Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009
publicado por Tiago Moreira Ramalho em 10 Set 2009, às 12:38

É interessante que todos prestemos atenção a uns pequenos números sobre o TGV, números esses que, infelizmente, ainda não foram trazidos para o debate público por nenhum partido. Segundo o Panorama of Transport, um relatório do Eurostat publicado em 2009, Portugal tem um total de 519 quilómetros de linha de alta velocidade programados. A linha entre Lisboa e a fronteira, com 207 quilómetros, tem o início da construção programado para 2013. A linha entre Lisboa e o Porto, com 312 quilómetros, tem o início da construção programado para 2015.

Nos restantes países europeus os números são um pouco diferentes. Há, actualmente, apenas sete países na EU com alta velocidade. A saber: França, Inglaterra, Itália, Holanda, Reino Unido, Bélgica e Espanha. Se as duas linhas avançarem, Portugal, para além de ser o oitavo país dos 27 a entrar na rede, passará para o quinto lugar na dimensão da rede. Portugal, país cuja riqueza deixa muito a desejar e cujo endividamento deixa muito mais, terá mais rede ferroviária que países como a Holanda, a Inglaterra ou a Bélgica. Isto com apenas duas linhas. Uma análise atenta ao relatório permite ainda constatar que a entrada na RAVE por parte dos países europeus tem sido feita sempre de forma muito contida, sempre com pequenas linhas e com períodos de construção alargados. Num país dos citados, provavelmente seria construída uma linha num ano e só passados alguns anos se começaria a pensar na outra, principalmente se fossem linhas da dimensão da nossa.
Infelizmente, no país dos «avanços», das «modernidades», de todas as pantominadas e discursos messiânicos (lembram-se de quão importante ia ser o Euro’04. Portugal ia «avançar» imenso!), tudo é feito sem controlo, sem estratégia e sem pensamento a longo prazo ou gestão do risco.

10 comentários:
De Ze Manel a 10 de Setembro de 2009 às 13:20
Só um pequeno (grande! na minha opinião) aparte: acabo de ler isto no blasfémias:

"Consegue-se baixar os custos do trabalho reduzindo a TSU?
Publicado por JoaoMiranda em 10 Setembro, 2009

Os custos do trabalho em Portugal são de dois tipos: salário e valor da pensão futura. Baixar a Taxa Social Única como pretende o PSD não baixa os custos do trabalho porque o valor da pensão futura não se altera. Continua a ter que existir alguém na economia que tem que pagar a pensão futura. O que a redução da Taxa Social Única faz é transferir custos de actividades que usam intensamente o trabalho para actividades que usam intensamente capital, criando na economia a ilusão de que o trabalho é mais barato do que de facto é.

Outra forma de ver o problema é olhar para o Global Competitiveness Report e responder à pergunta: Em que índices é que Portugal melhora se baixar a Taxa Social Única sem baixar o custo das pensões futuras? Caso melhore no pilar “eficiência do mercado” por causa da redução de taxas, piora no pilar “Estabilidade Macroeconómica” porque a redução de taxas é compensada pelo aumento do défice. Se a redução da Taxa Social Única não for compensada por um aumento de impostos, piora o pilar “Estabilidade Macroeconómica” porque se cria um défice na Segurança Social que tem que ser compensado com défice público. O pilar “Instituições” piora sempre porque a redução da Taxa Social Única é uma forma de favoritismo e porque reduz a transparência."

Como apoiante do PSD, gostava que algum economista, ou mesmo alguém que percebesse do assunto que me explicasse um pouco melhor este assunto do custo do trabalho, porque eu nunca ouvi falar neste "valor da pensão futura"... e acho que este assunto é bastante relevante.

Desde já o meu obrigado.. e peço desculpa por este aparte.

Cumprimentos "verdadeiros" a todos


De ZE a 10 de Setembro de 2009 às 13:24
E segundo eu já ouvi na televisão... nem a capital da Europa (Bruxelas) tem TGV!!

Seria um escândalo o TGV avançar neste momento!


De Luís a 10 de Setembro de 2009 às 16:06
Acho que se deve informar melhor. Bruxellas tem o Eurostar (que é a mesma coisa que TGV) que liga Bruxellas a Paris e a Londres.


