Terça-feira, 18 de Agosto de 2009
publicado por José Gomes André em 18 Ago 2009, às 16:20

Muitos economistas têm defendido que o combate à crise deve passar pelo investimento público, uma vez que os agentes privados receiam avançar num momento de grande incerteza. A aceitação desta ideia – que me parece razoável – não deve dispensar porém a definição de objectivos específicos que enquadrem a sua execução.

 

A meu ver, há dois princípios vitais a ter em conta. Em primeiro lugar, procurar dirigir o investimento público para um benefício concreto das populações e das comunidades locais, agindo sobre infra-estruturas que têm um impacto directo e imediato no bem-estar do cidadão comum. Refiro-me em particular à revitalização do parque escolar, ao investimento em hospitais e centros de saúde, ao restauro de pequenas e médias redes viárias, à requalificação do património histórico, à preservação dos espaços verdes e à aposta em novos modelos de mobilidade urbana. Estas são áreas que promovem emprego e geram mais-valias indiscutíveis para o país real, quer estejam em causa pequenas comunidades, cidades de média dimensão ou grandes aglomerados.

 

Em segundo lugar, importa garantir que o investimento público não conduz a um endividamento excessivo, que hipoteque o direito das gerações futuras a concretizarem as suas aspirações. Temos a obrigação de investir em projectos que venham a beneficiar os que ainda não nasceram, mas devemos também proteger os direitos das gerações vindouras a determinarem o seu próprio destino, sem estarem presas a pesados fardos contraídos no passado sem o seu consentimento.

 

Um dos maiores problemas do actual Governo tem sido a sua tendência para confiar cegamente no investimento público sem estabelecer prioridades, nem reflectir sobre os seus propósitos. Com efeito, o Governo socialista pouco tem atendido aos dois objectivos acima enunciados, manifestando um entusiasmo quase bacoco pelos denominados “megaprojectos” (TGV, aeroporto internacional, terceira auto-estrada Lisboa-Porto), que favorecerão mais as construtoras do que as comunidades locais, estando ainda por conhecer os reais benefícios que o cidadão comum retirará destas obras faraónicas.

 
Por outro lado, o Governo socialista não tem manifestado preocupação com o crescimento exponencial da dívida externa, que em 2009 ultrapassou os 100% do PIB, correspondendo em números absolutos a mais de 350 mil milhões de euros. Sem negar a importância do Estado no estímulo da economia (particularmente num período de crise), Portugal precisa de um Governo que deseje efectivamente reduzir esta pesada herança para as gerações futuras.
 
[Publicado hoje no Diário Económico].


Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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