Terça-feira, 28 de Julho de 2009
publicado por Nuno Gouveia em 28 Jul 2009, às 18:44

Os processos de formação de listas são dos mais complexos que existem na vida partidária. Porque não existe um sistema de círculos uninominais, como defendo há muitos anos, são os líderes partidários que têm a responsabilidade escolher grande parte dos deputados, isto depois de receberem as propostas das respectivas secções distritais. Sabendo o que está em jogo, não é difícil perceber que estes momentos são vividos com grande tensão e conflitualidade interna. 

 

As listas do PS revelam um truque já utilizado noutros tempos. Uma lista com governantes, políticos das estruturas locais e actuais deputados, com apenas três novidades visíveis até ao momento. O João Galamba, que saúdo por ver nele um potencial bom deputado, e para roubar votos à esquerda fracturante, um dos fundadores do Bloco de Esquerda, Miguel Vale de Almeida. "Tiro" directamente apontado à cabeça de Louçã, portanto. Pelo meio ficou a tentativa (a acreditar na própria) de aliciamento a Joana Amaral Dias. Para atrair os círculos das “artes e espectáculos”, convidaram a actriz Inês Medeiros.

 

Portanto três nomes respeitáveis, mas muito pouco para quem está há quatro anos no poder, facto aliás que é defendido hoje numa notícia no “i” por fontes socialistas. A verdade é que tão necessária e apregoada renovação é, no caso do PS, muito escassa. Veremos se ainda surgem mais novidades para acrescentar a estes nomes...

 

É sabido que os nomes do PSD apenas serão conhecidos no inicio de Agosto. Mas isso não invalida que tenham vindo a ser publicadas listas de potenciais candidatos a deputados com grande destaque na imprensa, apesar dessas noticias não referirem que eram apenas indicações das estruturas distritais e não as listas finais que o PSD vai apresentar.

 

Esta é uma oportunidade para Manuela Ferreira Leite fazer aquilo que já fez nas europeias: rejuvenescer e regenerar o grupo parlamentar do PSD, apresentando uma nova face do partido ao país: conciliar os bons valores que existem no actual Grupo Parlamentar com gente nova. Como ouvi recentemente MFL defender, será importante ter no Parlamento diversas personalidades especializadas nas várias áreas,  como na Agricultura, na Educação, na Economia, na Cultura ou na Energia. Se o PSD conseguir fazer diferente do PS, será um bom indicador para o país. A politica portuguesa necessita de renovação, e esta não se pode ficar apenas nas palavras. Nas europeias o PSD ganhou também porque soube interpretar melhor esse sentimento. Que o faça também agora nas legislativas...

 


5 comentários:
De O Moscardo a 28 de Julho de 2009 às 21:45
Os eleitores votam em listas de deputados - que, seriam, pois, os seus legítimos representantes em termos de poder legislativo e de controle da acção executiva... que da AR deveria depender...
Por isso as listas não são só um dos momentos mais delicados dentro dos partidos... são dos momentos mais delicados para o país, pois é graças a este processo que se dá a transferência de poder real, fáctico, (ou,noutros termos, da SOBERANIA), das mãos dos eleitores para o interior dos partidos, com predomínio do RATO e da LAPA...
E se a isto somarmos que:
- os Governos (o tal que não tem legitimidade directa) é que indicam os Comissários Europeus e que da Comissão Europeia emanam cerca de 50% das leis que vigoram entre nós
- que os governos é responsável por cerca de 35 a 40% das iniciativas legislativas restantes...
- e que a maioria dos 10% restantes, esse sim da responsabilidade da AR - a que tínhamos eleito para esse fim - a maioria parte dos deputados eleitos pelo partido do Governo... Partido esse que, em Portugal, desde 1974, é quase sempre liderado pelo Primeiro Ministro... Acompanhado, em geral, por um punhado de Ministros. Noutros termos: o grupo parlamentar que mais produz é também "dependente" e submisso à liderança partidária, em geral também liderança do Governo...
Ou seja: as eleições legislativas são um voto em quê, precisamente? A sede do poder foi há muito transferida para locais "fechados", ocultos, onde é relativamente simples acontecer, ou pelo menos levantar-se suspeição de manipulação e tráfico de influências.. Este um dos maiores problemas do país...
NOTA: excedi-me! tornei o que era para ser um breve comentário... num post!
(assim sendo, vou colocá-lo n`O Socrático... (baptizado em honra de Socrates, o Grego, note-se...)


De Nuno Gouveia a 29 de Julho de 2009 às 01:07
Não temos um sistema perfeito. Os portugueses quando votam estão a eleger várias coisas ao mesmo tempo: um candidato a Primeiro-ministro, um grupo parlamentar de um partido e por fim, um conjunto de deputados do seu circulo eleitoral.

Na escolha dos candidatos a deputados, existem vários processos que decorrem por etapas, culminando no topo das direcções partidárias, que são eleitas democraticamente pelos partidos. Como tal, estas têm toda a legitimidade para fazer as suas opções.

Eu preferia um sistema onde os candidatos a deputados concorressem por círculos eleitorais, como acontece na Inglaterra, e também nos EUA. Aí, os partidos teriam que encontrar formas de seleccionar da melhor forma os candidatos a deputados. Nos EUA são as famosas primárias...

Em Portugal esse sistema poderia terminar com os partidos mais pequenos, o que poderia ser um entrave à sua implementação. A solução poderia passar, por exemplo, por um sistema misto, que já ouvi defenderem, onde haveria um circulo nacional representativo da votação nacional, e círculos eleitorais uninominais.


De Stran a 28 de Julho de 2009 às 23:09
"A verdade é que tão necessária e apregoada renovação é, no caso do PS, muito escassa."

É muito fácil criticar-se os outros quando não se tem nada para apresentar, não é?


De Nuno Gouveia a 28 de Julho de 2009 às 23:56
A lógica do "quando não se tem nada para apresentar" fez muito sucesso em Abril, quando o PS exibia orgulhosamente o seu candidato Vital Moreira, e Paulo Rangel ainda não o tinha sido. Depois foi o que se viu..

Não se preocupe, o PSD vai mesmo concorrer às legislativas, e surpresa, com candidatos...


De Miguel Madeira a 29 de Julho de 2009 às 16:05
"Os processos de formação de listas são dos mais complexos que existem na vida partidária. Porque não existe um sistema de círculos uninominais, como defendo há muitos anos, são os líderes partidários que têm a responsabilidade escolher grande parte dos deputados, isto depois de receberem as propostas das respectivas secções distritais."

Não me parece que haja uma ligação directa entre uma coisa e outra.

Podemos perfeitamente ter circulos uninominais com candidatos escolhidos pelo centro.

Exemplo:http://stumblingandmumbling.typepad.com/stumbling_and_mumbling/2007/07/everyone-sees-w.html

Tal como poderiamos perfeitamente ter listas plurinominais escolhidas por "primárias".


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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O Sôtor Elisio Maia fala assim porque depende do a...
ótimo blog, parabéns...
Realmente é o pais considerado como o pais do truq...
Conversa de urinol ..... caro boy PS!!!
Caro amigo anónimo, de facto encontro alguma razão...
meu caro amigo, não duvido das suas competências.....
está completamente certa. Mais... o 12º é pior, po...
nao faz a minima ideia de como existem formandos a...
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