Sábado, 25 de Julho de 2009
publicado por Tiago Moreira Ramalho em 25 Jul 2009, às 13:01

O Estatuto do Aluno (Parte 1)
 
A Lei 3/2008, que veio alterar o Estatuto do Aluno, é um documento vergonhoso e que só não foi alterado por manifesta falta de capacidade de assunção do erro.
No seu artigo 22.º, o mais escandaloso de todos, é feito algo inédito: colocam-se numa mesma situação alunos cujas faltas sejam justificadas (por doença, por exemplo) e alunos cujas faltas sejam injustificadas (não é necessário exemplo). «Sempre que um aluno, independentemente da natureza das faltas», reza assim o artigo, se exceda o limite de faltas, o aluno fica nas mãos do Conselho de Turma. Supomos, claro, que os Conselhos de Turma são compostos por pessoas sensatas e que não vão reter um aluno que esteve doente. No entanto, a própria situação de um aluno ver o seu caso «avaliado» em relação a medidas correctivas quando as suas faltas são justificadas é inaceitável.
Depois existe a própria prova de recuperação. Por princípio esta prova é algo de muito interessante: o aluno falta e a escola vê o que é que o aluno perdeu para que possa ser recuperado. Penso que a medida faz mais sentido no caso das faltas justificadas (em que o aluno faltou involuntariamente) do que no caso das faltas injustificadas, mas de qualquer modo, não me choca a generalização. O problema de tudo isto é que a prova, cuja responsabilidade não se sabe de quem é, dado que a Lei a dá ao Conselho Pedagógico e o Despacho posterior a dá ao professor da disciplina (e como o despacho veio depois, tem sido a referência para a actuação das escolas) é uma prova feita por uma pessoa para outra pessoa. Ao contrário dos testes, que são feitos por uma pessoa para muitas pessoas, estas provas são individuais. Ora, esta individualização das provas dá azo a que não sejam feitas de forma justa: supomos que os professores na sua generalidade são profissionais, mas em todas as profissões há pessoas menos dignas. Não se percebe, portanto, porque é que a responsabilidade de realização das provas não é de um grupo em vez de um indivíduo. Uma possibilidade a discutir seria a realização por parte do grupo da disciplina ou por parte do Departamento.
Estas são as questões relativas à própria lei, que é um péssimo produto. Existem também as questões relacionadas com a actuação do governo em relação à contestação gerada, mas isso ficará para um outro post.

38 comentários:
De Daniela Major a 25 de Julho de 2009 às 13:22
O grande problema deste estatuto, em especial do artigo que falas, é que põe no mesmo saco alunos que faltam por necessidade e outros porque são baldas. E não é só isso. Há outro aspecto quanto a mim mais grave. Os alunos não se apercebem que este estatuto é benéfico para eles. Porque não é mais que entraves ao chumbo. Antigamente, tinha-se um determinado número de faltas e chumbava-se. Agora, ainda se faz uma medida correctiva e um exame. Ou seja, são entraves ao chumbo.


De Tiago Moreira Ramalho a 25 de Julho de 2009 às 13:27
Mas eu concordo com a realização da prova. Não concordo é com o método...


De Joaquim Amado Lopes a 25 de Julho de 2009 às 13:51
Tenho a opinião (quase) oposta à do Tiago.

Em primeiro lugar, os alunos não devem passar de ano apenas por terem ido às aulas mas essencialmente por terem adquirido os conhecimentos/competências que é suposto adquirirem.
Um aluno pode não ter culpa por não ter ido às aulas mas a escola, os professores, os outros alunos e quem o vai contratar quando terminar os estudos não têem de certeza culpa por ele não ter aprendido o que é suposto aprender durante a vida escolar.

Devem existir planos de recuperação e devem ser feitos exames, independentemente de as faltas serem justificadas ou não.

Em segundo lugar, a prova de recuperação não deve ser generalizada (para os que justifiquem e para os que não justifiquem as faltas), no sentido de ser igual para todos, porque isso é promover o absentismo e a desresponsabilização.

Se um aluno pode faltar apenas porque sim e passar o ano através de uma prova individual (com a elevada probabilidade de os avaliadores serem "sensíveis à situação do aluno" e/ou "não quererem sujeitá-lo ao anátema da reprovação" ou "tomarem em consideração" as estatísticas em detrimento da justiça e da sua própria responsabilidade de avaliadores), então estaremos a generalizar as "Novas Oportunidades" na sua pior vertente, que é distribuir certificados em vez de formar.

