Sábado, 12 de Setembro de 2009
publicado por Alexandre Homem Cristo em 12 Set 2009, às 23:53

Balanço. Foi um debate vivo mas ponderado pelas duas partes, em que os candidatos estiveram muito cautelosos. Foi também o debate mais longo – durou mais que uma hora. Os temas foram discutidos em detalhe, e realçaram as diferenças das propostas dos dois partidos – na Economia, na Educação, nas políticas fiscais. Tornou também saliente que a diferença maior – a do estilo – impossibilita entendimentos políticos entre os dois partidos. O debate foi bem disputado pelos dois, pelo que se aceita o empate. Apesar disso, MFL esteve melhor que JS na exposição dos argumentos, pela simples razão que JS optou por uma estratégia (pouco conseguida) de atacar o programa do PSD por aquilo que lá não está escrito. Em final de contas, nenhum dos dois conseguiu superiorizar-se na generalidade, e este debate acabará por não ser decisivo eleitoralmente, servindo mais para consolidar eleitorado.

 

Sócrates. Logo no início, Sócrates pede para cumprir o combinado a Clara de Sousa: ficou-lhe mal, e deu sinais de nervosismo. Tentou colar o pessimismo e o negativismo a MFL, e ainda acusá-la de uma atitude de superioridade. Estava muito bem preparado, e foi subindo de forma com o avançar do debate. Recorreu várias vezes ao programa do PSD, embora o tenha feito sobretudo acerca de ‘ausências’ no programa (a que ele chamou incoerências). Essa estratégia não lhe correu muito bem, na medida em que acusava e sustentava os seus argumentos em ‘não-ditos’, com um certo ‘oportunismo’ político (principalmente no Estado Social). O seu objectivo ao longo de debate foi colar ao PSD a intenção de privatizar a Segurança Social e o SNS, e de ser incoerente na defesa das suas convicções.

 

Desviou-se à pergunta inicial, recusando abrir o tema do ‘lado negro’ do seu passado político. Procurou vincar as eventuais fraquezas de MFL, logo de início, com a ‘asfixia democrática’ na Madeira (um assunto, aliás, sobre o qual há um grande consenso nacional). Na Economia, defendeu-se muito com a crise internacional, como se esperava, mas assinala os feitos positivos nos dois primeiros anos de legislatura. Esteve bem na abordagem do tema das PMEs, bem preparado, mostrando que o seu Governo tem efectivamente apoiado as PMEs. Relativamente ao TGV, nada fez senão tentar atacar a credibilidade de MFL quanto ao assunto.

 

Nas políticas fiscais, foi arrogante e lidou mal com a questão de Clara de Sousa. Justificou-se muitas vezes com a crise internacional, sobretudo quando lhe foi lembrado que subiu quase todos os impostos. Tentou apanhar MFL em falso, mas não conseguiu. Nas políticas sociais, construiu toda a sua argumentação num ataque ao PSD, sob o pretexto dos sociais-democratas pretenderem privatizar a Segurança Social. Não está escrito no programa, mas isso não impediu o 1º Ministro de tirar conclusões. Fez o mesmo quanto ao SNS. E finalmente, quanto à Educação, tentou desviar o tema para o que lhe convinha: renovação do parque escolar, em vez de má relação com os professores. À última questão, sobre a possibilidade de entendimentos políticos, não respondeu.

 

Manuela Ferreira Leite. MFL tentou, desde logo, mostrar a sua diferença pessoal quanto a José Sócrates, falando dos seus méritos académicos, e da subida política pelo trabalho: o oposto do 1º Ministro. Muito melhor preparada e muito mais confiante que nos debates anteriores, teve um desempenho muito bom. Ficou-lhe mal a insinuação de que JS estava a favorecer Espanha quanto ao TGV, e foi frágil a sua argumentação quanto ao caso de Alberto João Jardim. Teve de rebater acusações falsas quanto ao Estado Social, e teve dificuldades em dominar o debate na abordagem dos temas; esteve mais tempo a defender-se que a atacar o Governo. No geral, conseguiu passar a mensagem de ‘seriedade’ e ‘credibilidade’ que pretendia.

