Domingo, 13 de Setembro de 2009
publicado por Rodrigo Adão da Fonseca em 13 Set 2009, às 16:30

Em Maio de 2006, as pensões pesavam 97,2% nas contribuições (em 2000 o mesmo rácio assumia uma percentagem de 79,9%). A evolução era demolidora. Portugal apresentava-se como o 6.º país da OCDE com maior taxa de substituição (88,3%) entre o último ordenado auferido e a pensão concedida pelo sistema público, ao mesmo tempo que ocupava o 19.º lugar na lista do investimento acumulado em fundos de pensões e seguros de vida (traduzido, em termos relativos, na fraquíssima taxa de poupança de 21,9% do PIB) – poupar para a reforma ainda não entrou nos hábitos dos portugueses. Constatação confirmada por um estudo desenvolvido e publicado nos Cadernos de Economia (CE): “os activos portugueses são os que menos poupam para a reforma, com uma média mensal de 144 euros, enquanto que nos EUA, o país com maior índice de poupanças, a média é de 1040 euros”. Acrescenta-se ainda que “apenas 38% dos activos portugueses está já a preparar a sua reforma”, uma das mais baixas percentagens entre os países da OCDE. A explicação dada nos mesmos CE podem ajudar a enquadrar este fenómeno: “a ideia de que o Estado deve precaver o nosso futuro explica porque é que os portugueses são tão displicentes em pouparem para a reforma”.

 

Ontem, Manuela Ferreira Leite teve a capacidade de elogiar uma das iniciativas promovidas pelo Governo Sócrates, a reforma da Segurança Social; importa, porém, notar o que significa esta reforma - o PS alterou as regras de cálculo, pelo que agora a taxa de substituição, para quem atinja a idade da reforma em 2030, é de 55%.

 

MFL foi porém mais longe: teve também a coragem de apontar o dedo para uma das omissões mais graves da governação socialista - o PS apresenta a sua reforma da Segurança Social como sendo uma "grande vitória", uma grande "reforma", mas sem explicar aos portugueses quais as consequências da alteração das regras - com o mesmo nível de descontos, os futuros reformados vão receber uma reforma 33% inferior.

 

O PSD incluiu no seu programa uma referência simples: é preciso começar a criar condições para que, individualmente, os portugueses comecem a preparar o complemento da sua reforma, dada a desvalorização a que o sistema está sujeito.

 

Chama-se a isto "Falar Verdade", não fugir aos problemas. Será que os portugueses sabem que a "vitória" socrática na Segurança Social tem estes contornos, de desvalorização das reformas das gerações futuras? E que o PS não tem coragem de dizer aos Portugueses que é necessário alterarmos os nossos hábitos de poupança, individualmente, de como é perigoso continuar a estar na cauda da Europa no que diz respeito a poupança para o futuro?



Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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