Manuela Ferreira Leite tem uma concepção da família que é a mais comum, a que mais diz à maioria dos eleitores, que olham para esta instituição para lá de uma mera comunhão de afectos, ou de uma união com direitos patrimoniais. A família, no seu conceito alargado, é o pilar fundamental da sociedade portuguesa, aquele que permite que haja coesão, num momento em que as dificuldades são imensas.
Quem ataca esta forma de ver e viver a família, considerando-a depreciativamente, de "conservadora", "atávica", "retrógada", ou "direitista", é porque não conhece, ou não respeita, os valores fundamentais da sociedade portuguesa: porque a concepção de família, em Portugal, é transversal à direita e à esquerda.
Podemos discutir se o casamento gay deve ou não ter consagração legal. Quem, porém, "apenas parar armar ao moderninho", insulta quem enuncia o óbvio - que o casamento é a instituição-base da sociedade portuguesa - e defende, pela positiva, uma ideia de família como sempre a conhecemos, não tem condições para governar em nome dos portugueses.
Esta discussão é particularmente curiosa, porquanto o Partido Socialista teve esta legislatura a oportunidade de legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Uma maioria absoluta e a boa imprensa que acompanharia uma iniciativa legislativa desta natureza, porém, não foram suficientes para que isso tivesse acontecido.
Os eleitores devem perguntar-se porquê, então, agora, com tantas matérias para discutir, o PS aparece tão preocupado com algo que poderia ter já resolvido. Mais: os eleitores que considerem esta matéria relevante, devem votar no único partido que, em coerência, sempre teve uma posição translúcida e transparente em relação a esta matéria: o Bloco de Esquerda.
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