Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009
publicado por Ana Margarida Craveiro em 13 Ago 2009, às 17:27

Nas linhas gerais para o programa eleitoral, o PSD destacou uma expressão que pode parecer evidente, mas que revela uma mudança significativa: “prioritárias são as pessoas”. E as pessoas são, convenhamos, um bocadinho mais do que simples pagadores regulares de impostos.

 

Temos sido tratados como escravos do NIF. Com este Governo, até os recém-nascidos passaram a estar registados nas Finanças, porque o obrigatório cartão do cidadão assim determina. A medida socialista de fomento à natalidade, a tal dos 200 euros a longo prazo, obriga também a um NIF para a criação da conta bancária. Para o PS, o importante é que nasçam mais contribuintes. Em causa não está a demografia, como é bom de ver. Face à incapacidade de repensar e reformar o edifício fiscal, o programa socialista opta por garantir que toda a criancinha está pronta a preencher a sua declaração anual de IRS. Hoje ou daqui a 18 anos.

 

Durante anos, desenvolveu-se a ideia do Estado como empresa, e dos cidadãos como clientes. Era esta a visão da direita tecnocrática dos anos de Cavaco. Ora, a calculadora e o progresso não podem resumir todo um programa nacional. A política existe num tempo, para destinatários concretos. Nas linhas social-democratas agora conhecidas, a preocupação está, finalmente, nas gerações que nascem, vivem e trabalham, e não em contribuintes abstractos. Ideia vazia? Não, de todo. Conservadora? Com certeza. O PSD propõe que, para além da abstracção do cidadão do Estado, pensemos também nas pessoas, reconhecendo que as políticas de ontem têm consequências em vidas concretas de hoje. É para um contexto muito real que as políticas públicas do PSD serão delineadas, na consciência de que não há caminhos rápidos para o desenvolvimento, como Manuela Ferreira Leite tem bem presente quando se recusa a fazer promessas ou a apresentar soluções milagrosas.

 

Pensar em pessoas significa ainda reconhecer os limites da política. Qualquer medida proposta pelo PSD não terá contornos de panaceia. Até porque a profunda crise que vivemos não será resolvida com um agitar da varinha mágica. Quando se fala em dar a mão às PME, por exemplo, fala-se em apoiar, respeitando, a iniciativa privada. A motivação não é meramente técnica; mais do que números de emprego, mais do que percentagens de PIB, estão em causa pessoas que fizeram as suas escolhas. E estas pessoas merecem que o Estado as frustre o mínimo possível nas suas decisões. Afinal, antes de serem contribuintes, estas pessoas contribuem todos os dias para a riqueza nacional.

 

Hoje, no Diário Económico.


10 comentários:
De NP a 13 de Agosto de 2009 às 18:45
Quanta demagogia... Tantas linhas escritas sem nada de substancial para dizer...

Enfim...

"Temos sido tratados como escravos do NIF"
Como? Em que medida? Que me recorde, sempre existiu NIF, a única diferença é que agora, graças a este Governo, já não é preciso fazer como eu fiz: perder uma tarde numa repartição de finanças para obter um cartão inútil. Isto não é uma medida orientada para as pessoas? Para simplificar a sua vida e a sua relação com o Estado?

"incapacidade de repensar e reformar o edifício fiscal"
Desculpe, tem andado por Portugal nos últimos anos? Mesmo que não tenha andado por cá, não tem acompanhado as notícias portuguesas? Ainda não reparou nas grandes mudanças que foram feitas ao nível da máquina fiscal, da agilização e simplificação de processos? O nome Paulo Macedo diz-lhe alguma coisa?

"garantir que toda a criancinha está pronta a preencher a sua declaração anual de IRS"
Isto melhora: para além de não se avançar nenhuma ideia concreta, ainda se cometem erros de palmatória. É que não houve qualquer alteração recente no que respeita aos critérios que obrigam um cidadão a preencher declaração de IRS.

