Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
publicado por Pedro Picoito em 28 Set 2009, às 01:16

O PS ganhou as eleições, com um mau resultado, e o PSD perdeu-as, com um péssimo resultado. É só isso o que me interessa e é só isso o que deve interessar todos os que queriam derrotar Sócrates. O campeonato de quem mais subiu e desceu é literalmente secundário: o único objectivo do PSD era a vitória. E nem sei que nome dar ao campeonato dos que fizeram das eleições de hoje um referendo a Manuela Ferreira Leite. Ou a Pacheco Pereira. Fetichismo?

Apesar do resultado, começo por dar os parabéns a Manuela Ferreira Leite. Há um ano, pegou num partido em estado comatoso, com uma liderança alienígena e sondagens deprimentes, e trouxe-o até aqui. Contra tudo e todos (sendo tudo e todos um dos governos mais demagógicos da história da democracia portuguesa, uma comunicação social adversa e a permanente oposição interna), levou o PSD a ganhar as europeias e a discutir as legislativas palmo a palmo. Agora que se afiam as facas longas, fica a minha homenagem.

Dito isto, o PSD deve tirar conclusões sobre o que correu mal. O partido teve um resultado pouco superior ao de 2005, o que significa que quase não ganhou votos ao PS. Se pensarmos que o PS perdeu cerca de meio milhão de votos, mas o CDS cresceu 175 mil e o Bloco de Esquerda 190 mil, é fácil concluir que o PSD não captou o voto dos muitos descontentes do socratismo. Como era sua estrita obrigação. Acrescentemos que, segundo as sondagens, PS e PSD estiveram muito próximos nas intenções de voto até à última semana de campanha, quando ainda havia quase 40% de indecisos. Ou seja, nos últimos dias o PSD deixou esses indecisos fugirem para o CDS e até para o BE.

Porquê?

Sem prejuízo de uma leitura mais complexa, que fica para depois, julgo que o PSD cometeu três grandes erros.

Primeiro: a constituição das listas de deputados. É, quanto a mim, o erro capital. Como explicou Luís M. Jorge num post premonitório, não se pode ter por mote as palavras "Política de Verdade" - e depois pedir aos portugueses que votem em António Preto e Helena Lopes da Costa. Não se pode, pura e simplesmente. Ponto final. É uma contradição. Curtocircuita a mensagem. Dá a entender que, afinal, somos iguais aos socialistas. (Basta ver a indiferença generalizada com que foram recebidas as notícias relativas ao financiamento criativo das campanhas do PS pelo Dr. Lello.)  Com a agravante de que, entre o anúncio das listas em meados de Agosto e a apresentação do programa em início de Setembro, o PSD não criou nenhum facto político que aliviasse o massacre a que Manuela Ferreira Leite foi submetida por estas escolhas. E com outra agravante: ao escolher alguns rostos conhecidos do cavaquismo para cabeças de lista, Manuela Ferreira Leite mostrou preferir a experiência do passado à renovação do grupo parlamentar. Um mau sinal para quem queria passar a ideia de mudança. E com outra agravante ainda: Deus Pinheiro e Couto dos Santos dedicaram-se alegremente a defender o bloco central, quando o PSD tentava a todo o custo diferenciar-se do PS. E obrigaram a líder a corrigi-los, quando devia atacar  Sócrates. É muita coisa junta.

