Terça-feira, 8 de Setembro de 2009
publicado por Miguel Reis Cunha em 08 Set 2009, às 22:46

" (...) E fiquei atónita. Em Português o formando teria que escrever a história da sua vida e a razão por que se inscreveu no curso, sendo o texto corrigido aula a aula pela respectiva formadora; Matemática consistia em efectuar cálculos básicos e apresentar, por exemplo, a receita de um bolo e duplicá‐la; para Informática apercebi‐me que seria a apresentação do rabalho escrito e, posteriormente, quem quisesse apresentá‐lo‐ia em “powerpoint”; em cidadania, os formandos apresentavam os diferentes resíduos e diziam em que contentor os deveriam colocar. (...)

Três meses passaram num abrir e fechar de olhos, por isso um destes dias, enquanto guardava a minha vez para ser atendida no consultório médico, fui brindada com o dossier do curso da recepcionista e respectivo certificado de 9º ano. Engoli em seco aquelas páginas recheadas de erros ortográficos e de construção frásica, desencadeamento de ideias e falta de coesão, (…), entremeados por bonitas fotografias; na II parte, umas contitas simples e duas tábuas de multiplicação; e em Cidadania, os contentores do lixo coloridos com a indicação dos resíduos que se põem lá dentro.
Em seguida, com um sorriso muito branco (nem o amarelo consegui!) e, como bem educada que sou, felicitei a dona do dossier cuja capa estava realmente bonita, original, revelando bastante criatividade e ouvi‐a alegre dizer: “A formadora disse‐me que tinha hipóteses de fazer o 12º ano. Logo que possa, vou fazer a minha inscrição!”
Fiquei estarrecida, sem palavras para lhe dizer o que quer que fosse. “As Novas Oportunidades” são isto? Está a gastar‐se tanto dinheiro para passar certificados de ignorância? Será que todos os formadores serão iguais a estes ? E o 9º ano é escrever umas tretas e ler um Nicholas Sparks e um artigo da revista “Simplesmente Maria”? E o 12º ano será a mesma coisa (queria dizer chachada) acrescida de uma língua?
Continuando assim o país a tapar o sol com a peneira, teremos em poucos anos a ignorância certificada!"

 

Marta Oliveira Santos "Correio da Educação" (Edições ASA)


13 comentários:
De Carlos Botelho a 8 de Setembro de 2009 às 23:51
Mais uma bota-abaixista. O "pessimismo", o "negativismo", o "ódio", a "maledicência", o "insulto pessoal".


De Luís a 9 de Setembro de 2009 às 08:21
E, já agora, o que é que a senhora propõe?
Por acaso sabia que a França e a Dinamarca têm este mesmo tipo de programa e não se ouve por aí dizer que estes países sejam um exemplo de atraso educacional e civilizacional?!


De VCR a 9 de Setembro de 2009 às 08:55
Conheço o caso de uma escola onde o professor, com medo de perder alunos e o seu horário, andou a fazer telefonemas desde a escola para convencer as pessoas a não desistir do "Novas Oportunidades" prometendo, em troca, "passagens administrativas".


De Francisco a 9 de Setembro de 2009 às 11:22
Acho que isso só se minimiza com ética. E você como é que acha que isso se evitaria?


De jose costa a 25 de Agosto de 2010 às 18:12
Ao ler este artigo de opinião o que me chama mais a atenção e o tom discriminatório com que esta senhora se refere ao cabeleireiro, sapateiro, empregada doméstica, parecendo que são pessoas que não deveriam sequer ter oportunidade de estudar, seja nas Novas Oportunidades ou noutro curso qualquer.
Em relação ao curso em si acho que os objectivos destes cursos são diferentes do ensino regular.
Tem como objectivo principal certificar as competências de cada um, obrigando-nos a pesquisar, ler, escrever e reflectir sobre coisas do dia-a-dia sobre os quais em condições normais não o faríamos.
Obriga-nos a ir as nossas origens, a perceber e reflectir sobre o porque de certas coisas, a relembrar outras e a aprender, dar nomes às que já sabíamos mas que não conseguíamos classificar, e identificar.
Abre-nos outros horizontes, não querendo com isso dizer que o equiparo ao 9º ano do ensino regular, pois os objectivos deste são diferentes tendo como objectivo principal a continuação dos estudos, e quem sabe mais tarde tirar uma licenciatura, para que assim possam a ser “Doutores.”
Que e o que me parece que actualmente e o mais importante no nosso pais ter uma licenciatura não importa em que e então já passam a ser “Doutores”.
Somos uns pais de “Doutores” desempregados muitos deles, mas “Doutores”.
Esta Senhora parece ter algum receio que os estudantes das Novas Oportunidades possam algum dia ser “Doutores”.
E pena que alguns “Doutores” a nível de cidadania nem sequer sabem colocar o lixo nos contentores adequados, não cumprem as regras básicas de cidadania, atropelando muitas vezes os direitos dos outros cidadãos quer por ignorância quer por desprezo.
Muitos deles não sabem fazer contas de dividir “umas contitas simples” como refere a autora deste artigo, e muitos deles nem a tabuada sabem.
O uso do computador esta generalizado mas quantos saberão trabalhar no Excel ? Se calhar não lhes fazerem mal fazer alguma reciclagem nas Novas Oportunidades talvez aprendessem alguma coisa de útil, pois apesar dos “Doutores” que por ai se passeiam há muita ignorância a todos os níveis.
A aprendizagem ao longo da vida e a experiência obtida também e sabedoria, e Senhora licenciada não se preocupe porque os formandos das Novas Oportunidades não pretendem ser “Doutores”.




