uma certa propensão para o risco. Ocorre que o governo PS, a despeito da sua "paixão pela inovação", reduziu a liquidez das empresas, ao fazer crescer o peso do Estado na Economia até ao valor recorde, nunca antes atingido, de 50% do PIB. Onerou as empresas com impostos, para suportar um monstro que não teve coragem de encarar de frente. Há certamente algumas iniciativas positivas levadas a cabo pelo PS (v.g. as mini-hídricas, uma diplomacia razoável em alguns mercados emergentes com risco político) - ninguém consegue fazer tudo mal - só que do ponto de vista estratégico os socialistas laboram num enorme erro crasso: o investimento em inovação das empresas é incompatível com a "secagem" patrocinada com uma consolidação do défice pelo lado das receitas, ou por um clima de tirania fiscal que é marca deste ciclo de governação. Para inovar, não basta "paixão", é preciso carinho pelas empresas, tratá-las bem - e perceber alguma coisa da poda.

 

Empresas "esganadas" financeiramente lutam para sobreviver no dia-a-dia, não apostam na inovação, no futuro, na exploração de novos mercados para a exportação. Por isso, o programa do PSD ajuda as empresas a respirarem um pouco mais. Tudo o resto é newspeak: não há competitividade promovida em gabinetes burocráticos, nem a inovação fertiliza na cabeça de quem nunca investiu nada na vida, ou sequer trabalhou numa empresa.

 

 

Nota adicional: a redução de custos tanto pode permitir as empresas a competirem em função do preço, como a investirem na exploração de novos mercados, produtos ou processos de produção. É também muito "arrumadinha" a ideia de que uns apostam no preço, outros na competividade; esta dicotomia faz um post bem SIMplex, "limpinho"; só que os mercados globais não funcionam assim; exige-se qualidade ao melhor preço, poucos são, embora os haja, os produtos que sobrevivem sem obedecer a esta dupla facie. Na India e na China, como noutras economias emergentes, há já inúmeros focos de inovação, e empresas a produzirem bens de grande qualidade; a própria inovação, e a produção de bens e serviços, faz-se muitas vezes em redes espalhadas em vários pontos do globo; por outro lado, não se vê qual seja o problema de alguém optar por vender produtos de menor qualidade, desde que os venda, pague as contas, os salários, os seus impostos e descontos; quantas empresas se capitalizam assim, para evoluirem depois para outras gamas de produtos? Cabe agora ao Estado definir o que se produz ou não produz? Acham mesmo bem que isso aconteça? Peço desculpa por não sonhar com um país 100% high tech, falido, mas apenas com empresas de ponta.


3 comentários:
De António Pires a 2 de Setembro de 2009 às 15:11
Aproveito uma breve referência às mini-hídricas para falar de uma questão que me tem intrigado: porque é que se diz e volta a dizer, inclusivamente por pessoas do PSD, que este governo fez uma boa obra no domínio das energias renováveis?
Vejamos: as mini-hídricas representam uma fracção desprezável da produção e só as eólicas têm peso. O fotovoltaico poderá vir a ter mas é preciso dizer a que preço. Porém nada disso foi iniciado com este governo.
O que foi propagandeado pelo governo (o ministro Pinho mobilizou um navio da Armada para fazer propaganda) foi o aproveitamento da energia das ondas ao largo de Leixões (com tecnologia escocesa, aliás) e que deu em nada, apesar de o governo na altura dizer que estávamos na vanguarda do mundo inteiro (como é costume).
Porém, mais grave foi o anúncio feito pelo primeiro-ministro da entrega da concessão de quatro centrais hidroeléctricas na bacia do Tâmega, num total de 1135 MW de potência instalada, a uma empresa estrangeira, a Hiberdrola, gerida em Portugal pelo seu correlegionário Pina Moura. Ou seja, um recurso nacional, renovável, foi entregue a uma empresa espanhola para vir a ser gerido no âmbito do mercado ibérico segundo os interesses da Hiberdrola e alimentar os seus clientes (espanhóis, naturalmente). E o primeiro-ministro teve o descaramento de dizer que Portugal ficou menos dependente do exterior. Não, ficou é mais dependente ao alienar parte dos recursos nacionais.
A questão energética vai-se colocar de forma drástica dentro de muito poucos anos. Preservar os recursos nacionais é imperativo.


De Rodrigo Adão da Fonseca a 2 de Setembro de 2009 às 17:41
Caro António Pires,
As mini-hidricas têm a vantagem de permitir um aumento de produção num prazo reduzido de tempo. Admito que a capacidade instalada não seja famoso, mas estamos a falar de acréscimos marginais interessantes.
O fotovoltaico ainda está a dar os primeiros passos. No caso das eólicas, só o tempo permitirá fazer juízos mais consistentes. O pico do petróleo ajudou, vamos perceber com o tempo se há ou não pertinência nestes investimentos.


De António Pires a 2 de Setembro de 2009 às 18:10
Caro Adão da Fonseca
As mini-hídricas não têm qualquer relevância no sector eléctrico. Nem cada uma delas, nem a sua totalidade.
Quanto ao eólico, a potência total instalada excede largamente o milhar de MW. Porém, a potência instalada é uma coisa e aquilo que as centrais produzem é outra. O eólico tem, em particular, a característica de não ser regulável, ou seja, produz consoante a velocidade do vento. A potência posta em jogo com a rede varia entre valores muito afastados, no limite entre zero (situação de calma) e a potência nominal dos geradores. Daqui resulta a necessidade de dispor de outros grupos geradores para compensar essas variações de produção eólica. Os grupos adequados para esse efeito são grupos hídricos com albufeiras de regularização.
A produção eólica é interessante para os produtores porque o preço de venda é fixado administrativamente: toda a produção é vendida e com preço garantido. Porém, é preciso ter em conta o investimento em centrais hídricas de regularização que façam a compensação das variações de potência eólica. Com a subida do preço dos combustíveis fósseis, as centrais eólicas e as grandes hídricas passarão a ser competitivas e, sobretudo, utilizam recursos nacionais renováveis (desde que não os entreguem aos estrangeiros).
O futuro (já próximo) não é de abundãncia energética, mas sim de escassez. Os produtores não têm interesse em conquistar mercados, têm é interesse em assegurar meios de produção.


Comentar post


Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
Vídeo da Semana
autores
posts recentes

Valeu a pena dizer "Jamai...

...

A luta continua.

Até amanhã camaradas

Post final

O novo PSD

"Obrigado Manuela", segui...

Saudações democráticas

Parabéns ao PS

No dia 27, vamos todos vo...

últ. comentários
O Sôtor Elisio Maia fala assim porque depende do a...
ótimo blog, parabéns...
Realmente é o pais considerado como o pais do truq...
Conversa de urinol ..... caro boy PS!!!
Caro amigo anónimo, de facto encontro alguma razão...
meu caro amigo, não duvido das suas competências.....
está completamente certa. Mais... o 12º é pior, po...
nao faz a minima ideia de como existem formandos a...
Esta afirmação de Platão devia estar melhor docume...
Escandalizam-me reflexões como as do artigo da Sra...
mais comentados
links
arquivos

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

subscrever feeds