Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
publicado por Carlos Botelho em 25 Set 2009, às 01:09

 

Sócrates sempre procurou subtrair-se àquele que devia ser o seu papel num debate político democraticamente saudável. Sim, de duas em duas semanas lá estava no parlamento, mas isso tem um significado somente aparente, porque o uso que o primeiro-ministro sempre fez dessa modalidade transformou-a numa forma democrática vazia – ou, mais exactamente, com um conteúdo contraditório.

 Ao longo destes funestos quatro anos, a actividade normal, sublinhe-se normal, das oposições (partidárias ou não) numa democracia, isto é, a observação qualificada, a apreciação crítica, o escrutínio das opções do governo, a sua recusa terminante, foi sempre descrita por Sócrates como “maledicência” ou “ataques pessoais”. Se o primeiro-ministro não o fizesse conscientemente, julgaríamos estar perante uma personagem ainda civicamente tosca que soltava os seus primeiros vagidos para a vida política da comunidade. Mas não. Sócrates sabe muito bem o que faz. Esse seu modo patológico de se subtrair ao confronto político é, precisamente, uma opção política. Ao virar as costas às críticas dos adversários e refugiar-se na choradeira esganiçada do “ataque pessoal”, está a fazer política. Ao mesmo tempo que vai acusando os outros de “salazarismo” ou “estalinismo”, coloca-se naquele plano aparentemente apolítico sempre do agrado das criaturas autoritárias. Ele faz de si aquela imagem do líder “determinado” e providencial que quer “fazer”, mas tem de arrostar com a “maledicência” dos outros, aqueles que “não fazem”, que “só dizem mal”.

Neste modo imaturo de proceder, se vê como Sócrates é de uma indigência política pré-ateniense. Naquela sua cabeça, não há lugar para a crítica. Existem apenas duas alternativas: ou a concordância com o seu governo ou a “maledicência”. Tudo se passa como se Sócrates não esperasse nunca a apreciação de cidadãos, mas sim a passividade de súbditos. Este nosso primeiro-ministro é, no fim de contas, um reaccionário profundo. É, assim, uma medida de higiene política arredá-lo no próximo dia 27.



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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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