Frequentar a escola e ir às aulas cumpre um objectivo que excede em muito a mera aquisição de conhecimentos.
Frequentar a escola e ir às aulas promove a socialização dos jovens em formação e a sua integração numa sociedade estruturada com direitos e deveres, com funções e responsabilidades.

Quem não vai às aulas porque não lhe apetece deve ser responsabilizado por isso. Não apenas lhe deve ser exigido que compense essas faltas como se deve ser ainda mais exigente com esses alunos do que se é com os outros.

Se o aluno não aceita essas regras ou continua a faltar, então é responsabilidade dos pais (ou do Estado, se este forem incapazes de o fazer) colocá-lo no caminho certo.


De Tiago Moreira Ramalho a 25 de Julho de 2009 às 14:03
Provavelmente haverá algum problema de comunicação, porque não discordamos tanto assim.

1. Concordo plenamente que o importante é a obtenção de conhecimentos/competências.

2. Devem ser feitos planos de recuperação se os alunos faltarem justificadamente, na minha opinião. Se o aluno faltou «sem querer», por impedimento, é dever da escola transmitir as competências à mesma.

3. Também penso que os que têm faltas injustificadas não a deveriam ter, tal como escrevi. Mas o facto de a terem não é para mim o mais chocante nisto tudo.

No fim, acho que concordamos no facto de o diploma ser um lixo.


De Joaquim Amado Lopes a 25 de Julho de 2009 às 14:51
Tiago,

Discordei de "Supomos, claro, que os Conselhos de Turma são compostos por pessoas sensatas e que não vão reter um aluno que esteve doente."

Um aluno não é retido por ter estado doente. Deve ser retido, independentemente de ter estado doente ou não, se não tiver adquirido as competências e os conhecimentos que era suposto ter adquirido.
Reter um aluno que esteve doente não tem nada a ver com sensatez.

Assim como discordo de "Se o aluno faltou «sem querer», por impedimento, é dever da escola transmitir as competências à mesma."

A escola não pode ter como dever transmitir competências independentemente das condições, atitude e comportamento do aluno.
O dever da escola é o de, no que dela dependa, criar as condições para que o aluno possa adquirir as competências.

Nem a escola pode obrigar o aluno a adquirir competências nem é pleni-potente para ultrapassar todas e quaisquer condições (ou falta delas) que limitem o aluno.
Se o aluno, por razões de saúde, falta o ano todo, como é que a escola pode cumprir o "dever" de lhe transmitir as competências sem ser dando-lhe a oportunidade de frequentar o mesmo grau no ano lectivo seguinte?


De Tiago Moreira Ramalho a 25 de Julho de 2009 às 15:08
Joaquim,

Se um aluno adoece e por isso falta às aulas, ele não está a usufruir de um serviço a que tem direito (segundo o nosso quadro, é o que temos e não vou discuti-lo aqui na caixa, apesar de ter muito para dizer). Ora, pelo facto de ele não ter usufruido do direito, ainda por cima involuntariamente, ele tem direito a que se lhe dê o que lhe falta. Quando falo de retenção aqui é no seguimento da prova de diagnóstico ou recuperação que se faz após o excesso de faltas. Suponho que o Joaquim esteja familiarizado com ela. Não penso que seja correcto que um aluno que chumbe nessa prova porque não conseguiu estar a par da matéria por ter estado internado, por exemplo, possa chumbar devido a ela. Claro que um aluno que falta o ano inteiro, mesmo que tenha o programa de recuperação, tem de fazer os testes ordinários e submeter-se à avaliação final e aí se apurará se aprendeu o que tinha a aprender. Eu aqui só falo da questão da prova que é imposta pela lei.


De Joaquim Amado Lopes a 25 de Julho de 2009 às 16:02
"Quando falo de retenção aqui é no seguimento da prova de diagnóstico ou recuperação que se faz após o excesso de faltas. (...) Não penso que seja correcto que um aluno que chumbe nessa prova porque não conseguiu estar a par da matéria por ter estado internado, por exemplo, possa chumbar devido a ela."

Chumbar no final do ano porque não recuperou a matéria perdida durante a ausência isso deve ser independente dos motivos da ausência.

