Sexta-feira, 14 de Agosto de 2009
publicado por João Gonçalves em 14 Ago 2009, às 21:05

«Há um erro essencial em transformar um chefe de partido no árbitro da honestidade dos militantes. Manuela Ferreira Leite deixou essa função aos tribunais (que por enquanto não desapareceram) e tratou legitimamente de "fazer" o grupo parlamentar que lhe convinha. Os protestos do PSD vieram de quem deviam vir e não impressionaram ninguém. E, fora dele, só os mais cegos fiéis de Sócrates, como infelizmente o renascido dr. Soares, resolveram achar que ela se dera um tiro no pé. Não deu. Nem quando recusou o papel de juiz. Nem quando correu com Pedro Passos Coelho e com a respectiva comitiva. Tolerar (e desculpar) um cavalheiro que pública e constantemente se ofereceu como substituto dela era com certeza a melhor maneira de promover a crónica indisciplina do PSD e, em última análise, a desconfiança do eleitorado. Uma ou outra boa alma também se aplicou a criticar o "quero, posso e mando" de Ferreira Leite. Esses democratas de ocasião chegaram presumivelmente anteontem da Lua e perderam portanto o embaraçante espectáculo do PSD, desde que Marques Mendes saiu. Sem uma autoridade fixa e até, eventualmente, brutal, o partido deslizaria outra vez para a "federação de câmaras" (à mistura com algumas "distritais"), que dia a dia se afundava na intriga e na irrelevância. As "listas" de Manuela, embora longe da perfeição, não a entregam à pasmosa irresponsabilidade dos "notáveis" e, num tempo de crise, isso é sem dúvida o ponto principal. »

 

Vasco Pulido Valente, Público

 


9 comentários:
De Mário Cruz a 14 de Agosto de 2009 às 21:16
Nem mais. Nem sempre concordo com o Pulido Valente mas é evidente que é inteligente e pensa pela própria cabeça. Neste ponto, sobre as listas concordo a 100%


De fcr a 14 de Agosto de 2009 às 22:09
E se os dois arguidos forem condenados?


De Núncio a 14 de Agosto de 2009 às 23:01
Opera a suspensão do seu mandato. Qual a dúvida?
A pergunta pertinente é a outra: e se, privados antecipadamente do direito político de se candidatarem, fossem depois absolvidos?


De ruy a 14 de Agosto de 2009 às 22:37
É inadmissível que Nogueira Pinto, escolhida por Ferreira Leite nas listas do PSD às legislativas, posicionada em quarto lugar em Lisboa, venha manifestar publicamente o seu apoio a António Costa para as próximas autárquicas em Lisboa, como pode ler-se na recente entrevista que deu ao Diário de Notícias.
Que a senhora colocasse a cruzinha na lista de António Costa, tudo bem. Agora, que venha manifestar publicamente esse apoio, com o estardalhaço que lhe é peculiar, é que não lembraria ao diabo.
Mais cedo do que seria de esperar se verifica o tremendo erro da opção de Ferreira Leite. Um líder de um partido de alternância não pode cometer erros tão grosseiros quanto este. Com Ferreira Leite, os erros repetem-se com demasiada frequência. Não possui seguramente dimensão para ser líder do PSD. Como por outras razões Passos Coelho. Chamem Paulo Rangel, quanto antes, ou arriscam-se a perder as eleições legislativas que há um mês previsivelmente estariam ganhas.


De Mário Cruz a 15 de Agosto de 2009 às 00:56
Oh meu caro Ruy, não seja catastrofista. A Manuela não foge às suas responsabilidades. Gostava de ter sabido a sua opinião quando ela escolheu o Rangel para as europeias...

Um lider corta em frente, como deve ser. Aconselho-o a reler o artigo de Vasco Pulido Valente.



