Quarta-feira, 29 de Julho de 2009
publicado por Jamais em 29 Jul 2009, às 20:01

"Portugal precisa urgentemente de uma nova política de combate à toxicodependência,  que  sublinhe a importância da abstinência e incentive os jovens a dizerem, sem rodeios e sem vergonha, não às drogas.  É extraordinário o que se vem passando no nosso país. Enquanto o fumador se vê cada vez mais em palpos de aranha para dar largas ao seu vício, o jovem que não toma drogas sente-se cada vez mais marginalizado, para não dizer envergonhado, qual “careta” ou “cocó”, no seio dos seus pares! A mensagem que os governantes portugueses têm feito passar, por responsabilidade de uma política que dá prioridade à redução dos danos provocados pela droga (em detrimento da sua prevenção e tratamento) é peremptória: “consumam drogas se assim o desejarem, que se houver problema nós aqui estamos para vos ajudar depois a reduzir o dano que elas vos causarem”.Parafraseando a propaganda oficial politicamente correcta, é como se dissessem ao gordo: “não tenhas problema em comer doces que nós depois damos-te insulina para não engordares”…!


Manuel Pinto Coelho
Presidente da APLD - Associação para um Portugal Livre de Drogas

 


6 comentários:
De Carlos Cidrais a 29 de Julho de 2009 às 21:07
Sou votante potencial do PSD e defensor da legalizacao da drogas. Na impossibilidade pratica de Portugal unilateralmente legalizar o consumo de drogas, e assumindo o sucesso da estratégia de descriminalizacao de drogas aprovada pelo executivo socialista em 2001,decisão que hoje e encarado como referencia em inúmeros países, dado o estrondoso sucesso da medida, exijo, perante este post, a garantia que um governo do PSD nao ira regredir a uma posicao de criminalizacao do consumo de drogas.
Sem mais de momento,
Carlos Cidrais


De Nuno Gouveia a 29 de Julho de 2009 às 23:36
Este blogue não fala pelo PSD. Neste caso, o autor do post nem sequer é de autor do blogue. É uma contribuição de um leitor.


De Carlos Cidrais a 30 de Julho de 2009 às 09:33
Peco desculpa pela confusao, Nuno.
Fiquei confuso porque vi na barra lateral que eram autores do jamais varios deputados/dirigentes do PSD. Talvez eles quisessem tomar a palavra para responder a minha questao.
De resto, presumi, talvez erradamente, que tivessem uma orientacao editorial nos textos dos leitores que publicassem.
Se nao for esse o caso avise, eu envio lhe um texto a propor a abstinencia sexual para resolver o problema da gravidez adolescente e das doencas sexualmente transmissiveis...
Cumprimentos


