Quinta-feira, 6 de Agosto de 2009
publicado por Nuno Gouveia em 06 Ago 2009, às 12:25

O norte-americano Michael Schudson acredita que desde que a televisão se tornou predominante na cultura da política, esta transformou-se para pior, assumindo-se como um concurso de personalidades. Segundo o académico, a preocupação exacerbada com a imagem teria passado para o centro da acção política. O advento da Internet não modificou esta situação, aprofundando até o poder da imagem como objecto de dissimulação das características reais dos políticos e das suas acções. Esta é uma visão criticável, mas que tem correspondência em vários actores da actualidade.


José Sócrates tem sido um fiel representante dessa caracterização, pois diminuiu a autenticidade da sua acção a níveis mínimos, assentando a sua governação mais na imagem do que nas políticas concretas. Durante os últimos quatro anos assistimos a um leque de anúncios mil e uma vezes repetidos, a um primeiro-ministro propagandístico e desafiante, desvirtuando a realidade e assumindo uma "verdade", que não raras vezes tinha pouco a ver com o real. Quem não se recorda do famoso "estudo da OCDE", da utilização do "Magalhães" nas escolas como elemento de prova da sua modernização, apesar de permanecer um sector mergulhado em problemas estruturais ou até das inaugurações fabricadas, como aconteceu recentemente no Instituto Ibérico de Nanotecnologias. Através das modernas técnicas de vendas, o Partido Socialista tentou exibir uma realidade inexistente ao país e uma imagem adulterada do primeiro-ministro, construída nos gabinetes dos ‘spin doctors'. Sócrates, levando até ao fim esta percepção fantasiosa, até ensaiou mudar de personalidade depois da derrota nas europeias.

A entrada em cena de Manuela Ferreira Leite complicou o deslumbramento fictício que o PS pretendia induzir na sociedade portuguesa. Em primeiro lugar porque a líder do PSD percebeu que a política tinha de regressar ao seu estado de origem, e falar para os portugueses como se estes não fossem seres alienados. A sua estratégia tem-se baseado na primazia da autenticidade sobre o fingido, na valorização da comunicação sobre a propaganda, na hegemonia da realidade sobre a ficção. Em contraste com a linguagem abstracta e surreal de José Sócrates, Manuela Ferreira Leite tem oferecido aos portugueses uma visão honesta da situação do país. Depois de quatro anos submergidos num discurso fantasioso, os portugueses terão uma oportunidade para voltar à verdadeira essência da política. Será também isso que estará em causa a 27 de Setembro.

 

Texto publicado hoje no Diário Económico.



Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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