De Fernando Palma a 17 de Maio de 2011 às 20:55
Como um ex-formando do Programa das Novas Oportunidades, não pude ficar indiferente a esta absurda citação que foi publicada num artigo de opinião. A autora, sem conhecimento de causa, tem o dever e a obrigação de ser mais moderada nas opiniões que tece, pois se fosse totalmente conhecedora do Programa em si ( e que eu pessoalmente empreguei nele muitas horas e meses para o concluir !!), veria que o grau atingido não é o do secundário oficial, mas de uma equivalência a esse grau. Quando ouço e vejo certas opiniões sobre o assunto de forma depreciativa , fico chocado e triste pois constato um sentimento de clivagem sobre determinada camada da população que luta por um ideal de vida mais abrangente e quer queiramos quer não e em determinadas circunstancias, conseguimos verificar que continua a dar-se demasiada importância a currículos recheados de cursos, graduações e pós -graduações , que no final de contas não prepara a maioria dos nossos Doutores para o mercado de trabalho e conheço um bom numero deles que estão a laborar numa qualquer caixa de supermercado e que o fazem com profissionalismo, em igualdade com os outros colegas " menos habilitados"... Eu pessoalmente só quero o respeito que mereço pelo um objectivo que atingi, não querendo estar a "roubar" o lugar de ninguém, espero que os iluminados deste nosso país vejam a situação de forma diferente e sem juízos de valor antecipados...


De Anónimo a 1 de Outubro de 2011 às 02:24
meu caro amigo, não duvido das suas competências... pois também eu sou ex-formando. Mas diga-me sinceramente, dos seus colegas de curso, quantos o mereceram e se esforçaram para tal? Aposto que a resposta não me surpreenderia...
Abraço.


De Fernando Palma a 4 de Outubro de 2011 às 20:17
Caro amigo anónimo, de facto encontro alguma razão nas suas palavras,no que respeita ao esforço dos formandos que acompanhei durante o período em que durou a formação. No entanto e a confirmar a sua tese aqueles que o finalizaram , foram aplicados e esforçados para atingirem os objectivos propostos. Mesmo nesta vertente de formação somente os que são trabalhadores e que apresentaram esforço e dedicação foram os que chegaram ao final, como qualquer outro aluno de um qualquer curso do ensino regular... Pelo menos no CNO, onde estive foi assim...
Sinceros comprimentos


De Paula a 18 de Maio de 2011 às 17:06
Escandalizam-me reflexões como as do artigo da Sra. Marta Oliveira Santos. Como é que uma pessoa "como bem educada que" é, pode tecer estes comentários ao trabalho exibido com orgulho e sabe-se lá à custa de quanto esforço e empenho.

Felizmente existem pessoas como o Sr. José Costa, com o qual estou inteiramente de acordo.


De Miguel Reis a 15 de Dezembro de 2009 às 13:20
Certificado de ignorânçia é esta senhora que tem. Pois não sabe o significado de Novas Oportunidades. Talvez tenha o 12º com muito custo dái a sua revolta. Como disse, que País é este...mas com com pessoas como sua Exca .


De pjota a 17 de Maio de 2011 às 13:22
Os docentes e os técnicos que se disponibilizaram para trabalhar na Iniciativa Novas Oportunidades não são menos sérios nem menos exigentes do que os outros. Mas são um exemplo, porque na sua actividade desenvolvem uma atitude que outros esqueceram: preocupação com a aprendizagem de cada aluno, que tratam como se cada um fosse especial.
É o trabalho desses docentes que faz da Iniciativa Novas Oportunidades um sucesso. Não o desconsiderem…


De evora 2011 a 1 de Outubro de 2011 às 02:03
nao faz a minima ideia de como existem formandos a quem foram passados certificados de 12º ano, inclusive duplla certificação, que mal sabem escrever PORTUGUÊS. Assisti incrédulo durante 16 meses a esse seu dito "SUCESSO"... uma vergonha


De evora 2011 a 1 de Outubro de 2011 às 02:17
está completamente certa. Mais... o 12º é pior, pois os formadores (não todos) não avaliam a capacidade individual mas sim outros parametros tais como a presença nas aulas, mesmo quando as 6 ou 7 horas diárias são passadas no FACEBOOK ou a assistir a um qualquer filme online, sem que haja sequer uma simples chamada de atenção por parte dos formadores.


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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Conversa de urinol ..... caro boy PS!!!
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