De Manuel Pinto Coelho a 1 de Agosto de 2009 às 19:43
O Sr. Carlos Cidrais, com o devido respeito, parte do pressuposto totalmente errado do “retumbante sucesso” da descriminalização de drogas em Portugal, encetada, como diz e bem, pelo partido socialista em 2001. Tal ideia foi, pelos vistos mais uma vez, passada, agora sim com retumbante sucesso pelo Governo socialista, desta vez por ocasião do momento eleitoral que se vive no nosso país. Assim, com enorme sentido de oportunidade, o Governo do Eng. José Sócrates lembrou-se de convidar um advogado-escritor americano com bons conhecimentos da língua portuguesa (Glenn Greenwald) convidado por sua vez  (não pertence ao quadro), pelo Cato Institute de Washington, instituição que, como outras também liberais, se bate pela legalização/liberalização das drogas e é directa ou indirectamente sponsorizada por George Soros. Tal é o caso da Beckley Foundation, onde o nosso actual primeiro ministro foi buscar  inspiração  para desenhar a actual estratégia de luta contra a droga, totalmente malograda nos seus objectivos de diminuir a prevalência de consumos e a criminalidade entre outros. Tal malogro foi em 2004 prontamente assinalado pelo INA em relatório circunstanciado e convenientemente (quase) ignorado pelos nossos media e como tal, também, pelos vistos, pelo Sr. Carlos Cidrais. George Soros é como se sabe um velho paladino da legalização das drogas ainda ditas de "leves" (ao arrepio das constantes recomendações das Nações Unidas que não se cansam de bater na tecla que droga é tudo quanto se afaste do contexto médico e/ou científico e que como tal droga tanto é a “leve” como a “dura”) que tem  vindo a tentar a todo o custo enfraquecer as Convenções Internacionais das Nações Unidas que a isso se opõem, bem como a política dos países subscritores como é o caso do nosso. Ao contrário do que o bem sponsorizado americano disse para quem o quis ouvir  - praticamente toda a nossa Comunicação Social que em mais um alarde de ignorância saloia embarcou completamente numa série de mentiras apresentadas como factos -  o que se passou, na realidade, foi que entre 2001 e 2007, segundo o relatório de 26/6/09 da ONU ( in WDR/09 de 26/6/09), além de se ter registado um ligeiro incremento do consumo de drogas, ao contrário da redução de 10% noticiada pelo Cato Institute em paralelo com o Eng. José Sócrates..., Portugal foi ainda o único país em toda a Europa a reportar um aumento significativo de homicídios. Chamar a isto de  “retumbante sucesso”...!
Dados semelhantes aliás já tinham sido apresentados pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião/Universidade Católica Portuguesa (CESOP) que em 2007 implementou, a pedido do IDT, um inquérito nacional sobre as atitudes dos portugueses em relação à toxicodependência, e em que 77,3% dos respondentes sentia que o crime relacionado com a droga tinha aumentado e que 38,5% sentia que a eficácia no controlo da oferta se tinha mantido na mesma nos 4 anos anteriores. Logicamente que sendo estes os inesperados resultados do inquérito, não se estranha que   nunca tenham vindo a público...
Sr. Carlos Cidrais, para concluir, se me permite que lhe transmita um pouco da minha experiência no acompanhamento já há alguns anos de toxicodependentes e suas sofridas famílias, deixe-me dizer-lhe que é minha profunda convicção que, assim como não se conseguirá erradicar nunca a malária caçando os mosquitos (a solução passará muito mais pela secagem dos pântanos em que estes se desenvolvem), a “secagem do pântano” da toxicodependência passará não só pelo tratamento do toxicodependente e quebra do tráfico, mas também – e sobretudo - pela diminuição da exposição da sociedade às drogas.
O que nunca se conseguirá com a sua legalização!





De Carlos Cidrais a 1 de Agosto de 2009 às 20:50
Caro Manuel Pinto Coelho,
A legalizacao e regulacao da venda de drogas, leves e duras, e uma forma de regulamentar uma actividade que acompanha a humanidade desde tempos imemoriais.
Se quer eliminar o trafico, e os delitos que as pessoas cometem para poderem consumir as substancias actualmente ilegais, nao vejo outra forma de o fazer.
Outras substancias nocivas para o individuo, como o tabaco ou o alcool, sao hoje vendidas e regulamentadas sem que haja ( alem do custo social das doencas associadas ao consumo desta ) necessidade de se cometerem delitos para que o consumo seja possivel. E esta a minha posicao, que e uma opiniao, e sem que a experiencia seja feita a nivel mundial, dificilmente se podera analisar o impacto dessa solucao. E apenas uma opiniao e tao valida quanto a sua.
Penso que e ingenuo propor a abstinencia - as pessoas continuarao consumi-las quer ou voce o queira quer nao - era apenas a isso que me estava a referir quando fiz os meus comentarios.
Vivo no estrangeiro e dessa forma nao acompanho os media nacionais - mas vejo muitas reportagens de publicacoes como a Time, o Guardian, o Telegraph, a CNN, que apoiados nos dados de que dispoe, rotulam a iniciativa como retumbante sucesso e modelo a seguir.
Se os factos que relata sao verdade, denunciem-se. E sugiro que faca chegar as publicacoes que enunciei copias desse desmentido, tenho a certeza que elas nao terao problemas em reanalisar as suas posicoes e publicar retracoes.
Cumprimentos.


