Domingo, 2 de Agosto de 2009
publicado por Maria João Marques em 02 Ago 2009, às 20:48

A estratégia do PS passa por fazer esquecer que governou nestes últimos 4 anos e alguns meses e que, antes disso, governou - com casting muito coincidente ao deste governo Sócrates - entre 1995 e o início de 2002, nesta ocasião fugindo de um procedimento por défice excessivo e de um pântano auto-concebido. Na expressão imortal de Guterres, 'é fazer as contas': o PS governou 11 dos últimos 14 anos. Foi, assim, o PS o principal responsável pelos sucessos e insucessos governativos da era pós-Cavaco. Nos primeiros 6 anos, o PS governou com um Presidente da República que, além de insignificante, foi cúmplice do despesismo e da ausência de reformas; governou também num período de expansão económica (agora) invejável. Nos últimos quatro anos o PS governou com uma maioria absoluta parlamentar, comunicação social enamorada (no ínício, pelo menos) e um PR empenhado numa cooperação estratégica (que o PS não descansou enquanto não tornou em cacos). Se os governos PSD-CDS tivessem promovido iniquidades governativas, estava ao alcance do PS desfazê-las nestes quatro anos e quase meio.

 

Parece-me mais ou menos óbvio que neste momento se peçam contas ao PS do que conseguiu com as condições admiráveis de governação de que dispôs neste últimos 11 anos. Para grande espanto meu, há quem não concorde. Os mesmos comentadores que em 2005 desculpavam a falta de preparação de Sócrates para assumir o cargo de PM (recordo-me de um Expresso da Meia Noite na 6ª feira antes das eleições em que vários correspondentes em Lisboa de jornais estrangeiros se afirmavam espantados com a falta de disponibilidade de Sócrates para falar do seu programa e afirmavam a desconfiança de que o candidato não estaria à-vontade nos dossiers) com a sua curta liderança do PS, que incitavam ao voto no PS com uma tal de teoria dos melões, que no início do seu governo errático diziam que Sócrates era 'um predador de boas ideias', agora, no que na realidade não deveria constituir surpresa, preocupam-se em ecoar a estratégia do PS de clamar contra a falta de programa eleitoral do PSD, como se tal correspondesse a falta de apresentação de propostas ou a ausência de ideias de governação.

 

Eu reconheço: tenho vivido muito distraída nos últimos actos eleitorais para a AR. É que estaria disposta a apostar que os programas eleitorais dos partidos costumam ser assim um pró-forma antes das eleições e que, tirando alguns jornalistas e um ou outro eleitor mais consciencioso, ninguém lê os programas eleitorais.  Mas, pelos vistos, não:os programas eleitorais são parte determinante da formação da decisão de voto dos eleitores portugueses e estes estavam todos ansiosamente expectantes para levar uma mica contendo a impressão do programa eleitoral do PSD para as férias de praia, como leitura para as horas em que se deve fugir dos raios ultra-violetas.

 

Com a V. permissão, em especial dos nossos comentadores que até já me deram a honra do epíteto 'bota-abaixista', sem prejuízo de postarmos propostas do PSD, por aqui vou continuar a referir os (in)sucessos do governo Sócrates, os seus indicadores, a afirmar que não pretendo mais do mesmo e que está na hora de mudar desta mediocridade que nos governou 11 dos últimos 14 anos, em boas condições de governabilidade, e que desbaratou o país sem que benefícios na qualidade de vida ou nos serviços públicos se notem. É que, por questões profissionais, estou habituada a pedir satisfações do sumo do trabalho alheio, concretamente quando esse trabalho envolve o uso do meu dinheiro. O caso do governo em funções, portanto.


6 comentários:
De Núncio a 2 de Agosto de 2009 às 21:45
O mais perturbador não é a omissão do facto do pós-cavaquismo ser, essencialmente, guterrismo/socratismo. É o hetero-convencimento de que todos os males do país se devem a um governo que durou 8 meses!

Declaração de interesses: disse-o na altura, e não tenho razão para ter mudado de opinião, que o PSD estava a cometer um erro ao indicar PSL para PM. Um bom autarca não dá necessariamente um bom PM.


De Maria João Marques a 2 de Agosto de 2009 às 23:41
Concordo inteiramente. Também não fui fã de PSL como PM (já o achei um bom presidente da CML, no entanto; cada um tem as suas aptidões), mas não se lhe pode atribuir todos os males do mundo.


De Clara França Martins a 3 de Agosto de 2009 às 09:13
Vocês estão a "esquecer-se" de considerar os anos de governação de Durão Barroso/Ferreira Leite, que bem nefastos foram paa o país.
Quanto a PSL é um facto que foi um péssimo PM, mas também foi um péssimo autarca em Lisboa, tendo estourado as finanças da Câmara sem qualquer escrúpulo nem senso.


De Maria João Marques a 3 de Agosto de 2009 às 12:36
Querida Clarinha,
1. O governo de Durão Barroso durou pouco mais de 2 anos. Se foi assim tão nefasto, o PS teve toda a oportunidade (maioria absoluta, PR cooperante, media benevolentes) para reverter o que havia sido feito de mau.
2. Afinal perece que há dúvidas sobre quem estourou com as finanças da CML...


De jojoratazana a 3 de Agosto de 2009 às 11:25
Nos últimos 29 anos tivemos 15 anos de PSD e 14 de PS ou seja sempre a mesma politica de compadrio, alimentada com os milhares de milhões de euros de fundos comunitários, que serviram para estes partidos alimentarem as suas clientelas politicas bem como os grupos económicos que são o seu sustentáculo.
Este facto vai ser mais uma vez desmascarado depois das eleições, pois no caso de nenhum destes partidos, conseguir formar governo com os partidos chamados do arco do governo não tenho a mínima duvida que PS e PSD formarão um governo a que pomposamente chamarão de salvação nacional afim de garantirem a continuação desta classe instalada em que o único fim é governarem-se em vez de governar o País.
Pois a diferença entre o PS e o PSD é artificial, afim de garantir que os votantes sejam iludidos e pensarem que mudando o voto de um partido para o outro mudam alguma coisa.
Mas confio que desta vez muitos eleitores fartos de serem cúmplices indirectamente das más práticas destes partidos mudem o seu sentido de voto, deixando apenas para os que vivem deste saque o voto no PS e no PSD.
A bem de Portugal
jojoratazana


De Maria João Marques a 3 de Agosto de 2009 às 12:40
Não entendo a razão da escolha de '29 anos', se não para colocar o PSD com vantagem nos anos de governação. Parece-me lógico considerar os 35 anos desde o 25 de Abril, em que predominaram políticas de esquerda, com as consequências que estão à vista.

Quanto ao bloco central, seria um opção com a qual eu discordaria ferozmente - precisamente porque não vejo PS e PSD como iguais, apesar de muitas imperfeições do PSD.


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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ótimo blog, parabéns...
Realmente é o pais considerado como o pais do truq...
Conversa de urinol ..... caro boy PS!!!
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meu caro amigo, não duvido das suas competências.....
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