"Nas linhas social-democratas agora conhecidas, a preocupação está, finalmente, nas gerações que nascem, vivem e trabalham, e não em contribuintes abstractos."
Como? Em que medida? Concretize, diga alguma coisa sobre o assunto. É que logo a seguir a Ana Margarida interroga se esta é uma ideia vaga. Face à qualidade da sua argumentação, a resposta pode, algum dia, ser "Sim"?

"apoiar, respeitando, a iniciativa privada"
Muito bem. Mas como? Como é que se vai apoiar as PME? Como é que se apoia respeitando? O que é que se pretende dizer com isso?

Será possível escrever tanto sem se concretizar uma única ideia? Tanta tinta desperdiçada...


De cão.tuso a 14 de Agosto de 2009 às 23:21
excelente comentário à posta...
"et pour cause"

eu que nunca (jamais) votei à esquerda!
Nasci e vivi no meio de todo o tipo de esquerdoides...

Hoje defendo que se deve votar PS nas próximas eleções. O PS deve ter a maioria. Só assim podemos ter esperança num portugal melhor.
Mais 4 anos de canga e a besta deve acordar... o que não será o seu caso.

Um abraço de um futuro votante PS!





De PSD Hoje a 13 de Agosto de 2009 às 21:32
Parabens! Grande texto... Que tomei a liberdade de divulgar.

PSDHoje


De António F. a 13 de Agosto de 2009 às 23:33
Que belo pedaço de prosa prodigamente isenta de conteúdo...


De HUGO a 14 de Agosto de 2009 às 00:06
AS CONTRADIÇÕES DE JOSÉ PACHECO PEREIRA

Pacheco Pereira escreve contra os“Jotas”……Mas pactua com a sua líder MFL que nas suas listas colocou os JOTAS laranjas com uma forte representatividade, garantindo o 10 a 12 deputados eleitos directamente. se os laranjas ganharem as eleições, com as habituais saídas do grupo parlamentar para o governo, a jsd pode ser numa espécie de terceira bancada ~
ARTIGO DO JPP

Veja-se uma biografia típica de aparelho partidário. Nascimento num meio rural, frequência de curso, abandono do curso "por funções políticas", nalguns casos terminado depois numa instituição de ensino superior privada sem grande reputação de exigência. Típica profissão, por exemplo, "consultor jurídico". Pouco depois de chegar às "jotas" já é chefe de projectos num programa público, por nomeação de um secretário de Estado da juventude (o delegado das "jotas" no governo), adjunto numa câmara municipal, depois vereador. Como vereador dirige-se para os lugares de grande confiança política, urbanismo, candidaturas a fundos europeus, contratos-programa. Depois acumula com as empresas municipalizadas. Está a caminho de ser deputado, e eventualmente secretário de Estado numa área em que também é necessário a máxima confiança partidária, juventude, segurança social, comunidades. Ele sabe o que tem que fazer: gerir lealdades e obediências, empregar membros do partido em funções de chefia, subsidiar aquela instituição de solidariedade nacional "das nossas", "ajudar" o partido na terra X ou Y, a começar por aquela de onde vem.

Tudo isto ainda na faixa dos vinte, trinta anos. O grosso da sua actividade tem a ver com um contínuo entre o poder no partido e o poder na câmara municipal, ou no governo, um alimentando o outro. Com a ascensão na carreira, tornou-se ele próprio um chefe de tribo. Pode empregar, fazer favores, patrocinar negócios, e inicia-se quase sempre aqui no financiamento partidário e no perigoso jogo de influências que ele move. Como dirigente partidário ele é o chefe de um grupo que dele depende e que o apoia ou ataca em função dos resultados que tiver, em apoios, prebendas, lugares, empregos, oportunidades de negócios. Começa a enriquecer, a mudar o seu trem de vida. Já há muito que se habituou a ter carro, telemóvel, almoços pagos ou na função ou pela estrutura do partido que lhe dá um cartão de crédito para "trabalho político". Paga do seu bolso muito pouca coisa e conhece todas as formas de viver gratuitamente. Um amigo empreiteiro arranja-lhe uma casa a preço mais barato.