O que não é correcto é passar um aluno que não adquiriu os conhecimentos/competências que era suposto ter adquirido.


De Tiago Moreira Ramalho a 25 de Julho de 2009 às 16:07
Vou tentar ser esquemático:

Há dois planos distintos, paralelos: o da prova de recuperação e o da avaliação final.

A prova de recuperação, imposta por lei, não deve para mim levar a uma retenção do aluno. Até porque um aluno que não sabe a matéria naquela prova pode aprendê-la a seguir: a avaliação é do ano.

Na avaliação final, se o aluno não souber a matéria que é suposto saber, não pode passar.

Eu penso que o meu pensamento é claro, mas deve mesmo haver aqui um qualquer problema de comunicação.


De Joaquim Amado Lopes a 25 de Julho de 2009 às 16:26
Tiago,

A prova de recuperação só é feita DEPOIS de "avaliados os efeitos da aplicação das medidas correctivas".

Não encontrei nas medidas correctivas (art. 26º) a possibilidade de aulas extra ou acompanhamento especial por professores mas assumo que isso esteja previsto.

O aluno só poderá ficar retido se não tiver aprovação na prova de recuperação E ponderados "a justificação ou injustificação das faltas dadas, o período lectivo e o momento em que a realização da prova ocorreu e, sendo o caso, os resultados obtidos nas restantes disciplinas".

Com todos estes factores a serem ponderados, não me parece que as faltas serem justificadas deva ser determinante para que o aluno não seja retido nesse ano lectivo.

Se discordamos neste aspecto, discordamos. Esta é uma matéria de opinião e não de facto.

Um abraço.


De Tiago Moreira Ramalho a 25 de Julho de 2009 às 16:30
Joaquim,

O acompanhamento especial vem depois da prova caso o resultado seja negativo. Só assim faz sentido. A prova é um diagnóstico de carências de conteúdos/competências.

A retenção ocorre no seguimento das faltas (nesse caso) e não no seguimento de uma falta de conhecimentos do ano no seu todo. Por isso é que não faz sentido que o aluno com faltas justificadas chumbe: ora o desgraçado não pôde ir às aulas, fizeram-lhe uma prova sobre aquelas aulas sem que ele tivesse podido por-se a par da matéria, é natural que chumbe. Depois vem o plano especial de recuperação, para que haja uma possibilidade de o por a par daquilo que perdeu involuntariamente.

Claro que se nos testes posteriores o aluno tirar negativas, chumba no fim do ano...


De Joaquim Amado Lopes a 25 de Julho de 2009 às 16:41
Creio que há mesmo um problema de comunicação ou então sou eu que sou incapaz de perceber algo que deve ser relativamente simples.

Se a prova é "um diagnóstico de carências de conteúdos/competências" e a seguir vem o "acompanhamento especial", não estou a ver como é que um aluno chumba o ano como consequência directa da prova.

No limite chumbará o ano porque, depois de ter perdido uma parte da matéria por ausência (justificada ou não), o acompanhamento especial não foi bem sucedido em o fazer recuperar o suficiente.

Ora, se o "desgraçado" termina o ano sem ter adquirido as competências/conhecimentos que era suposto, é justo passá-lo para o ano seguinte?


De Tiago Moreira Ramalho a 25 de Julho de 2009 às 16:48
Veja a dificuldade de explicar este Estatuto a alguém «de fora».

A prova é de diagnóstico de falhas de aprendizagens durante as ausências. O problema é que se um aluno faltou involuntariamente (esteve no hospital, por exemplo) irá chumbar, porque não teve oportunidade para recuperar sozinho. Ora, não é justo que o aluno chumbe o ano todo apenas porque reprovou naquela prova (coisa que a lei permitia e o despacho alterou) que, para além de ser sobre matéria dada quando ele faltou «sem querer», não tem a matéria do resto do ano e a avaliação é contínua e global.

Mas isto é só relativamente aquela prova.

Se no decorrer do ano o aluno não conseguir aprender a matéria que é suposto aprender, chumba, como é óbvio.... (também era o que faltava se assim não fosse...)


De Joaquim Amado Lopes a 25 de Julho de 2009 às 17:39
Peço desculpa na insistência mas, apesar das minhas óbvias limitações, quero mesmo perceber isto.

A prova de diagnóstico é eliminativa? Ou seja, uma prova que é feita para DIAGNOSTICAR as falhas do aluno e determinar o que é necessário para as corrigir, pode resultar no chumbo imediato do aluno?
Pelo que escreveu, (já?) não é assim.

