Sexta-feira, 7 de Agosto de 2009
publicado por Maria João Marques em 07 Ago 2009, às 15:45

Hoje, no Sol, José António Saraiva escreve que o problema de José Sócrates é de credibilidade. A licenciatura, a arquitectura na Beira, a negação do convite a Joana Amaral Dias, as pressões a Lopes da Mota (aos quais se poderiam acrescentar o relatório da OCDE que afinal não era da OCDE, o desconhecimento do negócio de aquisição de parte da Media Capital pela PT, ...) levam a que se tenha relutância em acreditar em José Sócrates. Fora isso, escreve JAS, Sócrates até tem jeito para Primeiro-Ministro. É, espanto-me, apontado carisma ao maior produtor nacional de vacuidades verbais, só comparável a algumas personagens de ficção.

 

Eu não discordo do problema de falta de credibilidade de José Sócrates, nem me parece que a falta de credibilidade seja um contra negligenciável num candidato a PM. A falta de credibilidade de José Sócrates é um grande revés na sua candidatura, majorado por se verificar depois de quatro anos como PM e não antes das suas primeiras eleições.

 

Contudo, 'o' problema de Sócrates não é esse - ou não é só esse. O problema de Sócrates é não ter conseguido melhorar os serviços públicos, não ter conseguido reformar a Administração Pública, ter falhado redondamente na Educação, ter aumentado dramaticamente a carga fiscal aos contribuintes para sustentar mais despesa pública sem qualquer consolidação orçamental, não ter cumprido nenhuma das suas promessas de campanha, apoiar-se em obras públicas faraónicas e em brinquedos tecnológicos em substituição de políticas eficazes, ter feito demasiados anúncios e inaugurações para muito pouca realidade - e eu poderia continuar o resto da tarde a enumerar falhanços governativos. O problema de Sócrates é não conseguir mascarar mais os problemas estruturais do país (que não tentou ou não conseguiu resolver) devido à conjuntura de crise internacional. O problema de Sócrates, por fim, é ver-se obrigado, depois das supostas intenções (goradas) reformistas desta legislatura, a apresentar um programa eleitoral para a próxima legislatura de cariz assistencialista e que se caracteriza por prometer dinheiro a rodos como se não houvesse amanhã. A falta de credibilidade de Sócrates resulta mais destes problemas que da sua peculiar licenciatura.

 

(Como já escrevi, o problema de Sócrates também não é a sua - bem real - arrogância.)

 

 



Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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