Sábado, 15 de Agosto de 2009
publicado por Ana Margarida Craveiro em 15 Ago 2009, às 00:10

Uma professora de Português e Francês, Maria do Carmo Vieira, dá esta semana à Visão uma interessante entrevista, onde realça vários pontos sobre o estado da nossa des-educação.

1.    O Ministério abraçou completamente a doutrina da “escola como prazer”. O aluno é o centro, e as suas vontadinhas devem ser respeitadas. Mais do que um espaço de ensino, a escola é vista como uma legitimação da ignorância do aluno. Não se acrescenta nada à forma rudimentar de linguagem que o aluno traz de casa (vejam-se os glossários das provas de português), adaptam-se os textos de leitura obrigatória a estruturas de pensamento pouco sofisticadas, que não puxem muito pela pobre criança. Trazer a consola de jogos para a sala de aula é bem capaz de ser só a ponta visível do icebergue: mais grave serão os cortes, por exemplo, na leitura dos clássicos.

2.    A escola pública tem inscrita nos seus princípios a promoção da igualdade de oportunidades. Partimos de pontos de partida diferentes, mas temos todos direito a um ensino de qualidade, que nos permite assumir as rédeas da nossa vida. Em teoria, podemos acordar neste princípio, e seria de esperar que o Ministério fosse o primeiro a promovê-lo. Maria do Carmo Vieira vem dizer-nos que não é bem assim: pelos vistos, algumas crianças são melhores do que outras, de quem pouco se espera. A expressão usada por uma professora do Ministério para designar miúdos de um bairro carenciado terá sido “esses coitados”, a quem não se podia ensinar Fernando Pessoa. Pelos vistos, para o Ministério, nascemos com o destino marcado, e não há escolhas que o possam alterar. Faz sentido: a esquerda sempre teve problemas com a capacidade individual para a escolha, e com a responsabilização do indivíduo. Assim, temos um ministério a arrumar a sociedade por ordens fixas, evitando os necessários problemas que decorrem da mobilidade social. É a sociedade perfeita do homem novo, em que as gerações se sucedem em harmonia, evitando quaisquer acasos sociológicos que contrariem o meio em que nasceram.

Junte-se a isto o estatuto do aluno, que impede o chumbo, premiando a preguiça e ignorância, as absurdas equivalências ao 9.º ano (ser jogador de futebol, por exemplo, basta), o facilitismo generalizado em todos os níveis de ensino. O PSD propõe-se agora a olhar novamente para o ensino básico e secundário, e tentar arrumar a casa. É um back to basics, que muita confusão faz aos modernaços dos pedagogos da estatística, mas que se impõe como necessidade absoluta. Não chega olhar para as estatísticas dos doutoramentos; é imperativo termos um ensino básico e secundário de qualidade, que prepare as pessoas não só para as profissões que exercerão, mas para a vida. É na escola que se aprende a pensar; é na escola que nos são dadas as ferramentas para fazermos escolhas na vida. O verdadeiro interesse nacional está aí, numa sociedade bem formada, que consegue pensar criticamente, e a quem a possibilidade da mobilidade social não é negada por decreto.



Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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