Sexta-feira, 24 de Julho de 2009
publicado por André Abrantes Amaral em 24 Jul 2009, às 11:57

A 31 de Outubro de 1987, a revista Woman’s Own publicava uma entrevista de Margaret Thatcher que ficaria famosa. Nela, a primeira-ministra britânica, afirmava não existir sociedade. Apenas homens e mulheres e famílias e que nenhum governo as poderia substituir. Estas palavras feriram a sensibilidade política de então e ecoam ainda hoje para estupefacção de muitos. Essencialmente daqueles que acreditam ser possível que um poder central, conduzido por alguns eleitos, decida melhor que cada um de nós sobre a nossa vida.

O mandato legislativo que agora termina fica marcado pelo regresso claro a esta ilusão. A promessa de criação dos 150 mil postos de trabalho, ao mesmo tempo que se aceitava como certa a existência de demasiados funcionários públicos; o empurrão a certas empresas para que fossem campeãs nacionais e tivessem sucesso no estrangeiro; a transformação do primeiro-ministro num comercial de uma empresa de computadores; a convicção de que lidando com as novas tecnologias, as crianças de hoje seriam os adultos perfeitos de amanhã; a aposta em infra-estruturas babilónicas como a satisfação última das nossas necessidades; a atitude cega de que quem discorda apenas atrapalha e impede a concretização dos grandes desígnios sonhados em São Bento. São múltiplos os exemplos que relembram a importância das palavras de Thatcher.

Chegámos a um ponto em que não basta sermos optimistas e fazer figas. O assunto é sério: Ao fim e ao cabo são as nossas vidas que estão em jogo. Se quisermos viver melhor, aguardar por mais e deixar aos que vêm depois de nós algo mais palpável do que temos agora, teremos de ser mais exigentes. Antes de mais, precisamos de respirar, que o estado não nos sufoque com impostos e directivas sobre tudo e mais qualquer assunto que entretanto se lembre.

O futuro passa pela redução da despesa pública, pois só desse modo podemos dar folga às empresas para que contratem mais pessoas. Para que a economia cresça e o país se desenvolva. Ora, a despesa do estado só desce se compreendermos as palavras de Thatcher. O nosso dever de olharmos por todos, começando pelos que nos estão próximos implica não deixarmos essa tarefa para as mãos frias do estado e dos seus burocratas. Cabe a cada um de nós, olhar pela educação dos nossos, pela saúde daqueles que queremos e pelo futuro dos que cuidamos. A nossa preocupação não deve ser a de quem assobia para o lado, mas dos que assumem o risco e as suas consequências, limitando a responsabilidade do estado. É assim que, se o futuro passa pela redução da despesa pública, o seu segredo está em sermos responsáveis pelas nossas escolhas e persistentes na busca dos seus resultados.

Acima de tudo, depois de conseguida a limitação do poder com a instauração da democracia, está nas nossas mãos limitar a responsabilidade governamental. Reconhecer que não é pondo de lado os problemas e entregá-los a pretensos sábios que estes se resolvem. Uma vida melhor começa em nós. O que pressupõe menos estado e mais acção. Acção e entrega individual que é a que conta e a que resulta, sendo os valores que norteiam qualquer sociedade aberta, os nossos alicerces. Num ponto, o Eng. Sócrates tem razão: As próximas eleições vão ser uma escolha de ‘atitude’. Só que será entre a irresponsabilidade socialista e o nosso brio.
 


4 comentários:
De Economista555 a 24 de Julho de 2009 às 12:24
Publicado por Ricardo Reis a 3:59 em Economia, Finanças Públicas, Pensamento Político, Política Nacional

Na minha coluna deste próximo Sábado no i discuto o caminho previsível da despesa pública (carinhosamente apelidada “o monstro” por Cavaco Silva) no seguimento do défice nas contas públicas.

Para escrever a coluna consultei um dado simples para medir o tamanho do monstro: o rácio dos gastos do Estado em consumo público em relação ao PIB. Reuni dados desde o início de 1986 e calculei a taxa anual de crescimento do monstro durante 4 períodos: os governos de Cavaco, Guterres, Durão-Santana, e Sócrates. O que descobri, sinceramente, surpreendeu-me.

