Quarta-feira, 29 de Julho de 2009
publicado por José Gomes André em 29 Jul 2009, às 18:37

Eu até gostava de comentar o texto do Eduardo Pitta, mas como não há caixa de comentários (nem no Da Literatura, nem no Simplex), tenho de recorrer a outros métodos. Embora, na verdade, me apeteça apenas registar uma ideia: a utilização da palavra "desmontar", como referiu o João Gonçalves aqui em baixo, é tão desadequada quanto risível neste contexto.

 

Vejamos: aparece uma notícia sobre uma questão de economia. Assumindo-me como leigo no tema, escrevo um texto onde levanto algumas questões, pois a argumentação parecia-me pouco clara. O Carlos Santos escreve um texto onde comenta as minhas observações, avançando com a sua própria interpretação. Trocamos ideias cordialmente numa caixa de comentários. O debate continua, com outros intervenientes, neste e noutros blogs.

 

De súbito, aparece o Eduardo Pitta, qual guerreiro medieval, a anunciar uma batalha épica mediante a qual as tropas socialistas terão trespassado o meu pobre corpo desprotegido, "desmontando" a minha atrevida aventura. Não me restam dúvidas: Eduardo Pitta interpreta o debate público como uma espécie de guerra sem quartel, onde naturalmente os críticos de qualquer coisa relacionada com o Governo socialista são perigosos hereges que merecem uma reprimenda imediata. Como se atrevem esses malandros? É uma lição que há muito aprendi: quanto mais se apregoam como "tolerantes", mais rapidamente brandem a espada da intolerância.


18 comentários:
De João Neto a 29 de Julho de 2009 às 19:25
O Carlos Santos é tão democrático, tão democrático que censura os meus comentários no SIMPLEX ! :)


De Carlos Santos a 29 de Julho de 2009 às 21:18
João Neto,

Por favor diga-me quando isso sucedeu. No SIMplex eu nunca vi um comentário seu. E aí nunca o bloquearia. O meu blogue pessoal é outra coisa. Mas vou pesquisear e saber o que sucedeu: no SIMplex todos temos acesso aos comentários uns dos outros.
Se me puder referenciar o post envie para o meu mail público csantos@porto.ucp.pt e eu desbloqueio se houver alguma coisa bloqueada.
Carlos Santos


De João Neto a 30 de Julho de 2009 às 09:45
Carlos, vejo que o meu comentário (o seu testo é o primeiro, onde o José Gomes André é "desmontado") afinal foi publicado, 4 horas depois de o ter feito. Não desapareceu.

Parece que os comentários são todos iguais, mas há uns mais iguais que outros!:)
Cumprimentos, João



De Daniel João Santos a 29 de Julho de 2009 às 19:28
Aguado pelo primeiro escrito de Pacheco pereira e pela caixa de comentários...

peço desculpa pela observação lateral, as não resisti.


De José Gomes André a 29 de Julho de 2009 às 20:13
Como deve imaginar, não tenho nada a ver com isso.


De Daniel João Santos a 29 de Julho de 2009 às 21:17
Eu sei, mas veio na sequência de ter dito que lá o outro senhor não aceitava comentários.


De José Gomes André a 29 de Julho de 2009 às 22:10
Se Pacheco Pereira decidir escrever neste blogue e optar por não ter comentários abertos, a decisão será dele e só dele. Compreende isso, seguramente? Agora, não fico limitado para criticar alguém que não tem caixa de comentários abertos noutros blogs, especialmente porque os meus textos são totalmente abertos. Ou fico?


De Daniel João Santos a 29 de Julho de 2009 às 22:11
São como os meus, sempre abertos. Reconheço que se existe coisa que me chateia é um blogue fechado.


De Eduardo Pitta a 29 de Julho de 2009 às 20:06
Se não estou em erro, o José Gomes André até já trocou emails comigo. Sabe portanto a morada. O Da Literatura tem o contacto bem visível. Mande para lá um texto que eu publico-o.
Na acepção que lhe dei, «desmontar» significa «contraditar». Por isso falei de close reading.
Quanto à minha "intolerância", levo-a à conta de anedota.


De José Gomes André a 29 de Julho de 2009 às 20:17
Há sempre várias maneiras de nos contactarmos, caro Eduardo, mas a caixa de comentários tem virtudes (resposta visível na correlação com o texto) que os outros meios não têm.
Quando ao "desmontar", acho que o Eduardo sabe bem (melhor que eu, aliás) que o significado das palavras está associado às mesmas e não ao que nos apetece que elas queiram dizer. Se queria ter dito "contraditar", podia tê-lo feito. "Desmontar" quer dizer "desmontar", com a acepção agressiva própria da palavra - a meu ver totalmente desadequada num debate aberto.