Se (ainda?) é (diagnóstico negativo => chumbo), concordo com o Tiago que isso é um absurdo e gostava de saber o que acontece ao aluno. Frequenta as aulas durante o resto do ano lectivo, sabendo que já chumbou e que não interessa quanto trabalhe nem o que recupere?

Se (já?) não é, então não percebo o que o Tiago contesta. Defende que um aluno que falta por motivo de doença seja avaliado no final do ano de forma mais "flexível" do que os outros?


De Tiago Moreira Ramalho a 25 de Julho de 2009 às 17:47
Nós até já nem estamos a falar propriamente daquilo que me levou a escrever o post, que, lembro, se prendia com a transparência na formulação da prova, e o facto de a lei ser um mau produto global - tanto que obrigou a um despacho inconstitucional sobre o qual falarei amanhã.

Ora, respondendo às perguntas:

1. A prova é eliminativa no caso de as faltas não serem justificadas na sua totalidade. Se houver faltas injustificadas, essa prova pode levar sim a um chumbo (coisa que não me parece propriamente positiva, mas aqui tenho dúvidas).

2. O aluno fica retido, não vai mais às aulas e não importa o trabalho que faça no resto do ano.

3. O fim do ano não está aqui em discussão. Eu não estou a falar do fim do ano neste momento. Estou a falar das consequências da prova que resulta das faltas do aluno.
No fim do ano todos são avaliados da mesma forma.


De Joaquim Amado Lopes a 25 de Julho de 2009 às 21:46
Pelo que tenho lido sobre o Estatuto do Aluno (e recordo que não o conheço em profundidade), é indiscutivelmente um mau produto global.
Num país em que o experimentalismo e o "eduquês" praticamente arruinaram o sistema educativo, este Estatuto do Aluno parece pretender levar ao extremo o total desfasamento com a realidade.

No entanto, convém não confundir "um produto globalmente mau" com "um produto que é completamente mau".

O ponto 1. da sua última resposta esclarece o que eu procurava esclarecer: se a prova só é eliminatória no caso de faltas injustificadas, um aluno que falta por motivos justificados (doença, por exemplo) não chumba se "falhar" nessa prova.
Parece-me que o Tiago afirmou antes precisamente o contrário mas posso ter percebido mal e, como a discussão já vai demasiado longa, não vou insistir mais nisso.

Um grande abraço e continuação do bom trabalho.


De Tiago Moreira Ramalho a 25 de Julho de 2009 às 21:55
Joaquim,

Faço então uma ultima tentativa para esclarecer:

O aluno que teve faltas justificadas não chumba no seguimento da prova (até porque a prova não tem a matéria toda do ano).

Isso não implica que o aluno chumbe o ano. Apenas quer dizer que as faltas justificadas não o fazem chumbar. Agora isso não significa que fica imune à retenção.

Com tudo isto até parece que estou a defender o Estatuto, o que não é o caso.

Se lhe subsistir alguma dúvida, esteja à vontade. Não vim para o Jamais só para gritar ao vento :)

Abraço e obrigado


De Joaquim Amado Lopes a 26 de Julho de 2009 às 00:19
"Apenas quer dizer que as faltas justificadas não o fazem chumbar. Agora isso não significa que fica imune à retenção."
E nem tem nada que ficar.

Podemos dizer que é injusto que, por ter estado doente, não tenha tido a possibilidade de adquirir certos conhecimentos/competências.
Mas a passagem de ano não tem nada a ver com se ter tido a oportunidade de adquirir esses conhecimentos/competências. Tem a ver com se os adquiriu ou não.

Esteve doente? Lamentamos.
Não teve possibilidade de estudar? Lamentamos.
Não aprendeu o que tinha que aprender? Lamentamos.
A culpa é dele? Não.
Fazemos o que estiver ao nosso alcance para o ajudar a recuperar? Sim.
Mesmo assim não recuperou? Lamentamos.
Passamo-lo de ano? É claro que não.

Se é isto que o Estatuto do Aluno diz então, nesse aspecto em particular, então tem pelo menos uma coisa positiva.


