Sexta-feira, 31 de Julho de 2009
publicado por Maria João Marques em 31 Jul 2009, às 01:07

O programa eleitoral do PS vem propor a regionalização, algo, por acaso, já rejeitado em referendo pelos eleitores e que num país pequeno (que gosta de complicar, é certo) se vê que levaria a mais níveis burocráticos, mais entraves às iniciativas individuais, a mais licenças necessárias e respectivas taxas, a mais funcionários públicos, enfim, a um Estado maior e financiado com mais impostos. Esta proposta do PS tem particular pertinência no momento em que o Tribunal Constitucional vem reconhecer que as objecções do Presidente da República estavam correctas e que o Estatuto dos Açores contém várias inconstitucionalidades. À parte as consequências políticas de minguar ainda mais a força de um governo que fez frente ao PR - de forma particularmente gratuita e ostensiva - e perdeu, valia a pena reflectir sobre o que a novela 'estatuto dos Açores' augura para uma futura regionalização.

 

A Madeira e Alberto João Jardim costumam ser apontados como handicaps da defesa da regionalização, pelo estilo histriónico, pelas faltas de educação, pelo despesismo, pela constante chantagem financeira sobre os vários governos. O que a aprovação do Estatuto dos Açores - aprovado primeiro por todos os partidos e, na segunda volta, por PS, PCP, BE, CDS e alguns deputados do PSD - mostra é que não é o estilo arruaceiro, mas eficaz, de Jardim que prejudicam a defesa da regionalização, ofuscando a nobreza deste desígnio nacional; pelo contrário: é a regionalização que leva a que os líderes regionais, flamboyants como Jardim ou opacos como Carlos César, tenham excessivo poder de influência a nível nacional e obtenham legislação que defenda as suas regiões em deterimento do interesse geral ou financiamentos que não obteriam se não brandissem uma região, neste caso autónoma. Eu não quero a política nacional ao sabor de caciques locais, a la Jardim ou César, que os governates nacionais e os deputados à AR não queiram e não consigam contrariar, temendo vinganças posteriores.

 

Também n´O Insurgente.


6 comentários:
De dom fuas roupinho a 31 de Julho de 2009 às 01:45
Qual o problema dos Açores virem a ser uma nação-irmã


De José Barros a 31 de Julho de 2009 às 03:00
Qual o problema dos Açores virem a ser uma nação-irmã - dom fuas roupinho

De um ponto de vista histórico, seria uma aberração, porquanto não corresponderia a nenhuma vontade séria dos cidadãos, por enquanto portugueses, que habitantes do arquipélago.

Mas do ponto de vista teórico nada contra: desde que vivam exclusivamente dos seus recursos e não fomentem a sua autonomia com o dinheiro dos "continentais". O mesmo vale naturalmente para a Madeira.


De Sr. Obelix a 31 de Julho de 2009 às 11:17
Caros,

a questão é que as regiões autonomas vão querer sempre o melhor dos dois mundos! Por um lado uma autonomia cada vez maior, por outro e a teta do continente continue a alimentar.

Já estou a ver o Alberto João com os submarinos que comprar em 3ª mão a alguém a ir para as desertas andar à estalada com os espanhóis...

Enfim, é bom que o discurso se centre nos problemas sérios do país e não em questões secundárias, como a regionalização.

Cump
Obelix


De jeronimo a 31 de Julho de 2009 às 10:06
100% de acordo. O Ps parece refém dos caciques que querem impor a asneira da regionalização, mesmo depois de o País a ter rejeitado. Não é só no Ps (lembara-se de LFMenezes?), mas o Ps é claramente o que mais apoia este disparate.


De António Monteiro a 31 de Julho de 2009 às 10:55
No caso dos Açores e eu nasci lá, alguns artigos eram uma aberração, desde quando o Presidente da República tem de pedir as orgão da Região autorização para dissolver os parlamento regional, se o não tem de fazer em relação ao da República?
Quanto à regionalização, até para quem diz querer encolher a máquina do Estado, deve ser no minimo uma anedota de mau gosto, ainda ontem o Sr. Miguel Sousa Tavares dizia na TVI e eu subcrevo na integra, querem criar mais uns quantos Alberto João a gastar o que tem e o que não tem dos contribuintes. Vai aumentar o numero de cargos politicos, mais presidentes e parlamentos regionais por todo lado, mais representantes da República, mais funcionários, mais viaturas, enfim, mais despesa incontrolável e desnessessária, tenham dó...por um lado asfixiam os funcionários públicos, por outro esbanjam em jobs for the boys. Ainda lhe vão dar o voto? Votem em branco para os politicos entenderem a mensagem.


De Carlos Estrêla a 31 de Julho de 2009 às 14:11
Sr. José Barros:

Explica-me como eu fosse muito burro, o que é o que "Continente" dá aos Açores?

O que seria Portugal sem os Açores?


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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ótimo blog, parabéns...
Realmente é o pais considerado como o pais do truq...
Conversa de urinol ..... caro boy PS!!!
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meu caro amigo, não duvido das suas competências.....
está completamente certa. Mais... o 12º é pior, po...
nao faz a minima ideia de como existem formandos a...
Esta afirmação de Platão devia estar melhor docume...
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