Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
publicado por André Abrantes Amaral em 28 Set 2009, às 12:31

O PSD perdeu as eleições, de pouco servindo a satisfação de Sócrates ter perdido a maioria absoluta. O PSD precisa de se reencontrar para poder continuar a ser um partido importante para a democracia portuguesa.

 

Subscrevo as razões do Pedro Picoito. Há muitas mudanças que têm de ser feitas e muitas pessoas que terão de deixar a vida política para que dêem lugar a uma nova geração. Mas é preciso ter calma e perceber duas coisas: Em primeiro lugar, que toda a mudança leva tempo e, em segundo, que se deram os primeiros passos nesse sentido: As críticas ao investimento público como motor da economia foram acertadas, só sendo preciso realçar e acreditar mais nas alternativas; o trabalho do Instituto Sá Carneiro foi excelente, bastando apenas que venha a ser mais aproveitado.

 

As ilações terão de ser tiradas. O trabalho vai ser feito, novas políticas serão apresentadas, uma alternativa política vai surgir. Um PSD sem traumas por ser de direita, por se apresentar como liberal, está aí ao virar da esquina.


8 comentários:
De Carlos antunes a 28 de Setembro de 2009 às 14:19
A conclusão que voçês do PSD têm de tirar é só uma:

não se ganham eleições contra ninguém. ganham-se eleições com ideias para o País, com esperança e não com maldicência.

Mas acho que voçês não vão aprender.

Um degostoso e revoltado apoiante do PSD.

Carlos


De Joaquim Amado Lopes a 28 de Setembro de 2009 às 19:15
Como desiludido militante do PSD, lamento que o Carlos só tenha visto a "maldicência" do lado do PSD e, pelos vistos, as "ideias para o País" noutros lados.

É verdade que o PSD cometeu muitos erros mas é igualmente verdade que apresentou um projecto consistente e realista para Portugal, sem embarcar nas demagogias facilitistas com que outros Partidos (o Socialista, p.e.) procuraram enganar os tolos.
Por falha do PSD e mérito do PS, a discussão das propostas do PSD foi reduzida a "não apresenta propostas nenhumas" e "o PSD quer privatizar o Serviço Nacional de Saúde" mas o programa do PSD tinha muitas propostas e nenhuma delas era privatizar o SNS.

Quanto à "maldicência", a realidade é que José Sócrates foi muito atacado mas por casos sustentados em factos (a licenciatura de favor, projectos feitos por outros, Lopes da Mota, o relatório que afinal não era da OCDE, ...) ou suspeitas razoáveis (Freeport onde José Sócrates é necessariamente culpado de corrupção ou de omissão negligente e incompetência, Liscont, interferência em órgãos de comunicação social, PIN's, J.P. Sá Couto / Magalhães, a casa comprada abaixo do preço de mercado, ...).
Tendo o PS ficado reduzido à figura do seu líder e a uma massa acrítica de deslumbrados (com algumas excepções honrosas e outras nem tanto), a personalidade e credibilidade de José Sócrates tinham que ser questões maiores na campanha.

Se parecia que havia uma campanha orquestrada contra José Sócrates isso deve-se simplesmente a José Sócrates ter construído toda uma carreira em factos mais do que questionáveis.

O PS teve um grande mérito: a eficácia.
Conseguiu que alguém com um passado cheio de esqueletos acabasse a ser visto como uma vítima, que o desempenho do PS nos últimos 4 anos e meio não fosse realmente avaliado (p.e. o aumento brutal do endividamente público e externo passou praticamente despercebido), colou ao seu maior adversário uma imagem que não correspondia à realidade e ajudou a trazer à luz o que o BE realmente representa.
Teve também duas "sortes" enormes: a crise internacional, que ajudou a mascarar o desastre económico e financeiro que foi a governação de Sócrates, e vários "colaboradores" bem colocados no PSD, que tudo fizeram para minar a liderança de Manuela Ferreira Leite e as hipóteses de o PSD se tornar uma verdadeira alternativa ao PS.
E, verdade seja dita, o PS fez uma série de coisas boas, mesmo que uma boa parte relativamente inconsequente, e conseguiu apresentá-las como muito mais do que realmente são.

O PSD tem muito a melhorar mas é tremendamente injusto reduzir o que foi feito no último ano a "maldicência", ausência de propostas e/ou pessimismo.

