Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009
publicado por Tiago Moreira Ramalho em 09 Set 2009, às 09:43
Este não é, infelizmente, um assunto da campanha pelo que tive dúvidas sobre se deveria ou não trazê-lo para aqui, mas já que o Miguel Reis Cunha (MRC) me fez o favor de dar o primeiro passo, sigo-o.
O que o MRC pede (o aborto apenas como solução extrema) é algo de irrealizável e, honestamente, pouco me importa se é feito em situações extremas ou de forma leviana. A discussão verdadeiramente importante é se é legítimo um Estado apoiar duplamente a prática em si (retirando-lhe as punições anteriormente previstas e permitindo o aborto no Serviço Nacional de Saúde). E para isso, temos de pensar se o aborto é ou não uma prática eticamente aceitável.
Na altura do referendo, Marcelo Rebelo de Sousa foi gozado por ter feito uma das mais importantes denúncias de toda a campanha: a pergunta era claramente mentirosa. O referendo apenas questionava os cidadãos sobre se queriam ou não a prisão até três anos para mulheres que abortassem. Em parte nenhuma do papelinho vinha a pergunta: «aceita que se façam abortos gratuitos no SNS?». A diferença, que para uns é de somenos, é de uma importância extrema. Hoje, os impostos de todos nós – dos que votaram sim, dos que votaram não e da esmagadora maioria que se absteve – financiam uma prática cuja moralidade não é, de todo, consensual.
Além disso, não é nenhum «pecado» questionar o referendo que foi feito. Dez anos antes do último referendo já havia sido feito um. Num referendo, o povo português disse que não queria uma despenalização nem tampouco uma liberalização do aborto. No outro disse que sim à primeira e não se pronunciou sobre a segunda. A mudança drástica de opinião da população portuguesa em escassos dez anos não é nenhuma evidência de modernidade ou evolução, apenas prova que esta é uma questão que grita por mais debate, mais esclarecimento, mais discussão. Verdadeira discussão.


De José Barros a 9 de Setembro de 2009 às 17:29
Absolutamente de acordo com o post.

Como tenho dito várias vezes, relativamente ao aborto a nossa lei é esquizofrénica: financia-o até às 10 semanas e pune-o com pena de prisão a partir desse prazo. Um verdadeiro absurdo. Importava que a direita tivesse um discurso sobre as questões fracturantes para que este assunto fosse definitivamente resolvido com um mínimo de racionalidade: manter a descriminalização até às 10 semanas, mas introduzir taxas moderadoras significativas, bem como o aconselhamento obrigatório, por forma a dissuadir o recurso ao aborto.



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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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