De clara a 25 de Julho de 2009 às 14:57
O seu (vosso?) problema é patirem do princípio que os professores são atrasados mentais que nada sabem decidir. Sou professora e garanto-lhe que o Estatuto está adequado. O Conselho de Turma analisa os casos de faltas excessivas, mas é evidente que não sofrerá qualquer penalização (apenas ajuda) o aluno que tenha estado comprovadamente doente.
Quanto às provas individuais (que aliás já existiam embora informalmente) não vejo nem nunca vi no facto de serem realizadas pelo professor que conhece o aluno.


De Tiago Moreira Ramalho a 25 de Julho de 2009 às 15:15
Clara,

Eu não parto do princípio que os professores são atrasados mentais, até porque tenho muitos amigos professores e alguns deles são das pessoas mais inteligentes que conheço. A Clara pode «garantir-me» que o Estatuto está adequado. Eu posso garantir-lhe que não, porque no último ano estive por dentro de todo o processo, estive na criação de um regulamento interno de uma escola e li aquele estatuto vezes sem conta sem nunca lhe compreender a «adequação». Um Conselho de Turma que tenha professores sensatos é obviamente um bom Conselho de Turma. Mas sendo a Clara professora sabe tão bem quanto eu que há conselhos e conselhos.

Além disso a Clara também sabe que nem todos os professores são profissionais exímios. Eu conheço uns quantos. Não sou como alguns que dizem que os professores são diabos. Mas também não sou tolo ao ponto de lhes passar um certificado de pureza. Há maus professores, como há maus profissionais em todas as áreas. É o facto de o professor conhecer o aluno que lhe tira a imparcialidade necessária na avaliação.

Lembre-se Clara, quando falamos de uma reforma de um sistema tão grande, não podemos avaliar os outros com base na avaliação que fazemos de nós próprios.


De Joaquim Amado Lopes a 25 de Julho de 2009 às 16:14
Não conheço o Estatuto do Aluno em profundidade (estou agora a lê-lo) mas posso afirmar desde já que não parece muito adequado.

Por exemplo, o artigo 21º diz que os pais só serão chamados à escola depois de duas semanas completas de faltas e para serem alertados "para as consequências do excesso grave de faltas" e "se encontrar uma solução que permita garantir o cumprimento efectivo do dever de frequência, bem como o necessário aproveitamento escolar".

Sempre pensei que as consequências devem estar presente na mente dos pais e dos alunos logo desde o primeiro dia de aulas.

E, mesmo que seja impossível contactar os pais, a
respectiva Comissão de Protecção de Crianças e Jovens só será informada da situação quando "a gravidade especial da situação o justifique".
Como se o simples facto de ser impossível contactar os pais não justificásse a intervenção imediata não apenas da CPCJ mas da polícia.

O artigo 22º começa ainda melhor: "Verificada a existência de faltas dos alunos, a escola pode promover a aplicação da medida ou medidas correctivas". Note-se bem: "PODE"

Talvez volte a este assunto depois de ler melhor o resto do diploma mas, para já, há alguns elementos que permitem a total arbitrariedade (num sentido ou no outro) e mesmo a demissão da escola.


De José Barros a 25 de Julho de 2009 às 15:46
E por que não dar a cada escola a liberdade de ter o seu próprio estatuto do aluno com as regras que considerar mais adequadas ao tipo de estudantes que a frequenta? Por que razão é que num blogue do PSD, partido no qual irei votar, se consegue apenas colocar a questão num "framework" de centralismo e socialismo que deu os resultados que deu na educação nos últimos 30 anos?


De Tiago Moreira Ramalho a 25 de Julho de 2009 às 16:01
José Barros,

Eu opus-me a pormenores do diploma. Restrinjo-me à realidade que tenho. Se quer que lhe diga, sou completamente favorável a uma autonomia crescente das escolas, num modelo como o das universidades, e a uma redução drástica do papel do Ministério (que vagueia sempre ao sabor dos votos, ao contrário das escolas).

Para além disso, eu não sou do PSD nem falo pelo PSD...