Segundo erro: o esgotamento da "asfixia democrática". Ao contrário de muita gente, entendo que foi um bom tema de campanha.  Porque se vive hoje em Portugal um clima de condicionamento da sociedade civil, da função pública e até de órgãos de soberania não controlados pelo PS que só tem paralelo nos idos do PREC. O telejornal que mais tem investigado o caso Freeport acaba por "critérios empresariais", uma editora com uma biografia incómoda sobre o Primeiro-Ministro não a publica, a correspondência interna de um jornal criticado por Sócrates é manchete de um jornal concorrente elogiado por Sócrates, os magistrados que investigam o caso Freeport são alvo de pressão por parte de outro magistrado próximo do Governo, um funcionário público é afastado por contar uma anedota sobre o Primeiro-Ministro, a directora do Museu Nacional de Arte Antiga é demitida por criticar a política do Ministério da Cultura numa entrevista, o maior banco privado é entregue pelos seus accionistas a dois administradores vindos directamente  da Caixa Geral de Depósitos e até o Presidente da República suspeita, ou não desmente que suspeita, estar a ser vigiado pelo Governo. Também é muita coisa junta. Tudo isto merece ser denunciado e o PSD fez bem em denunciá-lo. Uma campanha, porém, não pode viver de um único tema. Sobretudo se este é esvaziado porque Manuela Ferreira Leite vai à Madeira, onde se vivem situações muito semelhantes às acima descritas, e elogia Jardim. E sobretudo se o Presidente da República demite o seu assessor envolvido no "caso das escutas" com um timing verdadeiramente assassino para o PSD. As sondagens são claras: foi aqui que perdemos as eleições. Havemos de falar mais tarde de tão mal contado episódio - e não será para agradecer a Cavaco Silva.

Terceiro erro: o PSD não conseguiu apresentar o seu programa como uma alternativa ao programa do PS. Caímos na armadilha de explicar que não iríamos "privatizar a segurança social", nem acabar com o rendimento mínimo, nem mandar os velhinhos para as câmaras de gás e investir as suas pensões em off shores. Isto pôs-nos politicamente à defesa e, pior ainda, fez-nos soar como um eco ofendido do PS. Olhando para os resultados eleitorais, vê-se que quem se aproveitou da armadilha socialista foi o CDS, que surgiu como o único partido verdadeiramente de direita. A agricultura, a liberdade de educação, as políticas de família, a segurança, a imigração não podem ser exclusivos do CDS. Há aqui um longo caminho de reflexão política a fazer pelo PSD.

Este ponto merece ser aprofundado. O PSD nunca soube ou nunca quis, durante um ano inteiro, centrar o debate político no seu programa. O Gabinte de Estudos  não teve o papel que deveria ter tido na sua elaboração, pelas razões conhecidas, e o trabalho do Instituto Sá Carneiro foi em grande parte deixado na gaveta, talvez por demasiado "liberal". Ora, o partido está numa encruzilhada ideológica: ou continua a afirmar-se de "centro-esquerda" e não dá nenhuma razão aos indecisos para não votarem no PS e no CDS; ou se assume descomplexadamente como o grande partido de centro-direita que Portugal não tem e de que Portugal precisa.

Espero que o PSD escolha a segunda opção. 

 

(Declaração de interesses: sou apoiante de Manuela Ferreira Leite desde as directas, colaborei com o Instituto Sá Carneiro no ano transacto e, horror dos horrores, o meu nome circulou entre alguns bloggers que me honram mais com a sua amizade do que com a sua lucidez como possível candidato a deputado. Leiam as linhas anteriores com a reserva exigida por tais factos. Se, mesmo assim, decidirem votar PSD nas próximas eleições, talvez elas sejam afinal de alguma utilidade.)