De ruy a 15 de Agosto de 2009 às 13:14
Mário Cruz, parece estar na moda esse paternalismo vácuo de chamar os outros de castratofistas. Enfim.
Não vejo como o texto de VPV pode elucidar alguém. Devo alias dizer-lhe que concordo com a exclusão das listas de Passos Coelho. Agora que a inclusão de lopes da costa, nogueira pinto e antonio preto, foram erros inadmíssiveis e não são VPV e outros que tentam branqueiar a situação que alteram esta facto, situação que de modo absolutamente gratuito e escusável, MFL criou.
Mfl desbaratou todo o capital politico que Paulo Rangel soube ganhar nas europeias. Com os casos da PT/PRISA, e com o episódio "rasgar das politicas sociais de socrates"não tanto pela afirmação mas pelo desmentido. Depois disto, MFL recolheu-se ao silêncio com receio de mais gaffes semelhantes e deixando caminho livre para a propaganda de socrates que se passeia por esse País fora com o maior dos àvontades, lamentavelmente com um PSD e seu lider na sombra. Imperdoável.


De Mário Cruz a 15 de Agosto de 2009 às 19:32
Caro Ruy,

Se insiste em falar em Paulo Rangel eu insisto em lhe perguntar o que pensou, em Maio passado, sobre a brilhante decisão da líder do PSD quando o indicou, no timing que ela escolheu, para cabeça de lista das europeias? Pensou, como o MRS, os média e os inimigos políticos do PSD que era um tiro no pé? Compare só os comentários da altura com os de agora e quem os emitiu.

Quanto ao resto não vou bater mais na mesma tecla. A lider decidiu, os orgãos do partido aprovaram.

Precisavamos de uma líder e finalmente temo-la. Fico muito feliz por isso.

No tempo de Sá Carneiro o líder tomava as decisões os orgãos do partido votavam e avançava-se com clareza. Quem não gostava saía. Saiu Mota Pinto, saiu Magalhães Mota. Sá Carneiro ganhou as eleições. Estamos entendidos?

Sempre democraticamente ao dispor.


De ruy a 15 de Agosto de 2009 às 20:47
Caro Mario c«Cruz
Só duas questões. Quanto a Paulo Rangel, não criei nem deixei de criar expectativas. PR nunca tinha passado por uma situação semelhante. Saiu-se muito bem candidato lider às europeias pelo que ninguem, nem mesmo MFL npoderia antever o comportamento deveras positivo que teve.
Quanto a Sá Carneiro, por favor, não queira fazer comparações. Recordo-lhe apenas algumas palavras de Sá Carneiro

"A evolução da socialdemocracia a partir dos fins dos anos 50 foi nitidamente esta: a conciliação dos valores liberais fundamentais com um regime económico que rejeita o capitalismo liberal. Para que as liberdades sejam desenvolvidas e se dê satisfação à justiça social a social-democracia rejeitou, e bem, o capitalismo liberal e enveredou por outras formas económicas em que é mais importante uma política de preços de rendimentos, de salários, de justa distribuição de rendimentos, de participação dos trabalhadores nas empresas e nas próprias decisões conjunturais do que propriamente da propriedade dos meios de produção.

Numa social-democracia, o que é característico é o apoio dos trabalhadores industrializados: e esse apoio é tanto mais significativo quanto mais o País estiver industrializado. As sociais-democracias do Norte da Europa, por exemplo, nasceram com o apoio dos operários da indústria, mas também de agricultores, de pescadores e de pequenos comerciantes, tal como no nosso país. A nossa base social de apoio é tipicamente social-democrata. O nosso programa é um programa social democrático avançado, em relação, por exemplo, ao programa do S.P.D. alemão - e, portanto, isto afasta qualquer deturpação que se queira fazer no sentido de nos apresentar como partido liberal ou democrata-cristão, o que são puras especulaçõestendenciosas que não têm qualquer base.

É que a social-democracia, que defendemos, tem tradições antigas em Portugal. Desde Oliveira Martins a António Sérgio. É a via das reformas pacíficas, eficazes, a caminho duma sociedade livre igualitária e justa. Social-democracia que assegura sempre o respeito pleno das liberdades."

Francisco Sá Carneiro


De Mário Cruz a 16 de Agosto de 2009 às 01:12
Ruy, não vou insistir. Perguntei-lhe, três vezes, qual foi a sua posição quando a Dra. Ferreira Leite apresentou as listas às eleições europeias. Não quer responder não responde.

Entretanto não me parece ser, nem o momento nem o local adequado para discutirmos Bernstein.

Saudações sociais democratas.


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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