Quinta-feira, 6 de Agosto de 2009
publicado por Sofia Rocha em 06 Ago 2009, às 12:06

Ninguém me mandatou para falar em nome de uma geração, mas mesmo sem mandato conferido, é mesmo isso que eu vou fazer.

Portugal é um país pequeno, com pouco emprego, poucas universidades, poucas empresas, poucas sociedades de advogados, poucos orgãos de comunicação social, um Parlamento com 230 lugares - que mesmo assim são de mais para o país - que por isso só "oferece" 230 lugares.

No nosso país quem ocupa as cátedras, as presidências das empresas, os sócios das sociedades de advogados, a titularidade e a chefia dos orgãos de comunicação social e os lugares políticos tem, em média, 60 anos ou mais. São as pessoas que eram jovens adultos no pós 25 de Abril, nascidos nas décadas de 40 e 50. São as pessoas que fizeram a historia da nossa democracia, mas ainda não são história.

O problema em Portugal é que já existe uma outra geração, a minha, que tendo entre os trinta e os quarenta tem formação académica, muitas vezes no exterior, experiência profissional, é fluente em línguas, tem mundo. Esta geração tem a natural pretensão de oucupar lugares cimeiros nas empresas, nas cátedras, nas sociedades de advogados, como comentadores oficiais, nas empresas e, claro, na política.

Para a minha geração é fácil olhar para o Paulo Rangel e pensar que ali está o futuro, um homem da nossa geração que furou o bloqueio que parece existir e conseguiu "lá chegar".

Daí até termos todos achado que as listas à AR seriam recheadas de novos " Paulo Rangel", foi um passo. Tal não sucedeu, como, bem vistas as coisas nunca poderia suceder.

Penso que as maiores desilusões sofridas em relação às listas virão desta geração: ainda não temos cabelos brancos e já não temos vida para andar aos saltos como as juventudes partidárias.

Que fazer com o desalento momentâneo? O mesmo que fazemos todos os dias quando nos levantamos e vamos trabalhar para as empresas, universidades ou  sociedades de advogados. Olhamos para o lado, vemos gente menos capaz do que nós a passar-nos à frente, não nos ocorre mudar de local de trabalho a cada três meses por causa de qualquer coisa de que gostamos menos.

Não podemos fazer menos na política do que fazemos na nossa vida profissional: mostrar boa cara, dar o peito às balas e combater.

Temos dois meses para ganhar duas eleições e afastar o PS da governação.


6 comentários:
De Anónimo a 6 de Agosto de 2009 às 12:18
Isso mesmo, e com garra. Por dentro.


De MAF a 6 de Agosto de 2009 às 12:38
Sofia,
Concordo plenamente com o objectivo de afastar o PS da governação (por isso simpatizo com este blog).
Mas acho que há também uma outra alternativa para a sua (nossa) geração: fundar um novo partido, e ganhar as eleições (não estas, claro, que já não vamos a tempo, mas as seguintes) aos partidos da antiga geração. Correr com eles desses lugares mostrando que somos melhores...
MAF


De Fernando a 6 de Agosto de 2009 às 12:49
Concordo totalmente com praticamente tudo o que aqui foi escrito. Apenas não subscrevo a parte do 'desalento momentâneo'. O meu desalento é tão grande que irá alterar o meu sentido de voto. Voto no círculo eleitoral de Bragança que tem como cabeça de lista pelo PSD um ilustre professor catedrático da Fac. Ciências da Univ. do Porto de 62 anos, natural de Penafiel e totalmente desconhecido dos transmontanos. É inaceitável.


De SD a 6 de Agosto de 2009 às 13:11
Caro Fernando,

O partido MMS - Movimento Mérito e Sociedade terá a melhor lista às Legislativas por Bragança, não tenha dúvida. São todos gente da terra, todos entre os 35 e os 40 anos, com elevada formação e com um passado muito digno na defesa da região e no seu mérito pessoal e profissional. É como diz o post, a nova geração de grande valor que tem de aceder à política executiva e neste caso parlamentar.

Cumps,
SD


De am a 6 de Agosto de 2009 às 14:04
Na lista do porto, não a defendendo por motivos óbvios, há 8 candidatos com menos de 40 anos nos 14 primeiros lugares.


De Bruno - Planetas a 7 de Agosto de 2009 às 00:37
Não consigo entender aqueles que hoje aparecem surpreendidos pelo conservadorismo das listas para deputados, pela sua contradição nos valores das escolhas (Preto e Helena C.), pela exclusão de Miguel Relvas e Passos Coelho, pela inclusão de Pacheco Pereira (o oráculo) e Aguiar Branco e outra tralha mais. Ao PSD apenas digo uma coisa, se queriam melhor tivessem escolhido diferente! Depositar em Manuela Ferreira Leite o capital de esperança da construção de uma verdadeira alternativa de futuro não passa afinal de uma manifestação de irracionalidade delirante e até mesmo infantil.

Abraço


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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Realmente é o pais considerado como o pais do truq...
Conversa de urinol ..... caro boy PS!!!
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