Quarta-feira, 5 de Agosto de 2009
publicado por José Gomes André em 05 Ago 2009, às 19:29

Este tema começa a ficar estafado, por isso vou fazer quatro observações muito breves.

1. Lamento a incapacidade de Manuela Ferreira Leite adoptar uma postura conciliatória com a oposição interna. Tinha um bom exemplo dos EUA para perceber que muitas vezes a "desunião" faz a força.

2. A escolha de António Preto e Helena Lopes da Costa é desastrada porque retira ao PSD um dos argumentos mais fortes que vinha marcando o partido: a sua luta pela transparência e valores morais na vida política. Dir-me-ão que eram aliados importantes? Mais uma razão para lhes explicar a necessidade de os excluir das listas.

3. Não sou um dos apologistas de que a política precisa de ser modernaça (campo que deixo para a intellegentsia socialista), mas teria sido interessante promover alguma renovação geracional no grupo parlamentar.

4. Dito isto, importa perceber que uma lista para deputados da AR não é a formação de um Governo, nem nada que se pareça. O parlamento é hoje um órgão com um poder limitado no nosso sistema político, que na prática oscila entre as decisões do executivo e a sanção (ou veto) presidencial. Ainda que estas listas sejam decepcionantes, o PSD representa acima de tudo uma alternativa de Governo, e é isso que vai estar em causa no dia 27 de Setembro.

 

[também no Delito de Opinião].


10 comentários:
De Xarope (muito decepcionado) a 5 de Agosto de 2009 às 20:24
E quem são, se faz favor, os putativos membros desse governo? Um deles será talvez o sebastião António Borges, um que contra a opinião de MFL queria privatizar a CGD? Ou talvez Couto dos Santos, João de Deus Pinheiro, Fernando Nogueira, Carlos Borrego?


De José Gomes André a 6 de Agosto de 2009 às 04:02
Não sabia que os ministros e outros membros de um governo tinham de ser previamente deputados.


De Xarope a 6 de Agosto de 2009 às 08:56
De facto, não têm. Mas reparemos nos «Vices»: depois das dessintonias entre MFL e AB, o melhor seria que este não fosse. Quanto aos outros, Rio ficará no Porto, Aguiar-Branco e Mota Pinto são candidatos a deputados. Restam Sofia Galvão e Castro Almeida, que ao que suponho apenas foram secretários de Estado, ninguém conhece e não têm peso político...


De henrique pereira dos santos a 5 de Agosto de 2009 às 20:56
Gostaria de perceber se estando na posição de Manuela Ferreira Leite, havendo a hipótese de ter uma maioria por um deputado, ficaria confortável dependendo do deputado Pedro Passos Coelho, cuja lealdade e lisura de processos tem sido a que se tem visto.
henrique pereira dos santos


De José Gomes André a 6 de Agosto de 2009 às 04:04
Noutras ocasiões critiquei o que considerei serem os excessos de Passos Coelho, que nem sempre demonstrou o fair-play suficiente. Contudo, tanto PPC como MFL deviam ter percebido que primeiro está o país. Uma união não pressupõe uma identificação absoluta de princípios. Naturalmente que acredito que poderia ter havido uma negociação, e que tanto PPC como MFL saberiam honrar os termos acordados.


De Carlos Faria a 5 de Agosto de 2009 às 21:35
Não me choca que Passos Coelhos tenha ficado de fora, quem faz declarações que manifestamente prejudicam o partido durante uma campanha eleitoral como nas últimas europeias, NÃO DEVE ser incluído poucos meses depois como uma mais valia, primeiro precisa de amadurecer, pode até no futuro ser um bom líder do partido, como já tive esperanças, mas não tem lugar neste momento.
Situação contrária se passa com António Preto e Helena Lopes da Costa. Na vida particular existe a presunção de inocência até trânsito em julgado, na gestão da causa pública, devem ser os suspeitos a ter a hombridade de se afastar até a sua inocência estar provada. Não o fizeram estes dois e MFL nem os devia ter sujeitado a esta situação que prejudica efectivamente toda uma estratégia de confiança num dado projecto.


De José Gomes André a 6 de Agosto de 2009 às 04:05
Sobre PPC, remeto para o comentário acima. Sobre a segunda parte, só posso agradecer o seu texto e subscrevê-lo.


De CarlosPinto a 5 de Agosto de 2009 às 21:42
Pois, percebo mas o exemplo dos EUA não tem nada a ver com o caso. Por uma razão muito simples: no Partido Democrata quando Obama venceu as primárias recebeu logo o apoio público e empenhado da Hilary Clinton, mas no caso do PSD quando MFL venceu a eleição para a liderança passou a contar logo nessa noite com a campanha militante de PPC pelas concelhias e meios de comunicação social contra a direcção nacional do Partido que atingiu o máximo do disparate na falta de solidariedade com Paulo Rangel.

O que é diferente é diferente.

Concordo que a escolha de António Preto e Helena Lopes da Costa podia e devia ter sido evitada. Ainda assim dou o benefício da dúvida a MFL.

Antes duma renovação geracional prefiro uma renovação da qualidade política e técnica dos deputados não dependente do bilhete de identidade. Veremos se a renovação qualitativa foi conseguida.


De José Gomes André a 6 de Agosto de 2009 às 04:08
O meu amigo deve ter estado distraído. Obama recebeu imediatamente o apoio público e empenhado de Hillary? Em que planeta? Depois de umas primárias onde se disseram coisas gravíssimas, Hillary demorou séculos a reconhecer a vitória de Obama, manteve-se na corrida quando esta já estava decidida, e só concedeu quando todo o partido a obrigou a isso. As negociações para um acordo posterior demoraram semanas. O caso é diferente porque é um sistema diferente, mas o princípio mantém-se, a meu ver: adversários internos devem ser integrados na dinâmica comum quando estão em causa eleições contra outros partidos.


De Carlos a 6 de Agosto de 2009 às 11:20
A todos vós passou o essencial ao lado. As listas não são PSD-designed são Belém/MFL-architectured. Voilá!

Um grande bem haja


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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