Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009
publicado por Pedro Picoito em 13 Ago 2009, às 00:05

A entrevista que Campos e Cunha deu ontem aoi merece ser lida com atenção, como já aqui notou Sofia Rocha. Não é todos os dias que o antigo Ministro das Finanças de Sócrates diz estar "firmemente convencido que se os grandes projectos públicos forem todos para a frente vamos ter um longo período de estagnação económica". Ou que é impossível conjugar grandes obras públicas e mais apoios sociais. Estaremos perante outro "neoliberal" que quer o "Estado mínimo"?

A mim, porém, deu-me que pensar outra coisa. Sublinhando a gravidade da situação política a que pode sair das eleições de 27 de Setembro, nota Campos e Cunha que o grande problema está na falta de alternativas à esquerda e à direita porque "nenhum dos líderes é inspirador para a maioria dos portugueses". E acrescenta, sibilino, que a solução poderia ser um bloco central sem Sócrates e sem Manuela Ferreira Leite. "Podem surgir novos líderes, o país exige".

Para meu espanto, ainda ninguém veio repudiar esta sugestão deprimente. Um bloco central como remédio para a falta de alternativas políticas é uma contradição nos termos porque é a negação da própria alternativa. E não me venham outra vez com o fantasma da crise dos anos 80. As coisas são hoje muito diferentes e, mesmo com uma extrema-esquerda a rondar os 20%, não há nenhuma ameaça à democracia que justifique um governo de unidade nacional.

Mas Campos e Cunha engana-se também, quanto a mim, de um modo mais subtil. O paralelo entre Sócrates e Ferreira Leite é ilusório. A aura de homem providencial de que o PS faz rodear o Primeiro-Ministro (basta pensar nos cartazes de campanha literalmente centrados em Sócrates) não tem nada de semelhante à direita. Ninguém no PSD vê Manuela Ferreira Leite como a única pessoa capaz de fazer "avançar Portugal", mas como a melhor opção de momento para combater um mau Governo. Se o PSD procurasse um messias, tinha escolhido Passos Coelho. Não escolheu. E fez bem, como se viu nas últimas eleições. Mesmo com reservas a algumas apostas recentes, de resto criticadas ad nauseam por quem criticaria sempre ad nauseam as suas apostas, acredito que Manuela Ferreira Leite é a alternativa a Sócrates. O ex-ministro Campos e Cunha não acredita e prefere acreditar que "o país exige" novos líderes para o velho bloco central.

De todos os argumentos a favor da União Nacional, o que mais me assusta é a vontade da "maioria dos portugueses". Da última vez, foram quarenta anos com um novo líder. Chegam-me quatro de Sócrates. 

 


3 comentários:
De NP a 13 de Agosto de 2009 às 19:03
"A aura de homem providencial de que o PS faz rodear o Primeiro-Ministro (basta pensar nos cartazes de campanha literalmente centrados em Sócrates) não tem nada de semelhante à direita"

Desculpe, Pedro... Pode indicar-me que pessoas surgem nos cartazes do PSD? E, já que revela tanta atenção aos cartazes eleitorais, pode dizer-me que pessoas aparecem nos actuais cartazes de campanha do PS, PP, BE e PCP?

A sério, faça-me esse favor: saia à rua, veja quem é que aparece nos cartazes dos diferentes partidos e depois diga-me aqui, pode ser?

Muito obrigado.


De pedro picoito a 14 de Agosto de 2009 às 02:02
A resposta ao seu pedido "a sério" está no "literalmente centrado". Leia o que lá está e não o que lhe dá jeito-


De NP a 14 de Agosto de 2009 às 02:48
Pedro,

Julgo ter lido o que lá está. A menos que esteja com uma disfunção visual qualquer.

Provavelmente a mesma disfunção visual que me faz ver cartazes do PS com medidas que foram tomadas nos últimos quatro anos, cartazes do BE com uma película cinematográfica a representar a evolução governativa dos país nos últimos 18 anos, cartazes do PP com retóricas um pouco falaciosas, cartazes do PCP com os chavões habituais e, por fim, cartazes do PSD com uma líder sentada e uma frase qualquer que alguém deixou num call center.

Desculpe, mas aqui não há "jeito" nenhum na leitura do seu post: neste momento, o único partido que tem a imagem do líder nos seus cartazes, sem outros elementos relevantes e, portanto, centrando totalmente a mensagem do cartaz na figura do líder é o PSD.


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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