O período de maior crescimento do monstro foram os anos em que o PSD estava no poder, com Durão Barroso e Santana Lopes: 0,350,61% por ano. Segue-se Cavaco (0,35%), e só depois Guterres (0,20%) e por fim Sócrates (0,11%). Quer dizer, o grande alimentador do monstro é o PSD, que supostamente é o partido mais à direita e fiscalmente mais responsável em Portugal. E o inventor do termo, numa crítica à governação de Guterres, afinal alimentou mais o monstro do que qualquer governo PS.

O que explica isto em Portugal? Não conheço bem a realidade política no país; pode-me alguém explicar afinal qual é o partido que defende e pratica o corte no tamanho do Estado? Ou estou a perceber mal as divisões políticas, e afinal a diferença entre as preferências dos partidos está na composição da despesa e não no seu tamanho?

(Nos EUA nos últimos 25 anos, a despesa pública durante Clinton foi em média semelhante à durante Reagan e os dois Bush. Por isso, hoje em dia a maioria dos politólogos não distinguem os dois partidos em termos do tamanho do Estado, mas antes na composição da despesa, mais militar no caso dos republicanos e mais no Estado-Providência no caso dos democratas. Isto parece estar rapidamente mudar com o plano de Obama de aumentar o Estado no sector da saúde.)

Uma nota final: Não é minha intenção entrar no debate político de quem é melhor ou pior, mais sério, ou menos determinado. Coloco esta questão, neste espaço de debate, apenas para tentar perceber este facto importante da economia política em Portugal nos últimos 20 anos.


De Tiago Moreira Ramalho a 24 de Julho de 2009 às 12:39
Clap, Clap, Clap

Texto excelente.


De pedrosande@gmail.com a 24 de Julho de 2009 às 12:41

A nova emigração, agora de qualificados, é sem dúvida efeito combinado das políticas Sócrates - Teixeira dos Santos.

Quando Sócrates chegou ao poder, tinha à sua mão Luís Campos e Cunha que estranhamente ou não bateu com a porta. O sorriso tímido de Teixeira dos Santos estava à mão e Sócrates não o desperdiçou.

A política seguinte de ardor patriótico para reposição do deficit público tornou-se assim a mãe de todas as batalhas. Como em Bagdade as boas intenções excederam-se em malévolas consequências. Ao grito tudo contra eles, os pobres agentes económicos, sucedeu-se a luta a bombas de fragmentação contra tudo o que parecia fiscalmente mexer. Recorreu-se a uma nova brigada de destruição: a ASAE em forma de força rápida de intervenção contra todos os que não cumprissem as vírgulas da boa educação! Bombas de vácuo sugaram as empresas, IVAS bestiais funcionaram como bombas de fragmentação contra micro e pequenos empresários mal armados e pouco espojados. A arma canhão contra os zagalotes e as pressões de ar, a bomba penhora, iria aturdir gerações de desenrascas na arte de bem sobreviver da guerra económica. Munições foram distribuídas às grandes corporações, afinal eram elas que iriam locupletar no futuro às carradas os alinhados e bem comportados dos actuais senhores do poder. Cumpriria-se , assim, Portugal que há muito vive estranhas formas de concubinagem.

Hoje é vê-los partir com saudades do futuro. O resultado é o deserto, terra queimada, chorosa, arrastada de desabafos dos pés de gente desanimada e sem vontade, substituída pelo Estado Big Brother que tudo sabe e tudo seca. Qualificados e não qualificados, chorosos de ver a sua pátria madrasta, a mátria de Natália Correia, transformada em verdugo das novas e velhas gerações.

No futuro restarão eles, os outros, amuralhados nos BdP e suas dependências, nababos surdos, cegos e mudos às ilusões de um povo, que centenariamente é despojado da sua condição de ser Português.


De ASG a 24 de Julho de 2009 às 16:09
Como se atreve? Depois do que o querido leader disse:
'ainda está para nescer um PM, etc e tal...´
´não houve governo tão competente e honesto, etc. e tal... ´
Francamente... é mesmo falta de respeito...


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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A luta continua.

Até amanhã camaradas

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Saudações democráticas

Parabéns ao PS

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O Sôtor Elisio Maia fala assim porque depende do a...
ótimo blog, parabéns...
Realmente é o pais considerado como o pais do truq...
Conversa de urinol ..... caro boy PS!!!
Caro amigo anónimo, de facto encontro alguma razão...
meu caro amigo, não duvido das suas competências.....
está completamente certa. Mais... o 12º é pior, po...
nao faz a minima ideia de como existem formandos a...
Esta afirmação de Platão devia estar melhor docume...
Escandalizam-me reflexões como as do artigo da Sra...
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