De Pizarro a 29 de Julho de 2009 às 20:37
O que não percebo nesta história toda é que, se então a solução para as crises e para fomentar o crescimento económico eram e são os gastos públicos, a despesa do Estado, então é sinal que os governos de direita foram os mais aplicados neste tipo de políticas? Ou agora o argumento é ao contrário?


De Carlos Santos a 29 de Julho de 2009 às 21:32
Se me é permitido, o que o Ricardo Reis discute não é investimento Público. São gastos correntes. Isso é o que se chama de "máquina do Estado", grosso modo.
Obrigado,
Carlos Santos


De Rita Sezardini Graça a 29 de Julho de 2009 às 21:38
Todos ( quase todos?) censuram aqui. O Santos, o Pedrosa, o Coisas. É uma fartote democrático.


De ruy a 29 de Julho de 2009 às 21:14
Os tipos do Simplex censuram os comentários que lhes são desfavoráveis. Os tipos estão apenas interessados em propagandear sócrates e não estão interessados em discussões politicas.
São boys a defender seus interesses pessoais e só isso lhes interessa.


De Porfírio Silva a 29 de Julho de 2009 às 22:01
ruy, ou lá quem seja: eu sou do SIMplex e tenho de lhe dizer que essa afirmação, pela parte que me toca, só tem um nome: é nojenta. Fale assim com os que conhece e ganhe alguma educação para não andar cobardemente a cuspir para o ar. Quando quiser trocar credenciais de boys e interesses pessoais, avance.


De Porfírio Silva a 29 de Julho de 2009 às 21:56
Por acaso, a mim, a ideia que me dá, é que o texto do Carlos Santos desmonta mesmo o seu. No sentido literal: deixa de se ver a máquina por fora, no seu aparente esplendor, e ficam as peças à vista, uma para cada lado. E percebemos o que não funcionava. É mesmo tipo oficina.
Mas peço desculpa se isto é muito ofensivo.


De José Gomes André a 29 de Julho de 2009 às 23:50
Não acho que seja ofensivo, caro Porfírio. Procurei contribuir para um debate. Gosto de pensar que apresentei argumentos fundamentados. O Carlos Santos apresentou outros, como muitos mais fizeram. Se acha que fui "desmontado", tudo bem. Não estou aqui para um concurso a ver quem desmonta quem. Estou aqui porque quero conversar e pensar a coisa pública. Será bem-vindo se o quiser fazer. Cumprimentos!


De ruy a 30 de Julho de 2009 às 11:43
Ao Porfirio do Simplex,
Não malcriado nem ofensivo. Sei do que falo. Coloquei um comentário num Post sobre "o monstro da Despesa Publica" que nunca apareceu. O comentario era este:
Pelos números do Orçamento de Estado para 2007, verifica-se que a Despesa total do Estado vai subir num valor da ordem dos 1900 milhões de euros. Enquanto isto, as receitas do IRS(+4,6%), IRC(+15,4%),IVA(+5,0%),ISP(+10,8%),IS(+6,0%)…todas sobem.
Ficamos sem saber que valor atribuir às palavras do ministro das Finanças quando afirma “o Orçamento de Estado para 2007 é de "rigor" e tem uma estratégia "credível" que promove a redução da despesa pública”.
Resulta assim que o combate ao défice e a sua hipotética redução far-se-á à custa dos aumentos dos impostos e dos cortes nas prestações sociais já anunciadas.

No Boletim Informativo de Fevereiro de 2007 da Execução orçamental do subsector Estado de Janeiro a Fevereiro, recentemente publicado pela Direcção Geral do Orçamento, pode ler-se:
A despesa provisória do subsector estado no período em análise situou-se em 6.689,1 milhões de euros, representando um aumento em termos homólogos de 5,9%.
Procedendo à análise da despesa do subsector Estado por classificação económica, verifica-se que as despesas com pessoal, as transferências correntes e de capital e as outras despesas correntes foram os principais responsáveis pelo acréscimo da despesa no período de Janeiro a Fevereiro de 2007.

Despesa do subsector Estado para o primeiro semestre de 2007 situou-se em 21.789,6 milhões de euros, representando um aumento relativamente a igual período do ano anterior de 3,9%.

O aumento das Despesas com Pessoal situou-se em termos homólogos em 3,9% e o aumento das Despesas de Aquisição de Bens e Serviços atingiu o valor de mais 14,8% que mesmo período do ano anterior.

Quanto às Despesas de investimento, de Capital, verificou-se um decréscimo em termos homólogos de 6,1%.

Em contrapartida, as Receitas com os Impostos Directos subiram em termos homólogos 14,2% (as receitas do IRS aumentaram 8,6% e o IRC 24,8%). As Receitas do IVA aumentaram 5,5% e as do Imposto do selo 8,6%.

Em resume, continua tudo como dantes, aumentam as Despesas do Estado, aumentam os Impostos e diminuem os Investimentos.



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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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