Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009
publicado por Nuno Gouveia em 09 Set 2009, às 15:31

JOSÉ SÓCRATES é responsável pelo caso TVI. Não falo de ‘pressões’ ou de ‘censura’: o homem pode ser autoritário, mas não é suicida. Falo do historial político e até económico que Sócrates foi construindo na sua relação com o canal. O historial político é simples: um ódio cego aos seus jornalistas e, em especial, ao ‘Jornal’ das sextas. O que naturalmente implicava que qualquer abalo nesse ‘Jornal’ acabaria por lhe desabar sobre a cabeça. Como, na verdade, desabou. A três semanas das eleições. Um erro de ‘timing’? Uma falta de sensibilidade da administração da TVI? Talvez. Mas convém lembrar que, em matéria de ‘sensibilidade’, Sócrates não teve nenhuma quando enterrou um certo negócio com a PT para salvar a pele no pequeno palco da política doméstica. No mundo real, nada se esquece, tudo se paga. E não se tratam os rudes com paninhos de renda.

 

 

João Pereira Coutinho, no Correio da Manhã (via ABC do PPM)

 


1 comentário:
De António Dias a 11 de Setembro de 2009 às 01:24
Eu gostaria que a nossa democracia funcionasse melhor, muito melhor. Gostaria ainda que o debate político assentasse mais na razão e menos na emoção (a qual leva, com frequência, a que se caia no tribalismo puro e simples), sendo o conceito de razão entendido no seu sentido mais amplo; isto é, envolvendo não só o triunfo da lógica, mas também o da razoabilidade (defesa do interesse comum face aos interesses individuais).
Assumindo esta perspectiva discordo da valorização efectuada pelo autor deste artigo, de vários aspectos da realidade focados no mesmo. Com efeito, ele destaca o comportamento (errado/inadequado) do Eng.º José Sócrates, secundarizando “o erro de timing/a falta de sensibilidade da administração da TVI”, como forma não só de fundamentar mas também de justificar o porquê do Primeiro-ministro ser prejudicado (eleitoralmente) pelo fim do “Jornal das Sextas”. Ao fim e ao cabo, a posição defendida é a de que “está a ser prejudicado por causa do seu próprio comportamento” ou, como diz o ditado popular “quem boa cama fizer, nela há de se deitar”.
Quanto ao comportamento do Primeiro-ministro (o qual secundarizo nesta minha análise) sublinho duas coisas: a primeira é que ele foi instigado pelo próprio comportamento/linha editorial do “Jornal das Sextas”; a segunda é, por seu lado, a de que ele é em grande medida compreensível, recordando a propósito o ditado popular que nos diz que “quem não se sente não é filho de boa gente”.
O Primeiro-ministro foi “provocado” e reagiu a essa mesma provocação.
Quanto ao erro de timing/a falta de sensibilidade da administração da TVI (que é aquilo que privilegio em termos de análise), sublinho que provavelmente não é nem uma coisa nem a outra. Atendendo a que as decisões dos grandes grupos económicos não são usualmente tomadas de animo leve, assentando quase que na sua totalidade na elaboração de análises custo benefício rigorosas; bem como ao facto de que o comportamento agressivo para com o Primeiro-ministro do “Jornal das Sextas”, ao longo de meses e meses consecutivos, apenas poderia ser mantido mediante a concordância do proprietário da estação de televisão; sou tentado a colocar a hipótese de que o fim deste Jornal no momento em que ocorreu, corresponde apenas a mais um passo na concretização de uma mesma estratégia: prejudicar eleitoralmente o governo e o partido que o apoia.
Enquanto cidadão, julgo preferível estar consciente e chamar a atenção para a existência do risco de que um grande grupo económico privado, esteja a procurar influenciar o sentido de voto dos eleitores; sendo quase certo que os interesses desse grupo não são coincidentes com os interesses da comunidade.
Assim penso que, no momento de decidir o meu sentido de voto, não deverei valorizar significativamente este episódio, mas sim outros aspectos bem mais importantes/relevantes para o futuro de Portugal.
A resposta à seguinte questão parece-me ser bem mais importante/relevante: Tem o actual Governo contribuído, ou não, para o desenvolvimento económico (crescimento sustentado do PIB) e social (diminuição das disparidades sociais) do país?



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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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