20 comentários:
De O Moscardo a 28 de Setembro de 2009 às 09:03
Bom resumo, tocando num dos dois pontos "estratégicos" (o da definição que o PSD precisa, sobre o que é e precisa ser, tal como disse LF Menezes! - e como resulta claro em www.osocratico.blogspot.com nos posts sobre PSD e sobre Ideologias e post sobre ideologias e origens dos partidos). Mas, falta algo, que torna a análise insuficiente e... sobretudo, "desligada" do "país real" e de mecanismos "básicos" de escolha de voto: MFL herself. Milhares, centenas de milhar de portugueses não votaram no PSD e abstiveram-se, ou foram até votar noutro partido CONTRA MFL, no sentido de EVITAR que ela fosse Primeira Ministro. A razão é simples: a sua visão do mundo não se apresentou como contemporânea e o seu estilo é tudo menos moderno. Tem um ar envelhecido, cansado, fraco. Acho até que ela se superou na campanha, MAS não apaga uma ideia de falta de vigor, de capacidade de atacar dificuldades. A Seriedade terá conquistado alguns votos, mas MFL perdeu muitos mais. Pessoalmente, conheço dezenas de simpatizantes e até militantes PSD que não foram votar no seu partido e se abstiveram, votaram nulo, ou até foram votar noutro partido (muitos no CDS, mas também PS!) para evitar que MFL fosse PM...
Poderão dizer que é injusto, mas a decisão do voto passa muito pela liderança - mesmo nas europeias, como vimos em Junho! - e pela escolha do primeiro ministro... E Sócrates pode ter muitos defeitos, mas mostra ser determinado... E Portas também, e por isso foi premiado... com os votos do PSD...


De Francisco Carrilho a 28 de Setembro de 2009 às 11:56
Qualquer eleitorado de um pais democrático é altamente sensível às características digamos "gerais " de um candidato. Uma imagem de modernidade, dinamismo, ideias com alguma visão de futuro, até a maneira de vestir, fazer campanha sem medo junto das pessoas com reuniões em espaços abertos, etc. Enfim em tudo isso MFL falhou, pois fez exactamente o contrário, sendo muito dificil convencer uma pessoa sem opções prévias a votar em MFL.




De Ricardo a 28 de Setembro de 2009 às 10:27
Em primeiro lugar elogiar o excelente post. São de facto 3 erros que custaram a vitória do PSD e que inclusivé levaram muitos simpatizantes/militantes do partido a votar noutros candidatos.

Em minha opinião, existe um factor que se afigura mais importante para este resultado eleitoral: nem todo o PSD foi a votos. O militantes do PSD têm de se deixar das guerras internas e se unir em torno dos reais interesses do partido. Não é possível realizar uma campanha eleitoral com tantos inimigos internos. o PS conseguiu, ainda que cinicamente ou estrategicamente, incluir nas suas listas outras tendências do partido e aparentar uma coesão interna, nomeadamente com a presença de Manuel Alegre, António José Seguro, entre outros, nos seus comícios.


De horacio a 28 de Setembro de 2009 às 15:22
A propósito do seu segundo parágrafo só neste partido é que pouco depois da 10 da noite aparece um ex líder a falar mal da actual liderança. O mesmo que dá entrevistas a jornais espanhóis 2 dias antes das eleições a contrariar as opções do partido. Só neste partido.


De Pedro Lourenço a 28 de Setembro de 2009 às 11:42
Concordo com o primeiro erro crasso: António Preto e Helena Lopes da Costa foram um verdadeiro suicídio político e colocou o PSD do mesmo lado do PS. Se juntarmos a estes nomes, Couto dos Santos, João de Deus Pinheiro, Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Cavaco Silva (com o caso das escutas) e Pacheco Pereira, temos aqui o cheiro a mofo, antiguidade e promiscuidade política.

O segundo erro parece-me grave apenas por ter tirado outros assuntos mais essenciais da agenda política do PSD.

O terceiro erro ocorre há muito tempo: os líderes do PSD fogem da palavra DIREITA, como o diabo foge da cruz. Tentam serem mais esquerdistas do que o PS, sem conseguirem cativar o eleitorado esquerdista (que tem opções mais viáveis e mais confiáveis de esquerda) e afasta o eleitorado de direita (para o CDS) e de centro-direito (para o PS). Como consequência deste driblar de convicções políticas, o PSD não apresenta nenhum programa coerente, porque tem medo. Tem medo de perder votos à esquerda apresentado propostas de direita e tem medo de perder votos à direita apresentando (e não tem que apresentar) propostas à esquerda. Então fica por uma declaração de intenções demasiado dúbia e ineficaz. Falta coragem política.

