Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009
publicado por Maria João Marques em 11 Set 2009, às 22:27

Com a actual crise internacional PCP e BE ganharam coragem para propor, com sonoridade, a sua agenda de sempre para os assuntos económicos, que entendiam (e bem) que dantes não era de bom tom enunciar - mais valia ficar escondida nos programas eleitorais que ninguém lia, tal o radicalismo. O PCP abandonou a cassete do 'grande capital' para começar a propor nacionalizações a eito. O BE esqueceu as causas fracturantes para começar a defender nacionalizações a eito. Pensam o BE e o PCP que a crise cozinhou o caldinho propício a este discurso radical e resolveram perder o pudor que anteriormente os fazia disfarçarem aquilo em que acreditam. Julgam que esse caldinho ficou provado com os resultados das europeias. Esquecem, no entanto, que se houve algum clamor pela intervenção estatal no Outono de 2008, ele não perdurou, como mostram os resultados das europeias em toda a UE (com vitória da direita) ou a perda de popularidade de Obama. Também não relevam a abstenção das europeias em Portugal e a probabilidade de esta abstenção conter sobretudo eleitores moderados que votarão nas legislativas.

 

Resumindo: posso estar enganada, mas este ênfase nas nacionalizações não trará grandes ganhos eleitorais ao PCP e ao BE. Os eleitores, apesar do que a esquerda portuguesa actualmente parece pensar, não são tolos e sabem das ineficiências e prejuízos das empresas públicas e como a economia nacional foi sangrada à conta das nacionalizações pós 25 de Abril.

 

Também será prejudicial para o PS. É muito provável, segundo as sondagens, que não haja maioria absoluta na próxima AR e, ganhando o PS, teríamos inevitavelmente negociações para manutenção do governo com estes partidos radicais que pretendem nacionalizar a eito. A única solução para os eleitores moderados a 27 de Setembro, aqueles que não gostam do que foi o Estado Novo mas também não pretendem regressar ao Verão de 1975, é mesmo votar no PSD.


1 comentário:
De Filipe Mergulhão a 12 de Setembro de 2009 às 10:55
Segundo Louça, não é Nacionalizar, é desprivatizar...mais soft!


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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