Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009
publicado por Rodrigo Adão da Fonseca em 03 Ago 2009, às 14:04

Nas épocas de crise, nos momentos em que o nosso modelo civilizacional sofre um revés inesperado, quando o mundo, afinal, reaviva dificuldades que julgávamos ultrapassadas, há tendência para endossar culpas a tudo e todos, menos a nós próprios. Nos últimos meses, encontramos responsabilidades para a crise nas autoridades de supervisão que deixaram falir a Lehman Brothers, nos especuladores do sistema financeiro, nos bancos, nos "gananciosos", vemos condenadas sumariamente correntes políticas supostamente dominantes, "o neoliberalismo" e o "capitalismo selvagem" (que não existem e ninguém defende, mas) que são aparentemente a fonte de todos os males.

 

Esquece-se convenientemente, porém, que não foi a actual "crise" que empurrou o país para a estagnação, antes agravou um estado de letargia que faz do período pós-cavaquista - mais de uma década - uma época de oportunidades perdidas.

 

Toda a parafernália de argumentos desconexos com que diariamente somos bombardeados não é porém inocente, serve de muleta para reciclar um conjunto de soluções que, na sua essência, são a mera repetição das receitas que têm empurrado o país para um recorrente atraso. É caso porém para pensarmos: se supostamente o nosso quadro constitucional nascido do socialismo vive em consolidação há mais de trinta anos, se o PS teve a oportunidade de governar o país durante 11 nos últimos 14 anos, se o resultado actual anda tão afastado daquilo a que aspiramos, será que estamos dominados por "forças sinistras", ou no fundo o país anda a trilhar o caminho errado?

 

O poder político que nos governa está disposto a apresentar qualquer explicação para a actual crise, menos uma: que escolheu e errou no caminho a seguir, e que as soluções ensaiadas que tanto acarinharam produziram - a olhos vistos - resultados completamente diferentes daqueles a que aspiramos.

 

Não há uma só saída para a crise. O caminho para a recuperação não implica um adormecimento no investimento público ou na expansão da despesa do Estado. A solução não está na oneração irresponsável das gerações futuras.

 

O novo caminho tem além disso de ser traçado fora das receitas despesistas porque estas não colhem o consenso da população. O país real recusa mais impostos, mais despesa, desconfia dos grandes investimentos públicos de utilidade duvidosa.

 

Nas próximas semanas, os distintos colaboradores do "Jamais" irão nestas páginas apresentar soluções que mostram que é possível desenhar um caminho diferente que permita abrir um novo ciclo político em Portugal.

 

(publicado hoje no Diário Económico, aqui)


tags:

Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
Vídeo da Semana
autores
posts recentes

Valeu a pena dizer "Jamai...

...

A luta continua.

Até amanhã camaradas

Post final

O novo PSD

"Obrigado Manuela", segui...

Saudações democráticas

Parabéns ao PS

No dia 27, vamos todos vo...

últ. comentários
O Sôtor Elisio Maia fala assim porque depende do a...
ótimo blog, parabéns...
Realmente é o pais considerado como o pais do truq...
Conversa de urinol ..... caro boy PS!!!
Caro amigo anónimo, de facto encontro alguma razão...
meu caro amigo, não duvido das suas competências.....
está completamente certa. Mais... o 12º é pior, po...
nao faz a minima ideia de como existem formandos a...
Esta afirmação de Platão devia estar melhor docume...
Escandalizam-me reflexões como as do artigo da Sra...
mais comentados
links
arquivos

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

subscrever feeds