Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009
publicado por André Abrantes Amaral em 17 Ago 2009, às 14:54

Regressado de férias, só agora tenho oportunidade de colocar aqui o meu artigo publicado no  Diário Económico no passado dia 4 de Agosto.

 

Étienne de Silhouette foi ministro das Finanças de Luís XV. Durou muito pouco tempo, tão obcecado estava com os números, as receitas do reino que, dizem as más línguas, perdeu o lugar por não ter conseguido dizer ao rei qual a cor das paredes do seu quarto em Versalhes. Os franceses não gostaram muito dele, devido aos impostos que criou e ridicularizaram-no através de inúmeros desenhos com o seu perfil de homem gordo. O nome silhueta ficou ligado à ideia de esboço, mas também a de uma experiência rápida e fracassada. Para a posteridade aquele ministro deu um sentido novo ao seu nome silhueta.

O executivo de Sócrates não durou tão pouco tempo, mas foi, também ele, uma silhueta. Uma silhueta de governo. Pelo que prometeu e pelos resultados que deu. Pela forma como entrou em força, apresentando medidas enérgicas e saiu depois pela porta dos fundos, recuando perante os primeiros protestos. Por ter equilibrado as contas públicas, mas da maneira mais fácil, nunca ousando fazer o que era preciso: gastar menos. Em vez de enfrentar as decisões difíceis, limitou-se a onerar ainda mais os cidadãos. A vida é agora mais difícil que em 2005 porque este governo nos sobrecarregou com impostos, deveres e explicações várias.

A crise que Portugal enfrenta hoje não deriva da internacional. Esta limitou-se a agravar problemas estruturais da nossa economia, bastante complicados e que duram há demasiado tempo. Nos próximos anos, mais do que uma silhueta, precisamos de um governo que seja consentâneo, consistente e constante. Não precisaremos de cortar a eito, hostilizando tudo e todos, mas apenas ir ao fundo da ferida e iniciar a cura. Por muito que custe, e com o pragmatismo necessário, há que flexibilizar a lei do arrendamento e a legislação laboral, para que não seja tão difícil mudar de emprego; reduzir a despesa pública, de modo a que os impostos não asfixiem mais as pessoas e as empresas; dar autonomia às escolas nas decisões que lhes cabem e lhes interessam; realizar uma verdadeira descentralização administrativa do país, que colmate as cada vez maiores discrepâncias que existem entre as diversas regiões; adaptar o funcionamento dos tribunais aos dias de hoje, para que estes dêem resposta atempada aos pedidos de justiça que lhes são feitos. Pensar mais nas necessidades do país e menos nos interesses dos grupos corporativos. Não vai ser fácil, mas terá de ser feito.
 



Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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