De Manuel Pinto Coelho a 2 de Agosto de 2009 às 19:41
Caro Carlos Cidrais,
Começo por lhe agradecer a sugestão que me deu para divulgar junto dos órgãos de comunicação que aponta e outros, o verdadeiro estado da nação do problema das drogas em Portugal, dando-lhes assim, infelizmente para mal dos nossos pecados, uma ideia real e não fictícia da questão.
Propõe no seu texto de resposta, a "legalização e regulação da venda de drogas como forma de regulamentar uma actividade que acompanha a humanidade desde tempos imemoriais". A meu ver o factor primário não é que a Natureza produz a cannabis sativa, a papoila ou a eritroxylon coca, dando cobertura a discursos próximos do seu apelando para a aceitação das drogas pela sociedade, do tipo " não se conhece nenhuma sociedade de nenhuma época que tenha vivido sem drogas..." ou que os sindicatos internacionais do crime tomaram conta da distribuição das drogas. O factor primário é que milhões de pessoas e entre estas principalmente os jovens, estão preparadas para quebrar as normas e a lei, com o objectivo de as usar, sejam elas naturais ou sintéticas.
Da minha parte enquanto tiver presente o que aprendi no terreno durante quase 20 anos de actividade nesta área, hei-de sempre continuar a rejeitar todas e quaisquer teorias que tentem convencer a sociedade a aceitar o uso de drogas ou que aleguem que estas podem ser usadas de forma segura e responsável, criando o equívoco que o seu uso pode não ser danoso e aumentando a dependência dos que as experimentarem.
A propósito da legalização ou mesmo da descriminalização à portuguesa das drogas, e do Carlos Cidrais me considerar ingénuo quando proponho a abstinência, mais importante que saber da minha opinião - que como diz e muito bem vale tanto como a sua - proponho-lhe que "oiça" a de alguém melhor colocado que qualquer um de nós - o Director Executivo do Gabinete das Nações Unidas para o Controlo da Droga e Prevenção do Crime, o italiano António Maria Costa (AMC):
- “Descriminalização dos consumos? Aqueles que há uma década se batiam pela descriminalização da cannabis, estão mudando o seu olhar 180 graus e estão a apelar por uma maior prevenção e tratamento de forma a conseguir combater uma droga que é claramente nefasta para a saúde.” (AMC em Estocolmo, 10/06/07) ( ver no Youtube - "a droga de socrates"
- “Proibicionismo fundamentalista? Os defensores da legalização consideram-me um proibicionista puro e duro ou, por outras palavras, um talibã do controlo das drogas, um ingénuo proponente de um mundo livre de drogas.
Um mundo livre de drogas? Embora nunca tenha recorrido a este conceito, pessoalmente não o considero errado. Um mundo livre de drogas é possível? Provavelmente não. Desejável? Seguramente que sim. Este slogan corresponde apenas a uma aspiração, não é um alvo operacional – da mesma maneira que todos nós aspiramos a eliminar a pobreza, a fome, a iliteracia, as doenças, até as guerras.
“Urge ultrapassar a cruzada proibicionista? “A proibição causa violência e crime, pelo facto de criar um lucrativo mercado negro para as drogas. Solução preconizada por alguns: então legalizem-se as drogas para combater o crime organizado. Do ponto de vista económico é um argumento plausível: se não houver mercado, não haverá intermediação - criminosa neste caso. Mas este não é só um argumento económico. A legalização pode reduzir os proventos dos criminosos, mas também irá aumentar os danos para (a saúde e não só) dos indivíduos, para a sociedade.
As drogas não são perigosas porque são ilegais, são ilegais porque são perigosas! A evidência mostra uma forte correlação entre a disponibilidade das drogas e o seu abuso". Parafraseando de novo AMC (Nova Orleães, 6/12/07) "é importante reduzir a disponibilidade limitando a oferta, a procura e consequentemente os riscos para a saúde e segurança."
Fala ainda do exemplo do álcool e do tabaco que são vendidos e regulamentados sem que daí venha especial mal ao mundo e eu pergunto que necessidade haverá de fazer o mesmo com outras substâncias, declaradamente mais nocivas? Não basta o mal que aquelas duas já nos fazem? É que não se duvide: se se adivinhasse o estrago que elas iriam provocar também se teria restringido o seu consumo como se faz agora ( pelo andar da carruagem, infelizmente, duvido que por muito mais tempo...! )
Cumprimentos


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