Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009
publicado por Tiago Moreira Ramalho em 24 Set 2009, às 22:00

Como disse, há mais. Muito mais, preclaros leitores indecisos ainda. Na área da Educação, na qual se gastaram quilos de maquilhagem para tentar disfarçar os podres, há muito que, para ser revelado, apenas necessita uma ensaboadela.
Ainda sobre a questão da avaliação e já a piscar o olho ao novo modelo de gestão das escolas. Na nova forma de organização escolar, há um novo órgão de máxima importância: o Conselho Geral. Provavelmente os leitores que tiverem filhos a estudar já ouviram falar desta inovação. Neste órgão, têm assento alguns professores. Geralmente o número varia entre sete e nove. Estes professores, juntamente com todos os outros membros do órgão, têm como função principal fiscalizar a actividade da direcção da escola e, em última análise, podem decidir uma demissão do director. Convenhamos que têm bastante poder e uma grande responsabilidade. O CG é uma espécie de Parlamento das escolas, para facilitar.
Ora, agora imaginem uma situação absurda: imaginem que os professores cuja função é fiscalizar a actividade do director são avaliados por esse mesmo director. Imaginem só. Imaginem, para facilitar, que os deputados da república eram avaliados pelo governo. Imaginem só. Eu sei que isto parece absurdo, mas para a equipa reformista e transformadora que lidera a pasta da Educação, isto é normal e até desejável. Tanto é, que o passaram para o papel com força de lei.
Agora diga-me o excelso leitor: como é que acha que um professor ou um funcionário auxiliar pode exercer a actividade fiscalizadora com um mínimo de independência, rigor e isenção se é a sua situação profissional que está em jogo. É que um comentário depreciativo pode custar uma boa avaliação e a vida está difícil para todos. Mais, e esta é para os moralistas que já estou esperando: tentem colocar-se no lugar deles.
 



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