Quarta-feira, 29 de Julho de 2009
publicado por Rodrigo Adão da Fonseca em 29 Jul 2009, às 21:57

 

"Rodrigo Adão da Fonseca é particularmente revelador do atavismo conservador da nossa direita. Ele desconfia, vejam lá, do qualquer coisa que seja apresentada em Portugal como uma inovação mundialOu seja, temos modestamente de esperar que os outros descubram as coisas – façam fortunas e criem empregos com isso – para depois fazermos qualquer-coisinha de parecido.

 

Quanto ao famigerado Magalhães – esse computador Intel informa RAF (que suponho não reparou ainda que praticamente todos os computadores dizem “Intel inside” e são feitos com componentes vindos de meio mundo) - o que é que a direita propõeFazer um teste de literacia antes de os distribuir? Acabar com o programa Magalhães e pedir a devolução dos já distribuídos? Em nome de uma política de verdade era importante que os portugueses ficassem a saber".

  

Ao ler este post do Bruno Reis, em que me ensina que quase todos os PC's têm uma etiqueta que diz "Intel inside" (não o meu, que uso um Mac), fiquei convencido que de facto o Magalhães é um genuíno e inovador produto de grande tecnologia portuguesa. Mas ao mesmo tempo nasceu dentro de mim uma enorme revolta contra o imperialismo neoliberal: não é que a Intel - além de andar a colocar autocolantes em tudo o que é PC - gaba-se por esse mundo fora que o produto Magalhães é seu? A pouca-vergonha é tanta que o CEO da Intel esteve em Lisboa, fazendo-se passear com o Primeiro-Ministro e vários Ministros, e foi nas barbas de toda a gente que roubou a patente do Magalhães, que passou a chamar-se, internacionalmente, "Classmate PC".

 

Estes "estranjas", além de ladrões, não deixaram a coisa por menos: não só roubaram a patente como foram capazes de pegar nesta nossa inovação mundial e colocá-la à venda, com outro nome, na Índia e em Inglaterra, mesmo antes de ele começar a ser produzido em Portugal

 

De facto, obrigado pelos ensinamentos que me presta, Bruno Reis, de contrário este meu "conservadorismo atávico" impedir-me-ia de ver a Luz do Progresso e prestar a devida homenagem à grande capacidade de inovar que o governo socialista semeou com o Magalhães. Avé!

 

(links obtidos via Zero de Conduta)

 

PS: Já agora, caro Bruno Reis, neste post apenas pretendo frisar que não me agrada que as nossas crianças sejam cobaias mundiais de uma pedagogia não avaliada, e que mais ninguém em países desenvolvidos utiliza: colocar PC's dentro das salas de aulas de miúdos de 6 a 11 anos, nas horas que deviam ser utilizadas a aprender segundo os métodos que perduram há milhares de anos - ler, escrever, e contar. Acho óptimo que as crianças tenham alguma exposição, moderada, a computadores, mas nunca como ferramenta de trabalho absorvente numa sala de aula. Se ninguém o faz, pergunto-me: porque o fazemos nós? Seremos assim tão mais espertos que os outros? Se qualquer país o pode fazer, porque razão ficamos nós tão felizes por "inovar" neste plano? Sem uma explicação plausível, e estudos prévios que garantam que não estamos a sacrificar as nossas crianças, parece-me razoável e saudável que haja algum cepticismo e mais exigência dos cidadãos comuns face ao agentes públicos. 


5 comentários:
De Manuel Cintra a 30 de Julho de 2009 às 00:29
Vá vejam o vídeo do encontro com os bloggers. Já que criticaram tanto a falta de imagenssobre o encontro: http://socrates2009.pt/Conteudos/Noticias/Encontro-de-Bloggers-com-Jose-Socrates-(1).aspx
e não se esqueçam de votar Sócrates. Ele é o melhor PM das últimas décadas.
Boa noite


De Ricardo silva a 30 de Julho de 2009 às 00:31
Mas Vcs não têm ideias?? este blog é do Bloco de Esquerda? Só serve para dizer mal do Sócrates. Vcs são do contra


De Rodrigo Adão da Fonseca a 30 de Julho de 2009 às 06:34
Meu caro Ricardo Silva,

Se leu com atenção, vê ali muito que se lhe diga: ou seja, que o ensino seja ministrado na forma clássica - ler, escrever e contar. Se as crianças souberem ler, escrever e fazer contas, em bom nível, serão capazes de qualquer coisa no futuro. Se só souberem jogar joguinhos pedagógicos no Magalhães, por mais "atractivo" que isso seja, vão ficar atrasadinhos da cuca.

Já agora, vá espreitar por mim à varanda, e faça-me um favor: salte.

Ab.
RAF


De Teixeira a 30 de Julho de 2009 às 11:19
A mau cagador até as calças empatam... É o que você caro Bruno, um mau cagador.
Cumprimentos


De joaquim azevedo a 30 de Julho de 2009 às 11:22
Muito interessante essa resposta ao Ricardo Silva.. "salte". É a "democracia " e a boa educação laranja em estado puro.


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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