Sexta-feira, 31 de Julho de 2009
publicado por Tiago Moreira Ramalho em 31 Jul 2009, às 18:37

A entrega de Magalhães por parte do governo foi um disparate total. Já sei, já sei. Vão dizer que sou um reaccionário das tecnologias, que não percebo o extraordinário progresso que tudo isto constituiu, que, que, que. Não quero saber.

Em primeiro lugar, foram financiados com dinheiros públicos computadores que eram produzidos por uma empresa privada. Significa isto que, para além de subsidiar as pessoas que queriam o brinquedo azul, o governo ainda subsidiou uma empresa que só no primeiro trimestre deste ano teve um aumento de vendas na ordem dos 1300% em relação ao período homólogo e que, graças ao Magalhães, se tornou a empresa que mais computadores vende em Portugal (uma quota de mercado de 41%, muito distante da HP com os seus 19% e da Toshiba com 14%). Para além desta promiscuidade assustadora entre o governo e uma empresa privada, que teve o seu auge quando o Primeiro-ministro de Portugal se dignou a servir de agente comercial dos computadores no estrangeiro, há o sério problema dos subsídios dados directamente à compra.
Sabemos perfeitamente que nos dias de hoje não é, para a esmagadora maioria da população, complicado comprar um computador básico com as funcionalidades do Magalhães. Isso leva a que seja simplesmente estúpido que o Estado esteja a aumentar a sua despesa para financiar uma coisa destas. Ou o Partido Socialista julga-se no direito de dizer às pessoas o que é que elas devem fazer? Parece-me um tanto abusivo.
Para além de tudo isto há o aspecto pedagógico. Há muito que saí da escola primária, mas parece-me preocupante que as linhas orientadoras do ensino coloquem crianças que não sabem ler nem escrever a mexer em computadores. Que as crianças o façam em casa, nada contra. Mas que as escolas públicas metam miúdos a navegar na net sem que saibam o escrever frases completas ou ler uma história da carochinha, já me afecta um pouco.

10 comentários:
De Levy a 1 de Agosto de 2009 às 01:29
A promiscuidade ainda é maior: o fabrico do computador foi entregue a essa empresa sem concurso público. Quer menos transparência que isto?

Em relação ao Magalhães em si, não há qualquer fundamentação pedagógica que sustente esta distribuição. Esse computador acabará por ser apenas mais uma moda, como foram muitas outras a que se tem assistido. Há cerca de 13 anos, quando eu fiz o meu estágio pedagógico, a moda eram as calculadoras. Ai do professor que não as utilizasse. Viu-se o resultado.
O Magalhães é mais um exemplo puro de propaganda contra a qual é difícil lutar, porque se trata de dar coisas às pessoas, e é complicado defender que não se deve dar coisas.
Outro aspecto que não está a ser acautelado, é o destino que muitos alunos vão dar aos computadores. Muitos apenas o usam para brincar. Eu já assisti a isso no 2º ciclo do ensino básico: os piores terroristas da escola, que nada fazem e que nada querem fazer, andam a passear-se de Toshiba pela rua.
Outra coisa curiosa, é o governo nunca lhe deu para fazer distribuição de outro tipo de material escolar (livros, cadernos, etc ) e porquê? porque mediaticamente é mais apelativo entregar computadores. A propaganda manda mais que o bom senso.

Em relação aquilo que diz, sobre sobre o que se faz nas escolas públicas com a internet, não é bem assim.
Esses aspectos têm de ser orientados pelos professores, Para esse tipo de actividades existem salas de informática que pertencem à escola. Não é por isso preciso DAR um computador a cada aluno.

Ainda cá estaremos para ver o vai acontecer com esse milhão de computadores, quando se começarem a estragar, quando os alunos se fartarem deles, e quando começarem a deixa-los em casa, como fazem com outro material.


De João Sá a 1 de Agosto de 2009 às 03:00
«Há muito que saí da escola primária, mas parece-me preocupante que as linhas orientadoras do ensino coloquem crianças que não sabem ler nem escrever a mexer em computadores.»

Em tempos também havia quem pensasse que era péssimo que as crianças começassem a mexer num papel e numa caneta antes de saber mexer numa enxada.
As coisas que se escrevem por sectarismo...


De Tiago Moreira Ramalho a 1 de Agosto de 2009 às 08:35
Sabe que respeitar as opiniões dos outros passa por não as apelidar à partida de sectarismo. É que nem toda a gente cria as suas opiniões com base no que os líderes políticos dizem, ao contrário do que se pensa. Mas deixe estar...


