O problema dos "socialistas optimistas" é que acreditam profundamente que o Estado tem algum papel na "inovação", arrastando o país nesta sua mitomania pouco consciente. Gente burocrática, avessa ao risco, que aposta em carreiras seguras e sem grande rasgo, como que por mágica, quando veste a pele do político, transfigura-se, tornando-se de repente num visionário, capaz de perceber o mundo a partir de um gabinete.
A realidade é, porém, diferente. Os processos de inovação são complexos, e implicam, sobretudo, disponibilidade, de pessoas e recursos, e uma certa propensão para o risco. Ocorre que o governo PS, a despeito da sua "paixão pela inovação", reduziu a liquidez das empresas, ao fazer crescer o peso do Estado na Economia até ao valor recorde, nunca antes atingido, de 50% do PIB. Onerou as empresas com impostos, para suportar um monstro que não teve coragem de encarar de frente. Há certamente algumas iniciativas positivas levadas a cabo pelo PS (v.g. as mini-hídricas, uma diplomacia razoável em alguns mercados emergentes com risco político) - ninguém consegue fazer tudo mal - só que do ponto de vista estratégico os socialistas laboram num enorme erro crasso: o investimento em inovação das empresas é incompatível com a "secagem" patrocinada com uma consolidação do défice pelo lado das receitas, ou por um clima de tirania fiscal que é marca deste ciclo de governação. Para inovar, não basta "paixão", é preciso carinho pelas empresas, tratá-las bem - e perceber alguma coisa da poda.
Empresas "esganadas" financeiramente lutam para sobreviver no dia-a-dia, não apostam na inovação, no futuro, na exploração de novos mercados para a exportação. Por isso, o programa do PSD ajuda as empresas a respirarem um pouco mais. Tudo o resto é newspeak: não há competitividade promovida em gabinetes burocráticos, nem a inovação fertiliza na cabeça de quem nunca investiu nada na vida, ou sequer trabalhou numa empresa.
Nota adicional: a redução de custos tanto pode permitir as empresas a competirem em função do preço, como a investirem na exploração de novos mercados, produtos ou processos de produção. É também muito "arrumadinha" a ideia de que uns apostam no preço, outros na competividade; esta dicotomia faz um post bem SIMplex, "limpinho"; só que os mercados globais não funcionam assim; exige-se qualidade ao melhor preço, poucos são, embora os haja, os produtos que sobrevivem sem obedecer a esta dupla facie. Na India e na China, como noutras economias emergentes, há já inúmeros focos de inovação, e empresas a produzirem bens de grande qualidade; a própria inovação, e a produção de bens e serviços, faz-se muitas vezes em redes espalhadas em vários pontos do globo; por outro lado, não se vê qual seja o problema de alguém optar por vender produtos de menor qualidade, desde que os venda, pague as contas, os salários, os seus impostos e descontos; quantas empresas se capitalizam assim, para evoluirem depois para outras gamas de produtos? Cabe agora ao Estado definir o que se produz ou não produz? Acham mesmo bem que isso aconteça? Peço desculpa por não sonhar com um país 100% high tech, falido, mas apenas com empresas de ponta.
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