O seu prestígio social é nulo, mas o seu poder partidário cada vez maior. Entra nos combates partidários a favor dos seus e aliando-se com outros que considera de confiança, ou seja gente com o mesmo perfil. Como sabe que o seu "protagonismo" vem do seu poder interno, é a esse poder que dá a máxima atenção. Distribui favores e quem quiser um favor tem que falar com ele no seu território. É ele que interpreta as "bases", logo é ele quem deve escolher os deputados e qualquer nomeação governamental na sua área de influência tem que ter o seu beneplácito. Se a sua ascensão o leva ao topo do poder partidário, já não convive apenas com o empreiteiro local, mas com banqueiros, advogados de negócios e embaixadores. E os negócios em que entra são cada vez maiores.

O seu sentimento de impunidade é já total. Até um dia. E é nessa altura que alguns, muito, muito poucos, caem de um dia para o outro, embora ainda menos sejam condenados. E alguns deles, os mais populistas, ainda conseguem voltar a eleger-se, mantendo os mecanismos do seu poder. A justiça conta pouco, mas, de vez em quando, há um acidente de percurso.

É exactamente porque os partidos políticos, a começar pelas suas direcções, pouco fazem para evitar este tipo de carreiras, ou porque não querem complicações (e esta gente é capaz de gerar enormes complicações) ou porque não podem (sentem-se impotentes e não tem nos partidos forças endógenas para a mudança profunda que é necessária), que têm responsabilidade nos crimes que se possam cometer no seu topo.

Já não me refiro à sua base ou às estruturas intermédias, mas no seu topo.

E assim é que se degrada a democracia.


De Mário Cruz a 14 de Agosto de 2009 às 16:09
Não percebo porque é que este comentário sobre os jotas aparece aqui. No entanto, lendo-o, fui recordando o passado de José Sócrates, e parece-me quase uma biografia do rapaz. Será por isso que foi tão mau primeiro-ministro? ;-)


De João Pedro a 14 de Agosto de 2009 às 00:11
Minha menina, que grande salganhada...


De Carlos Botelho a 14 de Agosto de 2009 às 00:44
Exactamente.


De Zé da Burra o Alentejano a 14 de Agosto de 2009 às 09:33
"SEM EMPREGO A CRISE MANTÉM-SE "
Todos sabemos que a intervenção humana é cada vez mais prescindível; um dia será apenas residual nas fábricas, laboratórios, escritórios e lojas... Assim, o emprego não recuperará se não se alterar a redistribuição da riqueza produzida. Só isso iria criar alternativas de emprego em sectores de lazer e outros como alternativa aos que se perdem por via do aumento da produtividade por força das novas tecnologias da informática e automação.

De contrário, espera-nos mais desemprego e miséria: Haverá alguns (poucos) muito ricos, que benificiam dos lucros dessas grandes empresas e muitos milhões de excluídos. A classe média tenderá a desaparecer por isso. Este cenário tem sido objecto de filmes "futuristas" mas o futuro está já aí. Solução: recusar este estilo de "globalização selvagem" e exigir aos países que escravizam a sua mão de obra que concedam condições dignas de vida às suas populações para poderem exportar para os países ocidentais e não ser o ocidente a copiar os métodos desses países. Todos sabemos que o custo da mão de obra é insignificante para o cálculo do preço final dos produtos produzidos nesses países.


De Silva a 14 de Agosto de 2009 às 19:37
Acho que o NP, tem toda a razão. Este governo é fixe, e não somos nada escravos do NIF.

Camarada, diz lá ao Sócrates que eu estou aqui para o defender também, e vê lá se me arranjam também alguma "coisita" para mim, se me percebes: ando farto de trabalhar ;)


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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