O PS ganhou e merece felicitações (ou pelo menos votos de que governe bem) mas convém não ignorar a forma como ganhou.


De Anónimo a 28 de Setembro de 2009 às 16:44
Isso mesmo, vamos continuar a falar ao povo em Formação Bruta de Capital Fixo, Física Quântica, etc. Se me permitirem uma sugestão eu aconselhava-os a ir ali à porta da urgência do Hospital de Santo António, hoje mesmo, se possível, e ficar lá debaixo do coberto durante 60 segundos. Olhe-se bem à volta e ouça-se. (Isto é um comentário bem intencionado, não é uma brincadeira)


De Carlos C a 28 de Setembro de 2009 às 16:54
É por demais compreensível a sensação de asfixia que paira no PSD e Sócrates é de facto quem de mãos bem fincadas lhe aperta a jugular.
Mas por amor de Deus deixemo-nos de rodriguinhos e fantasias.....os telhados são de vidro e não vale a pena negá-lo.
O verdadeiro e legítimo sufoco é o encosto às tábuas na arena do espaço político. Sócrates é, não obstante os não despiciendos e conhecidos defeitos, reformista e corajoso.
O PSD está a ficar sem território e em lugar da batalha preferiu ficar entre ameias. A opção estratégica foi no Congresso e não emergiu agora da caneta do Pacheco Pereira.

É absolutamente contra-natura que com este PS co-existam duas organizações que ocupem um espaço de social-democracia, ou o PSD acorda e sacode de vez o invasor ou ficará irremediavelmente entalado entre PP e PS.

Acordem.....

Carlos C, (ainda) votante PSD


De Zorro a 28 de Setembro de 2009 às 20:49
Era bom que o PSD apresentasse a falência e deixasse de existir. Afinal, o que foi capaz de fazer com os seus deputados na oposição durante a governação do Pinóquio?
Se assim proceder, poderá deixar o país nas mãos do Ditador que aprendeu com Hugo Chavez. Quer o faça ou não, o Ditador sabe muito bem como enganar e manipular o povo e branquear a sua reputação depois de mais de 4 anos de trafulhices. O povo quer é festa, e acha normal que os políticos sejam mentirosos. Afinal as promessas, leva-as o vento, e se puderem roubar como os políticos... afinal ninguém leva a mal.
A Mal da Nação!


De Martim a 29 de Setembro de 2009 às 00:06
Porque é tão difícil renovar um partido político como o PSD Imaginemos que se inscreve no PSD um médico com uma carreira profissional de sucesso, cheio de ideias sobre a saúde e com vontade participar na renovação do partido.
Após receber o cartão pelo correio, o nosso médico é integrado na secção do partido do local onde reside. O que ele sabe é de saúde, mas não há nenhuma estrutura dos militantes da área de saúde. A área geográfica é que conta. Lá vai ele para a secção A, de Benfica. Na primeira Assembleia de Secção onde participa, cedo compreende que não é ali que vai poder discutir as suas ideias. Não lá mais nenhum médico, nem sequer quem perceba de saúde. Aliás, o ambiente pode ser deletério.
O médico apercebe-se também que as pessoas que participam na Assembleia estão mais ou menos pré-ordenadas pelas tendências nacionais que degladiam: barrosista, cavaquista, santanista, passoscoelhista, etc. E fica desagradado com a confrangedora discussão a que assiste, pois que os participantes se limitam a repisar o que o que já foi pelos mentores das tendências.
O nosso médico não se revê em nada disto. Entrega então um pequeno memorando ao presidente da Secção com as suas ideias para a saúde, pedindo-lhe que o faça chegar à estrutura adequada do partido o seu precioso memorando.
O presidente da secção, que está nesse cargo há mais de dez anos, e que apoiou todos os líderes, sem excepção, que sucederam uns contra os outros, desconfia. E o papel por ali se fica, pois o nosso médico não é da sua tend~encia. nem de alguma sequer
Inconformado pela falta de notícias quanto ao destino do seu papel, o nosso médico decide que o melhor é tentar falar directamente ao coração dos militantes reunidos em Congresso, ou em Assembleia Distrital.
Não dá. Apesar de altamente qualificado e de ter propostas escritas, só se for eleito delegado na secção A é que lá pode ir. Mas para isso precisa de ter votos. De ser proposto para delegado. Numa palavra, de estar numa tendência pré-existente e de conhecer alguém na secção que valorize o seu contributo.
Ora, era contra as tendências que o nosso médico queria trabalhar. E para alguém valorizar o seu contributo era preciso que percebesse do tema, o que não acontece.
Azar. Inconformado, decide mandar as suas propostas por carta ou email, para a sede do partido
Ninguém lhe responde. O email está pensado para enviar propaganda a anunciar comícios e arruadas, não para receber contributos de militantes. E mesmo que os receba, é lido por uns funcionários que não têm competências para avaliar o seu conteúdo. E lá morre uma segunda vez a contribuição do nosso médico.
A lição é simples: as estruturas partidárias não se adequam aos tempos modernos, com a sua hiper-especialização temática.
A estruturação por áreas de residência perpetua a máquina partidária, e afasta as pessoas de qualidade da sociedade civil que poderiam trazer ideias e propostas novas.
Com as máquinas partidárias imutáveis, as tendências instaladas perpetuam-se. As pretensas renovações não são mais do que cooptações promovidas pelas tendências dominantes e validadas em assembleias por elas condicionadas.
Querem renovar? Abram o partido. Mudem os estatutos. Criem secções por especialidade e não apenas por residência. Abram o Congresso e as Assembleias Distritais aos militantes que registem uma proposta de moção temática, mesmo que não sejam eleitos delegados. Substituam a estrutura piramidal de organização territorial por uma geometria flexível sectorial. Em suma, transportem o partido para o século XXI.


