Quarta-feira, 29 de Julho de 2009
publicado por Miguel Morgado em 29 Jul 2009, às 17:06

Diz-se aqui que a mera tentativa de "comparar" - sim, simplesmente "comparar" - a recente iniciativa de pôr Sócrates a responder a bloggers com qualquer outra sua congénere realizada no passado em Portugal é "pura ficção". Estamos, pois, proibidos de "comparar" o encontro de Paulo Rangel com bloggers durante a campanha eleitoral para as eleições europeias com a epopeia do Primeiro-Ministro. Diz-se que nunca houve nada assim porque nunca um líder partidário e Primeiro-Ministro se disponibilizou para uma conversa deste tipo. Isso é indesmentível. Mas proíbe a "comparação"? 

Implicitamente, Paulo Rangel é um dos políticos "menores" que não pode ser comparado ao Primeiro-Ministro. Convém, no entanto, recordar que era cabeça-de-lista para o Parlamento Europeu, e líder da bancada parlamentar, do partido que acabou por ganhar essas eleições. O que resulta daqui? Apenas que o significado político das duas iniciativas não é exactamente o mesmo, mas certamente que ambas são "comparáveis".

Resta ainda o argumento de que naquela sala estiveram com Sócrates bloggers das várias tendências políticas, e no encontro com Rangel estiveram maioritariamente pessoas que afirmaram publicamente o seu apoio ao candidato. Ora, eu estive lá nessa noite no Nicola com Rangel e posso testemunhar que o homem correu muitos riscos apesar da assembleia reunida. Muitos dos apoiantes de Rangel não lhe facilitaram a vida, e não perderam a oportunidade para o criticar. Na parte que me toca, a única intervenção que fiz foi para criticar algumas das ideias de Rangel, e não deixei de o fazer com severidade. E não vi ninguém a fazer-lhe favores.

Sócrates correu riscos? É verdade, o que é meritório. Mas Rangel também os correu. Os temas europeus não beliscam tanto o capital político do candidato que se expõe numa conversa deste tipo? Não é menos verdade. Mas naquele momento era disso que se falava. Este é o início de um exercício de "comparação". Faz sentido proibi-lo?


4 comentários:
De Daniel João Santos a 29 de Julho de 2009 às 17:17
Correu riscos?
Sócrates?




De rendadebilros a 29 de Julho de 2009 às 18:13
Repito a pergunta do comentador anterior: Correu riscos?


De Rita Sezardini Graça a 29 de Julho de 2009 às 18:49
E correu mais riscos do que os tipos do Simplex , que já me censuraram 4 comentários, ofensivos apenas para as ideias que defendem. Está lá um funcionário, o sr . Pedrosa, que sozinho cortou-me três réplicas.
Bem diz o Manel Alegre...


De José Barros a 29 de Julho de 2009 às 19:49
Até acho que Sócrates não correu riscos nenhuns.

1) Uma conveniente deficiência técnica inviabilizou a transmissão em directo, o que, desde logo, permitiu filtrar quaisquer "partes gagas" que pudessem ter ocorrido no encontro.

2) Arranjou-se uma manobra para seleccionar os blogues, informando antecipadamente aqueles que interessava ter presentes no encontro, com o que apenas se permitiu a presença de quatro ou cinco bloggers incómodos.

3) Estes, por sua vez, foram respeitosos e não quiseram ser especialmente incómodos. Tirando o momento protagonizado pelo Tiago, todas as outras questões eram relativamente inóquas. O que me parece mal, porquanto importava fazer perguntas que os jornalistas habitualmente não fazem. Se é para perguntar o que os jornalistas perguntam, estes encontros não têm razão de ser.

Em suma, para Sócrates foi um "walk in the park". Até porque no seu jeito habitual, respondeu a alhos com bugalhos. Ao contrário de Rangel, como se pode ver comparando os vídeos.


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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