Terça-feira, 18 de Agosto de 2009
publicado por Carlos Botelho em 18 Ago 2009, às 17:21

 

O olhar fixo no infinito (na utopia, certamente), que não perde tempo com as desprezíveis finitudes da realidade concreta e com os maçadores que persistem em o incomodar com essas minudências (abundantes e bem reais, mas o que é isso para ele?) - afinal, não passam de "pessimistas" e "bota-abaixistas". É o olhar que sabe o que quer, que é determinado e tal. Estai descansados, Portugueses, é o olhar de um Chefe.

Um Chefe que se esforça todos os dias pelo bem da Pátria e que o mostra à saciedade (até à náusea, dirão os "bota-abaixistas") esbracejando (como um náufrago já aflito, dirão os "pessimistas") e gritando pelas televisões, por esse Portugal fora (transformado em cenografia "socrática"), onde há sempre um cantinho sequioso pela presença revigorante do Chefe e zelosamente espanejado de realidade - ela teima, como a irresistível poeira, em, à mínima distracção assessorial, se ir depositando nos adereços "socráticos" (profissionalmente dispostos pelo palco-Portugal), embaciando-lhes o brilho tão amorosa e superficialmente puxado pelas gentes serventuárias que há sempre disponíveis, confirmando as pregas há muito descritas na natureza humana.

Poderia dizer-se que a ministra, também na foto, foi captada num instantâneo azarado que expõe, com a crueza dos instantâneos, aquele que tem sido o seu olhar sobre a Educação e a atenção com que as suas mãos delicadas de ministra operaram na Escola. Mas não. Seria cruel dizê-lo, porque trata-se ali somente de um feliz acaso palpebral. (O que diríamos, então, se, por exemplo, avistássemos, numa foto reveladora, um Valter Lemos inteligentemente decapitado? Ou um Santos Silva surpreendido de açaimo na mão?)

 

Mas hoje mesmo, aquele olhar, o olhar do Chefe, vai saltitar em digressão por várias escolas "intervencionadas" (como o analfabetismo democratizado agora gosta de dizer) "ao abrigo do" PMPEES (Programa de Modernização do Parque Escolar do Ensino Secundário) - a que eu acrescentaria PCDSMCPPEJS (Por Convite Directo Sem a Maçada do Concurso Público Porque as Eleições são Já em Setembro).

Isto é, Sócrates não tem qualquer pejo em se servir das escolas como instrumentos para a sua propaganda, como recintos onde ele monta a sua feira de anúncios desgarrados e proclamações vazias. Para o nosso primeiro-ministro, as escolas não são, fundamentalmente, locais ("espaços", como ele diz) onde se ensina e se aprende. Não. E como o poderiam ser, se Sócrates (a ironia deste nome aqui, meu Deus) não tem a mínima ideia do que devam ser essas duas actividades? - ainda há minutos o ouvi dizer banalidades atrozes e circulares sobre a "qualificação para o futuro". Para ele, as escolas são, primeiro que tudo, "barraquinhas" para a exposição da sua propaganda. São, não elementos de uma política educativa estrutural e estruturada (o que requereria um pensamento), mas sim meros veículos de uma "política" diária, superficialmente proclamatória, em constante trepidação pelos telejornais, com o intuito de ir entoxicando o público.

Se surgirem perguntas incómodas ou embaraçosas, que estragam a farsa montada, estarão por lá os seguranças que, como se tem visto, parecem mais ter como função abalroar os repórteres, do que zelar pela segurança do primeiro-ministro.

 

De cada vez que Sócrates se entrega a uma destas "iniciativas", está a insultar os Portugueses. Tudo se passa como se pensasse: 'Posso muito bem limitar-me a dizer inanidades para os microfones e a aproveitar-me das escolas para ir fazendo a campanha. As pessoas não se importam! - vou-lhes atirando com os Magalhães para se irem entretendo, vão enchendo o olho com os estaleiros, os andaimes nas escolas, a minha presença nos telejornais falando no futuro e na modernidade e no emprego e tal, toda esta aparência de actividade febril que causa a sensação de que se está realmente a fazer alguma coisa. Estão no papo. Porreiro, pá!'


2 comentários:
De M.Coelho a 18 de Agosto de 2009 às 23:13
SEM COMENTÁRIOS...!


De Anónimo a 19 de Agosto de 2009 às 09:44
Verborreia sem sentido...


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Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.
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