 

Começou bem o debate, distanciando-se de JS através dos seus dados biográficos, baseados em mérito e credibilidade. Mas logo de seguida tem grandes dificuldades em justificar a situação da Madeira, nomeadamente o facto de Alberto João Jardim ser um ‘candidato fantasma’. Na Economia, optou bem por insistir numa mudança de modelo económico, e por chamar à atenção que os indicadores negativos não começaram com a crise internacional. Disse bem que ser ‘optimista’ não chega para resolver os problemas do país. As PMEs e o TGV foram temas que correram bem a MFL, na medida em que foi clara nas suas posições, e teve somente que se justificar perante os ataques de JS, não à sua posição actual, mas à sua suposta ‘incoerência’ nas opiniões. Marcou bem a diferença de momentos políticos entre 2009 e 2003, quando aceitou o TGV.

 

Foi clara nas políticas fiscais, atacando o Governo com os aumentos dos impostos. Apesar de estar no seu programa, entre ataques de JS, hesitou um pouco nas explicações quanto aos dois impostos que instaurou quando foi Ministra, e que hoje quer terminar. Nas políticas sociais e no SNS, MFL teve uma posição clara: não quer mexer nas políticas sociais e não quer mexer no SNS. Não haveria, por isso, muito a debater, mas teve que se defender de supostas intenções que o 1º Ministro viu nas ausências no programa do PSD. Finalmente, na Educação, apelou à negociação com os professores, em vez da imposição de um modelo: é preciso um novo modelo avaliação, este manifestamente não serve. Para terminar, recusou qualquer hipótese de entender-se politicamente com Sócrates, e rejeitou a necessidade de uma maioria absoluta para governar.

 

[esta versão é um resumo desta]


6 comentários:
De na cê qué iste qué tenhe a 13 de Setembro de 2009 às 00:09
Aquela de serem os espanhois os beneficiários da construção da linha do TGV em Portugal não lembra nem ao diabo. Temo que a dra. ainda feche a fronteira e que para irmos a Espanha tenhamos de ir ao Ministério do Interior dizer, tim tim por tim tim, o que lá vamos fazer.


De Mário Cruz a 13 de Setembro de 2009 às 03:18
Pelos vistos vc tb não sabia que a comparticipação da UE é maior se as linhas do TGV forem trans-fronteiriças. Deve ser mais um "anjinho" como o Sócrates que acha que os outros governos (espanhois, franceses ou alemães, por exemplo, interessados em vender-nos equipamento circulante, tecnologia, software e traçados recambolescos a passarem, às curvas, por Mérida, Cáceres e Badajóz) só existem para nos ajudarem e lhe darem a ele (Sócrates) umas boleias de jatinho.


De Anónimo a 13 de Setembro de 2009 às 13:07
Foi provinciana e cinicamente demagógica a tirada sobre os espanhóis. Nós teremos também mais apoios sendo linha transfronteiriça. Um acordo benéfico entre dois estado é algo mais que normal (mesmo havendo a opinião que possa ser mais benéfico para apenas um).
O que é ridículo e triste é a personagem ter estado na génese desses acordos e não ter a estatura para ser mais comedida nas suas opiniões. Envolve a honradez do estado português. Apenas isso. Usar em campanha diz muito de até onde a "verdade" e "credibilidade" vão para os fins que pretendem. Com os espanhóis logo se vê... talvez o apoio ao sucesso ao Santader não tenha relacionado com os espanhóis.


Melhores sucessos!
EM


De Mário Cruz a 13 de Setembro de 2009 às 23:44
"Personagem", "estatura", chantagem com o que os espanhois "nos irão" fazer... Que incomodados andam os senhores "socratistas" por irem perder os tachos. A falta de educação e a arrogância marca-os de tal forma que não conseguem sair desse registo.


De Zé dos Montes a 13 de Setembro de 2009 às 10:58
Qual a razão porque o TGV Lisboa-Madrid passa por Badajoz?
Os espanhois querem costruir uma lina da alta-velocidade para a estreamadura (espanhola) e esta por si só não é rentável, nós vamos rentabiliza-la com a ligação a Lisboa.


De joão a 13 de Setembro de 2009 às 01:07
Se ganhou ou não, isso deixo para os habituais treinadores de bancada de ambos os lados. Agora que esteve bem melhor, isso esteve.
Convenceu-me.


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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