Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009
publicado por Nuno Gouveia em 09 Set 2009, às 15:08

Quem viu ontem o debate entre o radical Francisco Louçã e José Sócrates poderá pensar que há diferenças inultrapassáveis entre ambos. Se é verdade que a visão económica do Bloco de Esquerda assenta num radicalismo arcaico, e recusado por todas as forças moderadas na Europa, também é verdade que há vários sectores deste Partido Socialista que gostavam que o BE manifestasse desejo em partilhar o governo. Ferro Rodrigues, Mário Soares ou Manuel Alegre várias vezes elogiaram o Bloco de Esquerda, sendo que o primeiro assumiu publicamente a defesa de uma aliança pós eleitoral entre ambos.

 

Neste período eleitoral, o Partido Socialista e os seus apoiantes têm-se dedicado a criticar fortemente o Bloco de Esquerda, não por convicção, mas devido a uma agenda eleitoral. Mas nem sempre foi assim. Em vários assuntos, este Partido Socialista andou de mãos dadas com os radicais que agora repelem. E sabemos como até há bem pouco tempo o PS e o BE lutavam entre si para mostrar quem era mais anti-neoliberal. No famoso manifesto pelas obras públicas, por exemplo, radicais do Bloco de Esquerda, entre eles Francisco Louçã, partilhavam a sua assinatura com conhecidos socialistas. Sabemos também que alguns daqueles que agora mais criticam Francisco Louçã, foram seus apologistas até há bem pouco tempo. O Bloco de Esquerda apenas se transformou em inimigo visceral neste período eleitoral. O que nada garante que depois de 27 de Setembro, caso o PS vença as eleições, não possa haver esta coligação de esquerda. O BE, como partido oportunista que é, bem poderia esquecer as nacionalizações e a saída da Nato, por exemplo, e aliar-se com este Partido Socialista. Apesar das juras em sinal contrário.

 

Se é perigoso que este PS continue a governar Portugal, pior seria que estivesse coligado com o Bloco de Esquerda. A única forma de evitar estes cenários é uma vitória do PSD. E neste sabemos que há apenas uma única coligação em cima da mesa: com o CDS. 

 


2 comentários:
De causavossa a 9 de Setembro de 2009 às 16:45
É estranho como se pode gostar do enunciado sem se gostar da resposta.

O BE está neste caso. Gosta-se daquilo que enuncia como: combate às desigualdades, às fraudes, ao Portugal de antigo regime ganancioso e às elites económicas e de poder, ... não se gosta é da sua resposta!

É que por mais que se goste do Bloco quando se coloca na primeira linha de algumas lutas como a que colocou a administração fiscal a tentar locupletar-se com coimas por entrega de documentos em duplicado, não nos podemos esquecer que a pressão radical do bloco nesta matéria foi ela própria responsável pela arrogância e cegueira institucional desta entidade para com os cidadãos.


De António Santos a 11 de Setembro de 2009 às 14:57
É obvio que este senhor Nuno Gouveia é apoiante de politicas de direita, talvez PSD. Porque é que é perigoso o PS continuar a governar? Já sabe se o PS coligado com o Bloco de Esquerda é mau para o País? Que o PSD e o CDS, em coligação, foi mau ninguém duvida. Você, senhor Nuno Gouveia , só pode ser conservador, neste caso, conservador de más experiências. O PSD foi maioria e Portugal teve um crescimento acima da média Europeia no tempo do Doutor Cavaco Silva, apenas porque recebeu e gastou desmesuradamente e sem qualquer controlo os fundos que a União Europeia "despejou" aqui. Teríamos que ter crescido muito mais, nessa altura. Senão compare agora com os países que entraram ultimamente na UE. Muita gente se encheu de dinheiro nesse tempo. E Politicas Sociais? Quais foram as que o PSD fez? Só é pena que estas reformas não tivessem sido feita há 15 anos atrás. Estaríamos muito melhor agora. Toda a gente sabe que a educação é primordial em qualquer país. Não podemos competir com outros se tivermos níveis culturais tão baixos. A Educação conheceu, nestes últimos quatro anos, a Maio evolução desde o 25 de Abril. Não precisa que eu lhe diga quais as melhorias, sabe tão bem ou melhor do que eu, Senhor Nuno. O Inglês na Primária, Os concursos dos professores por quatro anos em vez da grande confusão causada pela Senhora Ministra do Governo de Coligação, que o senhor tanto gosta, entre o PSD e o CDS, a taxa de abandono escolar, os cursos profissionais, as vagas nas Universidades, entre outras. Veja e compare senhor Nuno! O senhor só não vê porque não quer ver, essa é que é a verdade. Deixe lá o PSD organizar-se e deixar que novas ideias entre no partido, porque o pais precisa de duas alternativas credíveis e não de velhos que tem uma visão conservadora. Voltar a passar pelo mesmo é que não quero, obrigado.


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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