De José Barros a 25 de Julho de 2009 às 19:08
Tiago Moreira Ramalho:

Respeito a sua posição de discutir este estatuto do aluno em particular, mas isso parece-me empobrecedor num blogue que pretende - e bem - ser de oposição a este governo e, ao mesmo, promotor de alternativas sectoriais, também na educação. Se o próximo governo continuar enfeudado a discussões sobre diplomas que mais não fazem do que acentuar o centralismo do ministério da educação, torna-se relativamente indiferente discutir se a prova de recuperação é feita pelo professor do aluno ou por um grupo de professores da disciplina em causa. Nenhuma das alternativas representa algo de significativo na correcção dos males do ensino. Não direi que são cosmética, porque podem ter consequências melhores ou piores, mas não pode ser esse o fulcro da oposição a este ministério da educação em particular. Eu espero ver o PSD a alargar a autonomia das escolas e um bom princípio dessas políticas de autonomia seria dar às escolas a possibilidade de conformarem os seus estatutos de alunos.


De Tiago Moreira Ramalho a 25 de Julho de 2009 às 19:13
É uma ideia que partilho. Provavelmente daqui por uns dias irei escrever sobre isso e botar ali nas propostas :)

Mas lembre-se: nem este é um blogue do PSD nem eu sou do PSD. Apoio, mas sou independente.


De Levy a 25 de Julho de 2009 às 16:17
Por muito que algumas pessoas defendam esse estatuto do aluno, há uma coisa da qual não podem escapar: todo ele está mal feito. É confuso e de difícil interpretação. António Barreto chegou a classicá-lo como o pior documento produzido pela administração pública portuguesa em 30 anos.
A prova que foi mal feito, foi que o governo depois de o publicar, teve de o esclarecer através de um despacho, que na prática desvalorizava quase tudo o que esta escrito no estatuto.
Julgo que se virou o feitiço contra o feiticeiro, porque o ministério queria com este estatuto era penalizar os professores (cada vez que um aluno faltava o trabalho era para os professores), mas aconteceu o contrário. Houve alunos que chumbaram porque pura e simplesmente não se davam ao trabalho de ir às provas de recuperação.
O referido despacho que veio explicar o estatuto, era claro numa coisa: a prova de recuperação não devia ser um exame e podia ser uma simples conversa. Ora "uma simples conversa com o aluno" não é coisa nenhuma. Não há testemunhas, não há nada. Tudo pode acontecer e o aluno, ou os pais, podem contestar o resultado de "uma conversa".
O grande problema é este: ou as provas têm consequências, e os alunos chumbam todos (coisa que o ME nem quer ouvir falar); ou as provas não têm consequência nenhuma e tudo isto é uma perda de tempo.


De Levy a 25 de Julho de 2009 às 16:55
Tiago,

se lhe interessar veja como o governo chegou a uma taxa de 90% de avaliados no Estado. Tal taxa é pura e simplesmente falsa.

Escrevi aqui:

http://lisboa-telaviv.blogspot.com/2009/07/esta-noticia-e-pura-e-simplesmente.html

E obtive a informação aqui:

http://educar.wordpress.com/2009/07/25/mentira-de-estado/


De Tiago Moreira Ramalho a 25 de Julho de 2009 às 17:16
Obrigado pela informação. Tenho de me certificar dela, porque não sei se os professores entram para o quadro do SIADAP (não sei se aqueles 180.000 não são burocratas, coisa que não me parece muito plausivel, confesso). Se for mesmo mentira, cá terão um post :)


De Levy a 25 de Julho de 2009 às 17:49
Fui vasculhar as estatísticas oficiais do ME referentes a 2006/2007:

http:/ www.min-edu.pt /outerFrame.jsp?link=http%3A//www.gepe.min-edu.pt/

http:/ www.min-edu.pt /outerFrame.jsp?link=http%3A//www.gepe.min-edu.pt/

Grosso modo havia em 2006/2007, 140 mil docentes e 52 mil não docentes (continuas, secretarias, ministério).

Na tabela fala num total de 185 mil, é possível que tenha havido um decréscimo de 2006 para cá.
Dessa forma, em 2008 teríamos aproximadamente 50 mil não docentes e 135 mil docentes. Dos 135 mil docentes cerca de 115 mil serão do quadro e 20 mil contratados. Como apenas estes foram avaliados, e se todos os trabalhadores não docentes o foram, temos no máximo um total de 70 mil avaliados. Nunca poderão ser 160 mil como afirma o governo.

Nesta questão é impossível saber os números certos, se nem o governo sabe quantos funcionários tem, mas uma coisa é certa 110 mil professores do quadro não foram avaliados em 2008.