Falta ainda carisma na liderança do partido, que é aquilo que Portas (á direita) e Sócrates (à esquerda) têm para dar e vender e que falta a MFL. Julgo que Paulo Rangel teria melhor resultado, apesar de também não ganhar as eleições...


De M. Isabel Goulão a 28 de Setembro de 2009 às 12:43
Muito bem ,Pedro.


De Luis Melo a 28 de Setembro de 2009 às 11:53
O resultado está feito. Grande parte do povo português preferiu lembrar-se do caso das escutas e esquecer o caso da TVI e do Jornal de 6ª. Preferiu lembrar-se do caso António Preto e esquecer-se do caso Freeport. Preferiu lembrar-se do Sócrates dócil e suave dos ultimos 2 meses e esquecer-se do Sócrates animal feroz dos últimos 4 anos.

Os números dizem que o PS perdeu 500.000 votos. O PSD ganhou 10.000 votos, o CDS ganhou 180.000 votos, o BE ganhou 110.000 votos e a CDU ganhou 15.000 votos. Todos ganharam, o PS perdeu.

Também é um sinal forte o facto de ter havido 160.000 pessoas que se deslocaram à urna e que votaram branco ou nulos. Além disso, os pequenos partidos foram uma desilusão em relação às Europeias, principalmente o MEP.

Nestas eleições, ao nível das votações, apenas uma coisa se confirmou. Ou melhor, se reconfirmou e voltou a confirmar. Perante o cenário nacional desfavorável, Alberto João Jardim deu um banho aos Socialistas: 66.000 vs 26.000 votos.

Conclusão disto tudo... o PS ganhou, Sócrates vai formar Governo. Por preconceito (e esquecendo o bem de Portugal) parece não querer coligar-se com o CDS. Um governo minoritário haverá de acabar daqui a 2 anos, tal como o de Guterres.


De JP Santos a 28 de Setembro de 2009 às 11:55
Concordo em geral com o post. Mas quanto ao terceiro ponto penso o principal problema foi deixar que se construisse um equívoco entre a Política de Verdade e a Asfixia Democrática, apostando neste segundo tema e não na identificação rigorosa e verdadeira dos "sérios desafios que se colocam ao país" e na apresentação de soluções, o que implicaria centrar a campanha nos problemas estruturais do país, nomeadamente a questão de como aumentar a produtividade única forma de resolver o desemprego, o desequilíbrio externo e o equilíbrio orçamental.
Concordo com a necessidade de um partido de direita em Portugal, mas discordo quanto às vantagens do PSD tentar ocupar esse papel.
O pecúlio eleitoral de uma tal estratégia seria sempre bastante reduzido (3-4%) e, sobretudo, seria conseguido à custa do seu aliado de Governo natural, arriscando-se o PSD a perder o eleitorado mais ao centro e sobretudo a polarizar o voto de esquerda no PS.
Em minha opinião, o sucesso obtido pelo CDS nestas eleições não teve exclusivamente a ver com os temas que soube defender bem. Perante os casos que rodearam a campanha do PSD o CDS terá provavelmente obtido um número importante de votos de eleitores de direita que queriam votar contra a maioria absoluta do PS mas que, por uma ou outra razão, não se reviram no actual PSD.
De facto, julgo que a estratégia em que se fundava a "Política da Verdade" estava no essencial correcta. Agora não foi bem concretizada por dificuldades várias a começar nas culpas próprias, e pelo facto de, ao contrário do que tinha acontecido nas Europeias, o PSD ter sido incapaz de marcar a agenda e o ritmo da campanha para o que muito contribui também a campanha inteligente e profissional feita pelo PS que explorou as "falhas" do PSD: a começar na questão quanto ao programa do PSD (recordam-se?), passando pela viagem à Madeira, o prolongar o tema TGV transformado em simbolo de modernismo (?), o explorar até ao impossível as "contradições" quanto ao SNS, etc.


De Rui a 28 de Setembro de 2009 às 14:00
Obrigado Manuela.
Obrigado Pedro.


