Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
publicado por Rodrigo Adão da Fonseca em 25 Set 2009, às 00:31

O debate que ontem decorreu entre Jamais e SIMplex permitiu que ressaltassem algumas das principais diferenças que existem entre o PSD e o PS na área económica.

 

Desde logo, ficou evidente que o PS defende um "socialismo de mercado", onde a intervenção do Estado tem um objectivo dirigista da economia; do lado do SIMplex, defendeu-se que não faz sentido privilegiar a "redução dos custos do trabalho"; que o país tem também um "défice de procura", e que por isso cabe ao Estado promover a I&D que conduza ao aparecimento de empresas inovadoras e competitivas, se for o caso, à custa de todas as outras, que nos aproximam da "Índia e da China". O PS aspira a um tecido produtivo que não tem aderência à economia real, um modelo high tec, excelente para fazer campanha, mas que ignora que grande parte das nossas empresas são PME's que o que precisam, acima de tudo, é que se resolvam as dificuldades que lhes são criadas na sua relação com o Estado: excessiva tributação, atrasos nos pagamentos e reembolsos que lhes são devidos, diminuição dos encargos sobre o trabalho, tratamento igual das empresas no acesso aos apoios públicos - que é o modelo do PSD, mas que para os SIMplex's não é suficientemente "ambicioso".

 

 

O debate permitiu ainda que se encontrassem outras diferenças, como a menorização que o PS faz do endividamento, ou a crença optimista na capacidade redentora de investimentos nas áreas das energias, cuja pertinência só o tempo nos permitirá avaliar.

 

Ao longo do debate, desmistificaram-se também alguns dos enganos que a campanha PS promoveu. Desde logo, assumiu-se que o PSD é um partido responsável, capaz de assegurar a continuidade de políticas e reformas, quando elas são pertinentes, como foi o caso, que se utilizou a título de exemplo, da reforma da Saúde, iniciada por Correia de Campos, e bem secundada e até intensificada por Luís Filipe Pereira - o que não se pode pedir ao PSD é que dê sequência a más iniciativas que hipotequem o futuro do país, como certos investimentos públicos. Foi ainda possível esclarecer que as mudanças promovidas pelo PS na Segurança Social se traduzem, para as gerações mais novas, numa efectiva desvalorização, de mais de 30%, do valor das suas reformas, e que o PSD pretende, na próxima legislatura, estudar uma forma de ultrapassar algo que é evidente: o actual modelo tende a prazo inexoravelmente para o empobrecimento dos valores das reformas, sendo assim necessário encontrar alternativas. Ficou também claro que o PS foi incapaz de resistir à tentação de diminuir os encargos do Estado, mesmo quando viu a sua receita aumentar significativamente, em prejuízo da economia real; o melhor exemplo ocorreu com a alta do petróleo, que durante alguns meses arruinou os bolsos das empresas e das famílias, sem que o Governo tenha prescindido dessa receita, ou aproveitado o "bolo adicional" para diminuir outros impostos. 

 

Algumas dúvidas foram lançadas para o ar, que permaneceram: o João Galamba julga-me admirador de Tatcher - quando é sabido que eu apenas fraquejo com a Eva Mendes; o Bruno Cardoso dos Reis acusou-me de andar de braço dado com Francisco Louçã, ambos aliados contra o PS - o que, diga-se, tem o seu quê de "Teoria da Conspiração"; já o José Reis dos Santos classificou-me de "defensor dos ricos", algo de complicado num país onde estamos todos cada vez mais tesos. Enfim, pelo menos desta vez ninguém nos apelidou de perigosos "neoliberais", o que, ao fim de duas horas, é motivo para acreditar que algo está a mudar.

 



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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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