Terça-feira, 28 de Julho de 2009
publicado por Maria João Marques em 28 Jul 2009, às 11:41

Chegaram-me uns zunzuns de que o Primeiro-Ministro terá feito referências a uma tal de "revolução tecnológica em curso" (esta reminiscência precquiana ou maoista não vos traz arrepios?) e que "produzimos nós ou importamos dos outros". E lá se vai a minha serenidade matinal com esta referência maliciosa às importações, esses movimentos de mercadorias e capitais vis e que nos andam a arruinar, obrigando-nos a pagar produtos que bem poderiam ser pagos às empresas portuguesas, que assim poderiam dar mais postos de trabalho aos trabalhadores portugueses, etc., etc.

 

Nada me move contra as vendas de produtos de tecnologia avançada pelas empresas portuguesas, se estas entenderem produzir bens de tecnologia de ponta e os venderem em Portugal e noutros países. Tal como nada tenho contra uma empresa que produza flor de sal de forma tradicional (não deve haver outra) e concorra com o seu produto nos mercados interno e externo. Também não me parece mal que um PM chame a atenção para o facto de não conseguirmos concorrer com os produtos exportados pela China, Índia e outros que tais, ou da necessidade de termos produtos de maior valor acrescentado nas nossas exportações.

 

Tenho tudo contra um Primeiro-Ministro que condiciona as empresas para a produção de um determinado tipo de produtos, sem se saber (porque só as empresas sabem) se é neste tipo de produtos que têm sucesso e sem averiguar se fica mais barato para os consumidores e empresas e se está mais perto dos seus desejos de consumo/investimento comprar 'tecnologia' produzida por uma empresa portuguesa ou comprar 'tecnologia' importada. Nas minhas decisões, enquanto empresária e enquanto consumidora, garanto-vos: a opinião do PM não consta das variáveis em análise. Mais: considero qualquer condicionamento, para além dos éticos e dos legais, inaceitável. Presumo que os restantes consumidores pensem como eu: querem comprar os produtos de entre a maior variedade possível de escolha e com o preço mais barato; não interessa nada o local de produção. Isto em qualquer tipo de bens. Pode haver quem valorize tanto a produção nacional que esteja disposto a pagar mais por essa particularidade do bem; óptimo, no entanto não se pode impor aos restantes consumidores o mesmo critério.

 

Por fim, muito me move contra um PM com este discurso populista anti-importações. Temos noção de que é bom que as nossas empresas exportem os seus produtos. Ora só exportamos se alguém importar os nossos produtos. Se queremos que outros importem os nossos produtos, é conveniente não embarcar em discursos anti-importações. É populismo muito básico. O primeiro passo do proteccionismo.



Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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