De nossasenhoradoimpossivel a 29 de Setembro de 2009 às 12:10
O PSD não é nem nunca foi um partido da direita liberal. O PSD foi, é e sempre será um grande partido social-democrata, um partido que ocupa uma área política definida num espectro que vai da direita moderada e centro direita a um centro-esquerda moderado não socialista. Ora, esta última é que é a fronteira importante porque distintiva de um PS estatista, de um PS adepto de um Estado controleiro, de um Estado que sufoca a sociedade civil, de um Estado que dirige e comanda a economia e interfere com as empresas e negócios privados. Em suma, um Estado Big Brother que, desde os chips nas matrículas dos automóveis que vão permitir seguir a localização e os passos dos cidadãos, até à concepção de um Ministério dos Assuntos Parlamentares e da Comunicação Social que, como dizia o Dr. Francisco Pinto Balsemão, se encarniçava a enfraquecer as empresas de comunicação social privadas, até a um Ministério da Economia que era na verdade o Ministério das Benessses aos Empresários Bem Comportados e da Concessão de Benefícios Financeiros e Fiscais Selectivos às Empresas do Regime, é a antítese de uma sociedade aberta e de uma comunidade de cidadãos livres empreededores e responsáveis dotados da capacidade de tomarem o seu futuro nas suas próprias mãos que o PSD defende. Isto é que é a essência do pensamento e ideologia social-democrata do PSD. Libertar as energias da sociedade civil. Confiar na iniciativa privada. Acreditar num Estado prestigiado e forte nos exactos domínios da regulação económica, da lei e da ordem, da justiça, da solidariedade, da criação de um enquadramento favorável ao progresso económico, da saúde e da educaçãoe não na força do Estado. Alguns adversários do PSD têm chamado a este programa, na esfera económica, um programa liberal e até mesmo, à boleia da actual crise económica e financeira, um programa neo-liberal. Não caiamos nós nessa floresta de enganos. O PSD deve acreditar que este é antes um programa de libertação. O PSD deve acreditar que se a sociedade civil portuguesa for finalmente libertada de uma longa asfixia do Estado será capaz de coisas maravilhosas e não haverá limites para as suas realizações. É isto que distingue um programa político que cobre uma vasta área que vai desde a direita moderada e centro-direita até ao centro-esquerda moderao não socialista. Este programa não pode nem deve, porém, ser afunilado e confinado, a um programa de direita liberal sob pena de redução da sua base social e política de apoio, o que seria erro particularmente fatal dada a característica sociológica e ideológica do eleitorado português.


De candida a 4 de Janeiro de 2010 às 22:11
o psd não presta para nada. aliás, neste momento nenhum partido me merece confiança.


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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