De Tiago Julião Neves a 11 de Setembro de 2009 às 09:26
Caro ZE e Tiago,

Para a semana por acaso até vou de Londres a Bruxelas no tal TGV que não existe, chama-se eurostar. Nem sempre a televisão é fonte de sabedoria como amplamente se poderá comprovar.

Há uns 18 anos, teria eu 15, fiz a viagem Bruxelas-Paris no TGV original, foi uma experiência cosmopolita que faz provavelmente faz falta à maioria dos críticos que desprezam a importância de ligar duas capitais em alta velocidade.

Vejam aqui http://simplex.blogs.sapo.pt/185528.html e aqui http://simplex.blogs.sapo.pt/254532.html porque é que o TGV é importante e os seus críticos se deviam informar melhor.

Cumprimentos


De bernardo a 10 de Setembro de 2009 às 15:47
Falta dizer que Holanda e Bélgica têm menos de metade do tamanho geográfico de Portugal sendo por isso natural que tenham uma rede de menor comprimento do que a portuguesa.


De Anónimo a 10 de Setembro de 2009 às 17:26
Para além da construção, convém não esquecer que qualquer número que venha relativo à operação Lisboa-Porto nunca terá em conta que muito do dinheiro que entrar como facturação sairá directamente dos cofres do Estado. E parte desse será resultado da centralidade criada pelo próprio bicho, caso pensem que não é Lisboa que vai ficar mais perto do Porto e não o contrário. Mas o sinal dado hoje pela Ministra da Educação relativamente ao miseravelmente retalhado pagamento de despesas às escolas para suporte de custos com o material de prevenção da Gripe A, a rever em Outubro (já gerimos o país aos soluços em fracções pré-eleitorais de 15 dias), já nos dá a fotografia do estado de preparação em que nos encontramos, ainda o esforço não começou. A bóia já deve estar entre o vermelho e o preto.


De jeronimo a 10 de Setembro de 2009 às 17:41
Bem pensado ! Devíamos começar com uma ligação Lisboa - Évora e outra Lisboa - Torres Vedras. Gastávamos muito menos e podíamos na mesma dizer que tb já tínhamos TGV.

Já agora, viu no mapa a dimensão territorial da Holand e da Bélgica ?
Menores que o Alentejo ? Ah!


De Tiago Moreira Ramalho a 10 de Setembro de 2009 às 17:57
Caros comentadores:

Bem sei que a Holanda e a Bélgica são mais pequenas que Portugal. Mas o argumento da dimensão do país desmorona-se se compararmos com o Reino Unido, por exemplo.

Quando falo em faseamento do «avanço» falo em, por exemplo, fazer primeiro uma linha e só alguns anos depois começar a outra. Apenas isso. Permitiria que se avaliasse os impactos positivos e negativos e se valeria a pena outra linha. Dois anos de diferença são nada, simplesmente nada. Basta dizer que neste momento já começou o processo para iniciar a construção das linhas...


De john a 10 de Setembro de 2009 às 18:43
Pessoalmente, creio que a pergunta que interessa colocar é "precisamos mesmo do TGV"?

Para dar a resposta, seria interessante sabermos - ou, pelo menos, termos uma ideia - dos preços que serão praticados na viagem Lisboa-Madrid, e se esses preços serão competitivos com os preços praticados pelas operadoras aéreas. Na TAP, se eu quisesse ir amanhã a Madrid e voltar no dia seguinte, teria bilhete (ida e volta) por 159 euros (sim, acabei de verificar no site da TAP). Com antecipação, conseguiria melhores preços na TAP, porventura na Iberia também. Nem vou falar nas low-cost.

Por isso, será que compensa? Não creio. Nos países do centro da Europa, será uma forma eficaz de ligar as principais cidades. Mas por algum motivo não chega nenhum TGV, por exemplo, a Copenhaga ou a Estocolmo...


De Odete Pinto a 11 de Setembro de 2009 às 16:26
Pode-se encontrar algumas respostas aqui:
http://www.rave.pt/tabid/281/Default.aspx e
aqui: <bhttp://www.rave.pt/tabid/218/default.aspx</b>


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