De Tiago Moreira Ramalho a 25 de Julho de 2009 às 18:09
Obrigadíssimo pela ajuda Levy. Já está a ser cozinhado um post sobre o assunto :)


De Levy a 25 de Julho de 2009 às 18:16
De nada :)

Só mais uma pequena achega: se alguém sugerir que o SIADAP não se aplica aos professores, e que os 185 mil funcionários que aparecem nessa tabela são trabalhadores "não docentes", então isso significa que o ministério tem 320 mil funcionários, o que contraria a informação que tem na sua própria página de estatísticas (192 mil em 2006):

http :/ www.gepe.min-edu.pt np4 281.html


De Tiago Moreira Ramalho a 25 de Julho de 2009 às 18:11
Levy, os links têm um problema qualquer...


De Levy a 25 de Julho de 2009 às 18:17
É natural que tenham, são do ministério da educação.

Experimente este:

http://www.gepe.min-edu.pt/np4/281.html

e depois abra o outro que aparece a azul.


De maria roro a 25 de Julho de 2009 às 18:04
tudo serve para menorizar o tremendo esforço que se tem feito para recuperar os alunos para a escola! as "criticas" são extraordinárias! então o professor que acompanha um aluno ao longo do ano não está preparado para lhe fazer um teste adequado à sua situação? quem é que retira a dignidade aos professores, afinal?


De Tiago Moreira Ramalho a 25 de Julho de 2009 às 18:07
É claro que não está preparado e qualquer pessoa lúcida percebe isso. A Maria nunca andou numa escola?

Por uma questão de transparência, até para bem dos próprios professores, é essencial que a prova seja feita por um grupo e não por eles apenas. A bem da imparcialidade e transparência.


De maria roro a 25 de Julho de 2009 às 18:25
agradeço a imediata simpatia da "falta de lucidez"...a capacidade de ouvir uma opinião diferente fica assim logo clara! e é claro que andei numa escola, aliás em várias e por acaso tive a oportunidade de fazer alguns testes quando estav doente ou tinha que faltar por qualquer outra razão. e até fiz - vejam lá que coisa mais estranha!- um ou dois testes, ao longo da minha vida escolar, noutra turma do mesmo professor. e não me senti prejudicada por isso, não senhor!


De Tiago Moreira Ramalho a 25 de Julho de 2009 às 18:27
A questão Maria (e peço desde já desculpa pelo comentário foleiro) é que é um teste feito por uma pessoa para outra pessoa. Eu parto do pressuposto que a maioria dos professores é profissional e sabe ser imparcial. Mas toda a gente sabe que há maus professores e há professores que têm preferências, amores e ódios dentro das turmas e perdem a imparcialidade por vezes. Não é nada de extraordinário assumir isto. Estranho seria defender que todos os professores portugueses são perfeitos. Isso não acontece em nenhuma profissão em nenhum país do mundo, Maria.


De Touaki a 23 de Setembro de 2009 às 23:40
Meus caros!
Una das melhoeres provas da inexiquibilidade do novo estatuto do aluno é a quantidade de interpretações/formas de aplicação/consequências do dito estatuto e em especial da célebre prova, que para uns é de recuperação, outros de diagnóstico, outros ainda de exame.
De facto o melhor mesmo é mandar este estatuto para as urtigas e fazer um novo com pés e cabeça. Simples, preciso, claro, curto, conciso, objectivo e sem ambiguidades.
Só para relembrar aos mais distraídos - se o aluno "chumbar" na dita prova, serão feitas novas provas de forma até "acertar" com os saberes/conhecimentos/competências do aluno. Ou seja, 2, 3, 4, etc... Resultado final - o aluno, mesmo baldas, terá sempre de passar! Não imaginam a trabalheira que é reter (eufemismo para o "traumatizante" chumar) um aluno do ensinoi básico. Já aconteceram casos de pais pedirem a proifessores para reterem o aluno no mesmo ano por os considerarem impreparados para o seguinte e os professores nada poderem fazer perante a legislação existente.


De Sofia a 20 de Março de 2010 às 22:35
Imaginem que um aluno dá 4 faltas a uma disciplina nao interessa o motivo.
E falta na prova de recuperação, mas na realidade até é um aluno que se enpenha faz os trabalhos mas a prova de recuperação correu-lhe mal, e os professores chumbam o aluno.
Será isso correcto?
Prejudicar um aluno dessa maneira, impossibilitar lhe de acabar a disciplina por ter negativa num exame.
A mim nao me pareçe correcto


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