Sexta-feira, 24 de Julho de 2009
publicado por Tiago Moreira Ramalho em 24 Jul 2009, às 18:56
Apesar de já ter tocado neste assunto, julgo-o demasiado importante para o encerrar de vez. Ainda para mais hoje o Jornal de Notícias traz uma peça (pág. 8) muito interessante sobre tudo isto.
No seu texto, Eduardo Pitta faz um genuíno apelo à força, que se pode sintetizar de uma forma muito simples: ou dão a maioria ao PS, ou o PS não deixa ninguém governar. Não sei se esta é a posição oficial do Partido Socialista, mas a ser, é demasiado grave. Em primeiro lugar demonstra que o partido de José Sócrates não respeita o voto dos eleitores, isto é, como os eleitores não lhe proporcionam uma maioria, nem relativa que seja, então há-de bater o pé até que a instabilidade mande abaixo o Parlamento. O progresso do país e a estabilidade governativa não interessam, o que interessa é ter o poder. Pois eu vou dar, e estes são números do JN, o exemplo de como se deve fazer oposição no Parlamento (que é muito diferente de fora do Parlamento, como alguns deputados, líderes parlamentares e cidadãos avulsos teimam em não compreender). Ao longo desta última legislatura, em que tivemos maioria absoluta e não eram necessárias pontes com nenhum partido (e todos testemunhámos as fracturas inúteis que se criaram), foi o PSD que apoiou a maioria das propostas do governo (62%), seguido do CDS (52%). Mais abaixo esteve o PCP (45%) e no fim o BE (42%). Já sabemos que alguns dirão que é por ser tudo igual e já estou a adivinhar alguns raciocínios simplificados gritados bem alto com coisas do tipo «não têm alternativas» e tal. Mas não se trata disso. Trata-se, simplesmente, de ter capacidade para respeitar as instituições e honrar o Parlamento que é a casa da democracia. O país é mais importante que os partidos e que os sucessos pessoais nas carreiras de cada um e é incontornável que se compreenda isto para que se saiba ter uma boa vivência democrática.
O Eduardo Pitta diz que o PS nunca iria permitir que o PSD governasse. Mais, diz que a esquerda viabilizaria um governo PS. Os números desmentem-no. A esquerda foi a maior opositora do governo e o PSD foi o partido que mais pontes procurou criar. Provavelmente o Eduardo Pitta julgou que a análise iria amedrontar o eleitorado, mas respondo a tudo aquilo com uma simples pergunta: como é que alguém pode depositar a sua confiança, e portanto o seu voto, numa equipa que não se importa minimamente com o desenvolvimento do país e que tem como único objectivo chegar ao poder, dê por onde der?
Li o texto do E. Pitta quando publicaste no Corta Fitas e também me pareceu inacreditável. Aconteça o que acontecer é no mínimo boa educação, no mínimo, aceitar seja lá o que for acontecer (win with dignity, lose with grace). Esta ideia que temos que lixar os outros sem saber sequer o que eles vão fazer é grave, e é bem demonstrativa do estado do debate político em Portugal.
De fnv a 24 de Julho de 2009 às 21:19
Então bom vento.
De oirrelevanteatento a 25 de Julho de 2009 às 02:49
Trata-se, simplesmente, de ter capacidade para respeitar as instituições e honrar o Parlamento que é a casa da democracia. O país é mais importante que os partidos e que os sucessos pessoais nas carreiras de cada um e é incontornável que se compreenda isto para que se saiba ter uma boa vivência democrática.
A letra é gira. Esqueceu-se foi de postar também a melodia, para que o pessoal pudesse apreciar melhor a musicalidade da coisa.
A opção editorial é que não parece ser grande coisa. Afirmar que o psd foi o principal conivente com um governo que é avaliado assim* (por gente com importância, ao contrário de mim que sou completamente irrelevante) não se afigura como uma ideia muito boa.
*http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=378840
Mas gosto muito da última frase:
como é que alguém pode depositar a sua confiança, e portanto o seu voto, numa equipa que não se importa minimamente com o desenvolvimento do país e que tem como único objectivo chegar ao poder, dê por onde der?
Serve para mais do que um partido, não serve?
Ops!
Não conseguiu mesmo perceber a ideia do post.
Acha que é sensato que um partido de oposição impeça o governo de trabalhar com o mínimo de condições? Provavelmente os 40% de leis que não aprovou foram contra os principios do partido, as 60% que aprovou não.
Além disso, oirrelevanteatento não deve saber que no Parlamento há diplomas conjuntos de bancadas parlamentares. O do financiamento dos partidos (o diploma original, não aquilo que depois foi aprovado em plenário) foi assinado por Alberto Martins e Paulo Rangel.
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