De António Monteiro a 1 de Agosto de 2009 às 09:55
A medida "Magalhães" é uma jogada de mestre do PM, primeiro adjudica a uma empresa que até tem dívidas ao estado e que por conseguinte nem podia ser escolhida, assim o estado podia a proveitar para fazer o encontro de contas, depois ganha votos em toda a linha em 2 gerações, primeiro os pais orgulhosos dos "magalhães" dos filhos que os deixam como zombies por horas sem melgar os papás, depois os filhos eternamente gratos ao Sócrates pelo brinquedo, votarão anos mais tarde numa corrida a Belém, vocês são duma inocência.


De assis a 1 de Agosto de 2009 às 10:39
enfim a tanga do costume. em vez de apresentarem propostas sérias e progressistas, preferem continuar a bater no ceguinho; a força motriz desta gente esgota-se aí. é compreensível, pois da última vez que lá estiveram nem assuntos correntes (como a colocação de professores) conseguiam gerir, quanto mais implementar medidas. não foi levy?
o que a gente quer é que volte a tropa fandanga ao ministério da educação para tudo voltar ao mesmo; nada se implementa mas também não chateiam. mas cuidado, antes de ganhar a liderança no psd a manela (quando ainda falava verdade) alertou na renascença "o engenheiro sócrates não pode EM CASO ALGUM voltar atrás na avaliação dos professores". portanto não contem com o ovo no cú da galinha ao votarem no psd. logo eles que não engeitariam uma boa medida sem terem o ónus da constestação (e sabendo que não teriam, com esta direcção, a capacidade política de a implementarem).


De ramo-grande a 1 de Agosto de 2009 às 12:05
Infelizmente as opiniões aqui expressas por pessoas que parece saberem ler e escrever, expressam de modo categórico a indigência do modo de pensar da nossa gente. Um País assente nesta argamassa que consistência poderá ter?
-O que está à vista de todos...


De Levy a 1 de Agosto de 2009 às 17:38
Ainda bem que fala em colocação de professores. Seria interessante ver esta tropa do PS a conceber um modelo de colocação de professores, se a equipa da ministra Maria do Carmo Seabra, depois do desastre que foram os concursos de 2004, não tivesse deixado a máquina bem oleada e a funcionar. Maria do Carmo Seabra foi uma nulidade enquanto ministra, mas teve a virtude de ter metido dentro da DGRHE uma empresa que reengenharia informática, a ATX , que foi quem concebeu a elaborada e eficiente máquina que actualmente faz os concursos, e da qual o Assis tenta tirar dividendos.

As coisas que este governo implementou de raiz (modelo de avaliação de profs e estatuto do aluno) foram maior fiasco de que há memória na 5 de Outubro.

Escusa de tentar colar autocolantes em quem vos critica, porque as criticas são legitimas e necessárias. Dizer que quem critica é porque "quer que tudo volte ao mesmo" é pura táctica política. Se o Assis não concorda com as criticas e com o escrutínio ao Magalhães, tem é que as rebater, ou seja, explicar porque é que vantajoso dar um computador a cada aluno, quais são os objectivos dessa política, porque é que considera que o negocio com a JP Sá Couto foi transparente, porque é que não distribuem outro material em vez de computadores, etc
Em vez disso, o Assis veio colar autocolantes e chutou a bola para o lado, metendo na discussão o concurso dos professores.

Só mais uma coisa: eu falo pelo PSD, e não falo pelos professores. Falo a titulo individual, ao contrário de si que é completamente acrítico em relação ao seu partido.


De Amêijoa Fresca a 1 de Agosto de 2009 às 10:52
Para a brincadeira
o Magalhães é útil,
a azulada bandeira
de uma política fútil.

A análise certeira
de quem sabe ver,
sobre a postura fiteira
de quem finge conviver.


De A. Moura Pinto a 1 de Agosto de 2009 às 14:55
"Em primeiro lugar, foram financiados com dinheiros públicos computadores que eram produzidos por uma empresa privada."
Profundo! De facto, deveriam ter sido produzidos por uma empresa... pública.
Há coisas que afectam mesmo.


De jaime ribeiro a 1 de Agosto de 2009 às 16:14
Companheiros: Não posso estar mais de acordo. Creio que o melhor seria ter encomendado ardósias, com um teclado esculpido, isto é, simulado, para todos perceberem, e com uma moldura de madeira, cor-de-laranja, de preferência. Não havia cá modernices e dava-se mais valia ao trabalho artesanal. Viva! Iremos por este caminho muito longe.


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