De José Barros a 28 de Setembro de 2009 às 14:06
Concordo parcialmente com o post.

Houve erros de estratégia (ida à Madeira e inclusão de candidatos arguidos nas listas de deputados, , incapacidade de dominar a agenda na campanha eleitoral, sucumbindo à questão das "escutas") e erros de discurso político (incapacidade para colocar o dedo na ferida socratista: o desemprego, o crescimento anémico, o aumento da dívida e o aumento de impostos).

Ferreira Leite e o PSD tinham de repetir à exaustão os números da economia e fazer o diagnóstico que se impunha de quatro anos e meio de desgoverno socialista. Não só os números não foram repetidos ao longo da campanha e não entraram na consciência dos eleitores, como, pior do que isso, os quatro anos e meio de desgoverno socratista não foram a julgamento no domingo. Sócrates terá perdido a maioria absoluta por causa dos processos que envolvem a sua vida pessoal e por causa do autoritarismo; não porque destruiu durante quatro anos a economia portuguesa. E é essa a diferença que faz toda a diferença. Quem percebeu para onde nos leva este governo socialista preferiu votar no PP a votar no PSD. O que diz tudo relativamente à falta de capacidade de oposição do meu partido. Tenho muita pena porque acho que Ferreira Leite podia ter uma óptima primeira-ministra e porque estou-lhe agradecido de ter aceite o desafio e ter lutado, contra tudo e contra todos, pela decência na vida política portuguesa.

Agora é importante que o PSD perceba que tem de ser um partido de centro-direita. Que tem de colocar um ponto final nas disputas internas. Que tem de apostar em quem é conhecido dos portugueses e já deu provas de ter capacidade para defrontar Sócrates (falo de Rangel). Para isso é necessário tempo, pelo que espero que Ferreira Leite aguente o barco até 2010. Vai ser difícil com tanta sede de vingança que anda por aí.


De horacio a 28 de Setembro de 2009 às 15:13
Ao ler o DE deparo-me com esta noticia:

"O presidente da Venezuela uniu-se "ao júbilo" dos socialistas portugueses pela vitória nas eleições legislativas deste domingo e considerou que "o socialismo é o caminho"
"Esse é o caminho, o socialismo! África tem muito que apostar nisso, o socialismo africano, corrente muito forte que surgiu no século XX, que trataram de apagá-la mas que aí está, viva. (Muammar) Kadhafi é uma testemunha disso, da República Socialista da Líbia", frisou.

Realmente a comparação do nosso primeiro com Kadhafi não veio da MFL.


De Nuno T a 28 de Setembro de 2009 às 15:34
Concordo no essencial com o post. Apresenta uma excelente análise de porque votei CDS. O último aparte é sobre-optimista: porque decidiria votar PSD nas próximas eleições? (Nas legislativas porque nas autárquicas irei votar numa coligação CDS/PDS/PPM).


De pjmodm a 28 de Setembro de 2009 às 15:37
Concordando com praticamente todos os pontos da análise permito-me discordar de um aspecto da leitura retrospectiva e aditar um na prospectiva.
1. Não me parece que o reforço do CDS-PP tenha sido por via de votos tirados ao PS, mas, essencialmente por transferência de votos do PSD. Ou seja, em traços largos tenho ideia que o PSD tirou (recuperou) eleitores do PS e anteriores abstencionistas mas perdeu na mesma medida para o CDS-PP.
O que não deixa de ser mais um argumento pragmático no sentido do desejo final de Pedro Picoito.

2. Num plano do futuro existe um outro dilema: entre uma liderança populista e um liderança com densidade programática (como Menezes veio, com a sua proverial «calma» dizer... com a parte cómica de se apresentar como um Sá Carneiro). E nesse ponto mesmo no plano pragmático importa não esquecer, apesar da clara derrota de domingo (muito bem analisada no post), os males que ainda subsistem, até em termos de base eleitoral, das chefias de Santana e de Menezes.


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